quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A Síndrome do Big One (Parte 2)


Na verdade, a tecnologia – tendo como mentores e expoentes o sexo masculino, considerado o “sexo forte” – acabou determinando escalas de valores socialmente complexas, em que se embute a lucrativa “Cultura da Virilidade”, que vai de bad boys a body-builders.

Macho men, seus acessórios e adereços são gerados e adorados em escala industrial. Viva os ricardões hiperdotados! Por que não combinar música, sexo e porrada em bailes do lumpenpunk?


O machão é um troglodita de terno e gravata, Átila, o huno do mercado financeiro, Zapata, o guerrilheiro do Movimento dos Sem-Terra, Jimmy Hoffa, o gângster da Força Sindical, Wyatt Earp, o xerife da Fiesp. Fruem sexo exclusivamente com pênis e testículos.

Homens maduros se expõem em talk-shows, representando clubes de machões, com estatutos, registros em cartório, camisetas e carteiras de sócio.

Acreditam que uma juvenil manifestação de preconceito pode lhes dar a fama pífia – 15 minutos, no máximo – à qual se referiu Andy Warhol.

Para se filiar a tais clubecos, o pretendente precisa, inclusive, dar fé pública da centimetragem peniana.

Assim, o membro pequeno no corpo de um homem de personalidade satélite desse way of life pode assumir contornos de tragédia, levando muitas vezes à impotência. Acontece nas melhores famílias.


Pessoas desse tipo, infelizmente, não podem requerer seu noviciado na AMOAL.

O machão diplomado na escola de prepotência sexual não sabe ou não quer saber, até porque consideraria ponderação herética, que pênis avantajados podem causar muito mais problemas que propriamente prazeres.

De acordo com o estudo da UFGRS já citado, um pênis de 18 a 20 centímetros é considerado descomunal.

“Para a mulher é insuportável”, opina Herbert Gauss. “Dá uma sensação terrível de empalamento. Machuca, dificulta e até anula o prazer. Nesses casos, ao contrário do que parece, a relação anal é mais propícia. O reto, muito longo, assimila melhor o pênis grande. Basta que a mulher tenha uma razoável técnica de relaxamento do ânus, que não é difícil.”

O que demonstra outro axioma da AMOAL: quem gosta de pau grande é viado, mulher gosta de dinheiro.


A grande dotação peniana – se preferirem, a “Síndrome do Big One” – tem referências curiosas e hilariantes, até mesmo na literatura brasileira.

Ivan Ângelo, em seu livro de contos “A Casa de Vidro”, escreveu num deles, “O Verdadeiro Filho-da-Puta”: “Bem, sem mentira nenhuma: mole, batia aqui pra baixo um pouquinho da coxa (...). Mas bem, você precisava ver quando endureceu, olha, tá vendo, é isso aqui ó, do seu cotovelo até o punho (...). O homem é até triste, vai ter é de casar com uma que não conhece cacete, aí ela pensa que é assim mesmo e agüenta, porque mulher nenhuma vai ter coragem, e ele vai ter de andar depressa, falei pra ele, que aquilo quando chega nos 50 não levanta mais, fica só assim meio bobo, não dá pra entrar.”

Os homens que correm como fanáticos atrás de panacéias nos consultórios de Herbert Gauss e Líster de Lima Salgueiro são normalmente solteiros, com idade variando de 25 e 35 anos.

A maioria é de profissionais liberais, financeiramente estáveis, até porque uma cirurgia de alongamento peniano podia chegar a 10 mil reais, incluindo pós-operatório, antes que a resolução do CFM as tornasse experimentais.

Nos consultórios, só conversas e troca de informações.


Mas há exceções: o caso dos micropênis, de aproximadamente 5 centímetros ou até menos, são redirecionados para endocrinologistas. A anomalia é geralmente causada por baixa de testosterona, hormônio masculino que pode ser reposto.

Nesses casos, com tratamento o pênis tende a crescer até três centímetros, qualquer que seja a idade do paciente.

No caminho oposto, eventuais superdotados que, tendo problemas com isso, queiram reduzir suas dimensões deparam com um muro intransponível. Pelo menos no estágio atual da cirurgia plástica, isso é impossível.

Há ainda sutis alarmes falsos que levam o homem desinformado a pensar que é pouco dotado. Herbert Gauss lembra o excesso de gordura na região pélvica, que embute o pênis em descanso, dando-lhe uma dimensão de fato pequena, às vezes mínima.

Mas ele enfatiza que “a verdade se restabelece durante a ereção”.


Existem ainda homens com preponderância de cromossomos femininos. Essa anomalia determina o físico ginecóide, com formatos assemelhados aos de mulher.

A possibilidade de que biótipos ginecóides tenham pênis abaixo da média é significativa, por se tratar de uma disfunção hormonal.

Outro embuste que lembra Pinóquio e seu nariz – criado pela adoração ao fitness – são as ginásticas penianas, secundadas por parafernálias de gadgets e cosméticos, ditos estimulantes e/ou afrodisíacos.

“Se pênis fosse músculo, ainda vá lá!”, zomba Gauss. “Mas é um corpo cavernoso, vascularizado, irrigável por sangue. Não pode ganhar massa muscular. Queria que me explicassem como é malhar com o pênis”, ri. “Já pensou, pênis fazendo abdominal?”

No fundo, se malhação resolvesse, masturbação e speed de penetração seriam vedetes das academias de atletas sexuais.

A partir da constituição de pênis como corpo cavernoso, homens bem-dotados têm muito mais a perder ao longo do tempo que os médios e pouco dotados.

“O pênis muito grande se esclerosa mais rápido em função, por exemplo, do diabetes ou de doenças vasculares”, diz Gauss. “Também conheço gente que, mesmo sadia, aos 30 e poucos anos já começa a ter problemas. A ereção nunca é total.”


Líster Salgueiro lembra outro fator: “Quanto maior o tamanho do pênis, menor a elasticidade. Na ereção, o pênis considerado normal cresce muito mais que o grande”.

Aqui, cabe ainda a anedota de irretocável lógica médica: a história do homem que carregava um pênis gigante – de 25 centímetros, igual àquele que o bilionário Onassis dizia ter – e que o fazia desmaiar ao ter ereções.

Então vem a explicação do especialista: “Para irrigar tudo isso, meu caro, você gasta metade do sangue circulante. E quando o sangue sai da cabeça, você desmaia. É o que chamamos de hipovolemia.”

Piadas à parte, o Kinsey Institute, nos Estados Unidos, registrou o caso de um pênis de inacreditáveis 48 centímetros.

Talvez, pelo excessivo decoro, o recorde não foi parar nas páginas do livro Guinness.

Nesse caso, entra-se no dantesco terreno das imperfeições que bem serviriam ao “Acredite Se Quiser”, mix eletrônico do inusitado senhor Ripley, uma espécie de caçador de histórias enigmáticas, coincidências impossíveis e aberrações físicas.


O falecido professor-doutor Walter Edgard Maffei, brasileiro e um dos três mais famosos patologistas do mundo, com mais de 150 mil autópsias realizadas, cita num de seus livros de Patologia Clínica um caso sem precedentes de macrogenitossomia (órgão genital exagerado) que transforma em realidade cruel a anedota da hipovolemia.

O homem, cujo nome e tamanho do pênis o Dr. Maffei omitiu por questões éticas, ficava tonto e não raro desmaiava ao ter ereções.

Para conseguir ereção e mantê-la, o homem normal necessita de até 120 mililitros de sangue, mais de 1 décimo de litro.

O homem identificado por Maffei demandava quase 1 litro.

Considerando-se que metade do volume sanguíneo que leva à ereção já está no corpo do pênis, ela acontece com a metade restante.

Mesmo assim, canalizar meio litro de sangue para os vasos penianos é uma façanha impossível sem efeito colateral de hipovolemia.

O pênis cujo tamanho incensa tantas fantasias acabou levando ao suicídio o homem do “caso Maffei”.


A ignorância de muitos homens, sobretudo em relação ao seu próprio órgão sexual, faz mandíbulas despencarem de espanto.

Não são todos que sabem que há dois condicionamentos decisivos em termos de dotação peniana: um é genético, o outro, racial.

Por exemplo: orientais são em geral menos dotados em relação a caucasianos, que, por sua vez, são em geral menos dotados em relação a africanos.

Trata-se de estatísticas universais.

Quanto ao aspecto genético, da mesma forma que há famílias de pessoas altas ou baixas, há também pouco dotados e bem-dotados, características determinadas por genes, que, por enquanto, não têm guichês de reclamações.


“A massa genital se transforma em testículo e começa a produzir testosterona na sétima semana de vida do feto”, diz o Dr. Líster.

“Depois, gera-se ainda a dihidrotestosterona, que entra na formação da próstata, vesícula seminal etc. É a ação conjugada desses dois hormônios que forma o aparelho genital”, continua.

“Fora do útero, o organismo masculino volta a produzir testosterona entre 9 e 13 anos de idade, faixa que corresponde à puberdade. O tamanho do pênis é determinado nessas duas ocasiões”, complementa.

Num futuro bem próximo, de exploração e controle sobre mutações genéticas, talvez os pais possam escolher sexo e tamanho do órgão sexual para filhos homens.

Por enquanto, o controle está com a mãe natureza.


A sistemática preocupação masculina com a dotação do pênis também é sinal de – diria Freud – psicopatologias do cotidiano.

“O homem insatisfeito sexualmente tende a transferir seu problema para algo físico, palpável”, afirma o professor Goldberg. “Porque está insatisfeito, subjetiva que seu pênis é pequeno, e aí não importa o tamanho que tenha, ele vai continuar se sentindo um excluído sexual.”

Esse mesmo homem não está nem um pouco preocupado com a opinião da mulher ou parceiras.

Não conhece, ou faz questão de ignorar, frases antológicas como a da sexóloga e ex-prefeita petista Marta Suplicy: “Não importa o tamanho da varinha, mas a mágica que ela faz”.


A Marta mais polêmica do Brasil parece ter apanhado a moral da história de alguma fábula dos Irmãos Grimm, para transformá-la numa metáfora de que “tamanho não é documento”. E um séquito enorme de mulheres sensatas segue o mesmo princípio.

Outra grande ilusão, disseminada por sexólogos de formação questionável, é a de que o antológico Ponto G só pode ser alcançado por superdotados, uma vez que se localiza em algum lugar de difícil acesso nos abismos da mulher. Mais mistificação.

“O Ponto G é qualquer ponto gerador de máxima excitação”, garante Herbert Gauss. “Pode ser o clitóris, o mamilo, a orelha, o calcanhar ou um CD de jazz... Não tem nada a ver com o tamanho do pênis ou com a localização de um ponto específico no corpo da mulher.”

A Síndrome do Big One (Final)


Mas meu caro gafanhoto, vamos fazer o seguinte. Pare um pouco de ler esse blog, olhe pra baixo e dê uma boa espiada no seu melhor amigo. Melhor: tranque-se no banheiro e faça-o acordar. Agora olhe!

O que você carrega entre as pernas é digno de orgulho? Você está satisfeito? Não estamos perguntando se ele é meio feinho ou desengonçado. Queremos saber se você tem coragem de sacar a arma como um bom pistoleiro na hora do duelo ou se prefere arrancar as calças na penumbra do quarto. Hummm... Você não está feliz!

E se a gente voltar a repetir que o mais importante é você ser um bom amante e ter na manga um repertório de carícias capaz de deixar a garota literalmente de quatro? Não vai adiantar, certo? Você quer ter uma boa bagagem a qualquer custo. Mais que isso: quer adquirir confiança para mergulhar fundo.


Ok, fique sabendo que é possível encaixar as peças nos devidos lugares sem comprometer o prazer de ambas as partes, independentemente do tamanho, volume ou envergadura do moço do andar de baixo.

Mas esqueça, definitivamente, qualquer manobra radical que possa pôr em risco a boa forma do seu amigão. Cirurgia para aumentar o tamanho do pênis, você já sabe, é uma tremenda roubada.

O Conselho Federal de Medicina, voltamos a repetir, apenas considera esse tipo de operação como objeto de estudo em hospitais universitários e, mesmo assim, em caráter experimental. E o resultado é incerto.

Os bem-intencionados doutores vão mexer nos ligamentos de sustentação do seu pênis, tentando arrancar alguns centímetros embutidos no seu abdome. Mas isso pode comprometer a envergadura do rapagão durante a ereção. Resumindo: você pode ter um pênis um pouco maior, porém frouxo, quase despencando.


A proposta dos mestres da AMOAL é mais inteligente: sugerimos algumas técnicas para que você penetre uma vadia, sem que isso represente um único arranhão na auto-estima do seu bilau.

Antes de entregarmos as nossas armas, queremos que você confira meticulosamente, e com precisão quase científica, as medidas da sua artilharia.

Assim: quando o seu pênis estiver ligadão (e só vale dessa forma, pois em estado letárgico pouco interessa se você tem um mastro ou um palito de dentes entre as pernas), coloque uma fita métrica entre o ponto de inserção no abdome e a extremidade dele.

Se o seu barrigão estiver camuflando o arsenal, empurre bem a fita de encontro ao abdome e afaste aquele amontoado de pelanca.


Para ter certeza do comprimento exato, meça três vezes e considere o maior valor. Mas não faça isso escondido dentro do freezer. Não esqueça que temperatura baixa retrai as coisas lá embaixo.

Pênis e escroto procuram o aconchego do seu corpo para garantirem uma temperatura constante, já que é inviável fabricar espermatozóides em geladeiras.

Bem, meu amigo, você também tem que checar para que lado a arma aponta, o grau de inclinação (se é para cima ou para baixo) e o diâmetro dela.

Coloque a fita métrica ao redor daquela extremidade que primeiro ataca ou em torno da base, próximo ao abdome, e confira.

Nunca é demais lembrar que estamos considerando apenas o seu pênis. Se você gosta de usar os dedos para abrir caminho, a história é bem diferente.


Segundo um estudo feito na Universidade da Califórnia, um pênis mediano tem 13 cm de comprimento e 12,5 cm de circunferência.

O estudo brasileiro, já citado antes, considera 14 cm de comprimento e 12 cm de circunferência como a média-padrão.

O urologista Claudio Telöken chegou a essa conclusão após analisar as proporções de 150 homens satisfeitos com o instrumento que carregam.

Esses estudos servirão de base para nossas considerações sobre o que você pode fazer com o seu pênis de acordo com as proporções dele.

E preste atenção, gafanhoto: finalmente alguém conseguiu provar cientificamente que o nosso bilau é maior do que o dos ianques!


Comprimento igual ou maior que 22 cm – O que é que você está fazendo aqui, lendo este blog, em vez de estar na indústria de filmes pornô de Hollywood ganhando milhões de dólares para encher de leite o pastel de carne daquelas putinhas safadas?

Deixe de ser, bobo, cara, e vá logo providenciar seu passaporte. Com uma ferramenta desse calibre, você tem tudo para virar ator de filme pornô e ficar milionário. A não ser, claro, que você goste de sentar em cadeira ocupada.


Comprimento entre 17 cm e 21 cm – Não há dúvida de que você tem algo que o diferencia dos demais humanos do planeta. Mas muito cuidado para não espantar a freguesia, principalmente se você for muito afobado.

A vagina tem entre 8 e 14 cm de profundidade e, em princípio, essa diferença numérica poderia dificultar o encaixe. Na prática, no entanto, o caminho das pedras não é tão árduo quanto parece.

As paredes dela são extremamente vascularizadas e, na fase de excitação, produzem um líquido lubrificante que permite o deslize e o perfeito encaixe.

Quanto maior o grau de excitação da garota, mais fácil será sua tarefa. Portanto, capriche nas preliminares, no jogo de língua. E isso é bom para você também. Ou acha fácil manter a arma em ponto de bala com tais medidas?

Você sabe que homens jamantas precisam estar muito excitados para receberem um considerável volume de sangue que garanta a armação da barraca.

Mas não espere milagres. Se seu pênis for mesmo gigantesco, não tente um vôo rasante. Ela pode sentir muito desconforto, reclamar e até desistir se o fundo da vagina for golpeado violentamente pelo seu mastro.

O ideal é você deitar-se de costas e deixar a garota cavalgá-lo. Sabe como é: ela comandando o jogo vai poder controlar a penetração até onde aguentar. Passarinho que come pedra sabe o cu que tem.


Comprimento entre 13 cm e 16 cm – Nesse caso você não terá maiores problemas para conseguir o que deseja. Mas temos alguns truques para melhorar o seu desempenho.

Os primeiros 3 ou 4 centímetros da vagina armazenam o maior número de terminações nervosas que captam a sensação de prazer. Isso significa que não adianta mergulhar até o final do poço.

A grande vantagem de ter um pênis-padrão é que essa região sensível da vagina pode ser mais bem explorada quando você estiver por cima e ela deitada com as pernas esticadas.

Nessa posição, a profundidade da penetração é reduzida e ela pode colocar mais tensão nos lábios vaginais, aumentando a sensibilidade para ambos.


Comprimento menor que 13 cm – Uma boa notícia àqueles que consideram seus pênis pequenos: o trabalho poderá ser mais fácil e prazeroso em comparação à missão dos que possuem verdadeiras toras.

A cerca de 3,5 cm acima do orifício vaginal, caso você ainda não saiba, está o clitóris, a região da vagina similar à glande do pênis, que concentra um amontoado de fibras nervosas. Na mesma direção, do lado de dentro, existe uma pequena saliência conhecida como ponto G. Sim, amigo, esse é o alvo a ser atingido se quiser deixá-la em estado de graça.

Tá, a vagina dela é flexível, podendo abraçar até um dedal. Mas você tem tudo para superar a expectativa.

Se seu pênis não é tão avantajado, o segredo é cravá-lo visando a parede superior da vagina. Mas não vá com muita sede ao pote.

Você vai deixá-la mais feliz se movimentá-lo lentamente, esfregando e torcendo o seu amigo contra o osso púbico dela.

Se tivesse um pênis descomunal, provavelmente você teria dificuldade nessa manobra. Lembre-se: fusquinhas acomodam-se bem na maioria das vagas.

Em todo caso, se o tamanho do seu pênis é motivo de desespero. Você pode aparar os pelos pubianos, principalmente na região próxima ao abdome. Assim, tem-se a impressão de que você ganhou de 2 a 3 centímetros.


Circunferência maior que 14 cm – Você sabe que pela vagina passa até a cabeça de um bebê, mas não conte muito com isso na hora da transa.

Homens com pênis muito grossos não podem dispensar preliminares e tampouco lubrificantes.

Capriche nas carícias, gafanhoto! Peça para que ela controle a penetração, e vá devagar nas primeiras dez investidas. Se ela abrir as pernas, o atrito será menor, facilitando a operação.

E não se esqueça: o cara de baixo aproveita o melhor da festa, mas outras extremidades do corpo (dedos e língua, mané!) também podem participar da brincadeira e abrir o grande desfile.


Circunferência menor que 11 cm – Elas não costumam reclamar de pênis fino, mas você pode se divertir menos ao se sentir meio “solto” na vagina, como um pé dentro de um calçado folgado.

Nesse caso, uma boa saída seria ela deitar-se de costas e colocar as pernas flexionadas contra o peito (a posição “frango assado”, mané!). Dessa forma os lábios vaginais apertam o seu pênis.

Outra boa idéia é você penetrá-la por trás. Não é sexo anal. Peça pra ela deitar-se de barriga pra baixo com as pernas fechadas e procure a vagina, espertinho...

Se, entretanto, você errar de buraco e ela não reclamar, você ganhou o dia!


Ângulo de ereção com 90 graus ou mais – O ângulo de ereção mostra a posição do pênis em relação à perna.

Compare o seu pênis ao menor ponteiro de um relógio. Se ele aponta para as 13 ou 14 horas, você tem uma ereção perfeita. Se está cravado nas 15 horas, você tem uma ereção satisfatória. Com a idade, é normal ele fincar pé nas 15. E não reclame, porque ao menos ele alça voo quando você está excitado.

O importante é que você saiba que quanto mais empinado ele estiver, menos flexível será sua ereção. Em outras palavras, muito cuidado para não fazer acrobacias durante o sexo, como sustentá-la em pé apenas com o pênis. Dependendo da posição, você pode machucar o seu colega de trabalho.

Mais: se o seu pênis é bastante empinado, penetrá-la no sentido vertical e fazer pressão pode ser muito desconfortável. Desse jeito você cutuca a bexiga e ela pode ficar com vontade de urinar (contenha-se, isso não é uma dica de sexo bizarro). O ideal é que você tente tocar o ponto G dela, aproveitando o seu ângulo de ereção.

O mapa da mina: durante o tradicional papai-e-mamãe, mantenha a sua pélvis mais baixa e realize movimentos suaves.


Ângulo de ereção com menos de 90 graus – Se o seu pênis não aponta para as 18 horas, você ainda tem chance de se dar bem.

A vantagem de ter um grau de ereção menor é que você pode tentar posições no mínimo desconfortáveis para a maioria.

Por exemplo: você se sentam frente a frente e, após a penetração, deitam-se de costas conectados pelo quadril.

Se não curtir essa posição “faquir em transe”, vá de papai-e-mamãe, que você acerta o alvo.


Se o bráulio for torto – Você só tem motivo para se preocupar se o ângulo de curvatura do seu pênis for maior que 20 graus.

Nesse caso, talvez precise de um reparo para colocá-lo no rumo certo. Na dúvida, consulte um urologista.

Mas, se ele for levemente curvado (a maioria é para a esquerda), você pode tentar posições laterais para obter e dar mais prazer (“canguru perneta”, “lâmpada de Aladim”, “morte em Stalingrado”).

Se preferir as posições tradicionais, vá com jeito, pois também existe o risco de pressionar a bexiga dela.

No mais, seja criativo e quente. Muito quente. É só disso que as vagabundas precisam, papo sério!

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Missão macho: engravidar a vizinha gostosa!


Meu amigo, você ai que anda mais liso que mussum de brejo, que anda comprando fiado e pedindo o troco, repare na moleza desse emprego: R$ 5.700,00 para fazer um menino, engravidar uma fêmea. 

Não uma fêmea qualquer, não uma criatura avulsa e não-sabida, nada de cobaia de pesquisas, nada disso, meu caro, simplesmente a mulher do vizinho, a gostosona da rua.

Imagine a cena. Certa manhã, você acorda ali sofrido com as dívidas, olhão arriado de tanta tristeza, ai vem o morador do apartamento ao lado e diz:

– Costa, meu chapa, estou precisando muito dos seus préstimos, podemos falar um minutinho?...

Você, que é do ramo, pensa logo em um pedido de grana, a velha e cordial “facada”, e se antecipa:

– Amigo, no momento estou sem condições, mas quem sabe para o mês...

– Que que é isso, vizinho, muito pelo contrário. Tenho é uma proposta para te fazer...

Nisso a mulher do proponente chega na área:

– Deixa que eu mesma falo, Miltinho, pode ser?

O velho Costa estranha o movimento, afinal de contas o nível de intimidade com o casal do 303 era o mínimo. Nada além de ois, boas noites, feliz páscoa, etc.

– Sou eu que estou precisando, então eu mesmo desembucho – atalhou a mulher, impaciente, olho no olho do nosso amigo.

– Tudo bem, tudo bem, não está mais aqui quem estava falando – diz Miltinho, coitado, um banana com cara de zé ruela.

O velho Costa fica mais encafifado ainda e ensaia um drible de corpo para pegar o elevador, fingindo algum atraso – como se aquele desocupado tivesse algum compromisso na vida.

– Preciso que você faça um filho em mim! – desembuchou a fogosa fêmea, objetiva, sem nove-horas.

O velho Costa até que já havia pisado na bola inúmeras vezes com o último dos dez mandamentos, mas nada que tivesse ido além da cobiça e do desejo na mulher do próximo. Nada além do platônico.

– Como assim, gente, não estou entendendo mais nada, que pegadinha é essa!? – assombrou-se o camarada.

– Isso mesmo que o nosso querido vizinho ouviu: preciso que você faça um neném em mim, com a máxima urgência possível.

A vizinha não era nada de se jogar fora. Muito pelo contrário. O velho Costa, amante das mulheres fartas, sempre admirou o seu latifúndio dorsal.

– E o melhor, querido vizinho, é que estamos dispostos a te remunerar pelo trabalho, o senhor bem sabe que nessa vida não tem almoço de graça, não é mesmo?! – declarou o manso corno de resultados.

– Cinco mil e setecentos pela labuta – sorriu a fogosa.

O velho Costa não pegava um galo, como ele sempre chamou a cédula de 50, havia meses. Imagine a cara de espanto da infeliz criatura.

– E já podemos começar as tentativas hoje mesmo, não é benhê? – disse a mulher, toda sedutora, sob o olhar resignado e sincero do esposo.

– Chega de pegadinha, cadê a câmera da tevê?, fala sério! – apelou, acuado, o velho Costa.

Para mostrar que o movimento era sexy e a proposta à vera, a fogosa fêmea foi logo puxando o vizinho para o sofá da sua sala.

O maridão foi até o botequim da esquina, tomar um suco com um sanduíche natural – era um corno saudável! –, enquanto os dois se pegavam pela primeira vez.

E assim continuou a safadeza. Mas acontece que depois de quase seis meses, com direito a três tentativas semanais, o velho Costa, assim como o maridão estéril, não conseguiu emprenhar a maldita. O pior é que o miserável já havia embolsado quase todo o dinheiro.

Resultado: o casal processou o vizinho por ineficiência e outras brochuras capitais. O rolo segue na Justiça.

O caso acima, amiga, parece mentira, mas aconteceu de fato e de direito na Alemanha. Só adaptei a safadeza para o solo pátrio.

É que o velho Costa e este cronista ficamos mesmo morrendo de inveja da missão do Frank Maus, o vizinho alemão encarregado de embuchar dona Traute, o nome real da fogosa.

O maridão atende pelo batismo de Demetrius Soupolos.

A informação saiu originalmente no “Bild”, periódico alemão. Interessa?

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A vida secreta de Walt Whitman

Atualmente Walt Whitman é uma figura querida, um “tiozão”, o “bom poeta grisalho” com a esvoaçante barba branca, mas na sua época ele era um tremendo iconoclasta. Um crítico o chamou de “a mais imunda fera do seu tempo”. O jornal Boston Intelligencer, numa resenha da sua obra máxima, Folhas de Relva, atacou-o ferozmente em termos altamente pessoais: “A bestialidade do autor é demonstrada em sua própria descrição de si mesmo, e não podemos conceber nenhum prêmio melhor que a censura por tal violação da decência. O autor deveria ser expulso de toda a sociedade decente, ficando abaixo do nível dos mais brutos. Ele deve ser algum lunático em fuga, delirando em deplorável desvario”.
A questão, claro, era o sexo. Whitman celebrou o sexo em sua poesia com uma franqueza jamais vista antes nos Estados Unidos. Sua defesa da “fraternidade” masculina, as eróticas descrições do corpo humano e as repetidas referências às virtudes da auto-satistação sexual fizeram dele o objeto da ira dos censores quase desde o primeiro instante em que ele soou o seu “alarido bárbaro” em 1855.
Whitman era também um populista norte-americano descarado. Seu louvor patriótico, em poemas como I hear America singing (“Eu ouço a América cantando”), pavimentou o caminho para centenas de melosos comerciais de automóveis, sem mencionar a campanha para reeleição de Ronald Reagan, denominada de Morning in America. Sempre que se ouve Woody Guthrie ou Bob Dylan catalogando as virtudes e os pecados dos Estados Unidos da América, eles estão seguindo o exemplo de Whitman.
Whitman gostava de dizer que ele e seu trabalho eram apenas um, que Folhas de Relva era a história da sua vida. Isso era verdade até certo ponto, mas ele também teve uma vida longe da poesia. Tinha oito irmãos, dois dos quais sofriam de uma grave doença mental. Whitman era saudável como um touro, de mente e de corpo, e se sentia enclausurado apenas quando era forçado a trabalhar em ambientes fechados, em atulhadas redações de jornais ou como professor em Long Island. Finalmente encontrou em válvula de escape para sua energia criativa em 1849, quando iniciou a primeira edição de Folhas de Relva, a expandida coleção poética que ele iria revisar e reeditar no decorrer de toda sua vida.

Seis anos depois, a publicação da coleção foi banhada de elogios pelos grandes luminares da comunidade literária norte-americana, mesmo quando provocava a indignação da imprensa. “Eu o congratulo pelo início de uma grande carreira”, Ralph Waldo Emerson escreveu a Whitman em uma carta, que não muito humilde poeta incluiu numa edição subsequente do seu livro. Whitman agora tinha seguidores, mas também se tornou um alvo.
Em 1865 o secretário do interior James Harlan o demitiu do seu emprego no Bureau of Indian Affairs como parte de uma campanha para melhorar o “caráter moral” do departamento. Ele havia encontrado uma cópia da última edição de Folhas de Relva quando estava “xeretando” na mesa de Whitman. O incidente riria instigar H. L. Mencken a comentar, muitos anos depois, que “um dia em 1865 colocou junto o maior poeta que os Estados Unidos já produziram e também o maior idiota do mundo”.
Whitman passou a maior parte dos anos da Guerra Civil como enfermeiro voluntário em Washington, cuidando dos soldados doentes e feridos. Também encontrou tempo para internar seu irmão Jesse num asilo de lunáticos. Em 1863, outro irmão, Andrew, morreu de tuberculose aos 36 anos, deixando dois filhos e uma esposa grávida e alcoólatra, que mais tarde de tornou prostituta. Não é de admirar que Whitman preferisse a companhia dos mutilados.
Depois da guerra, ele continuou revisando e reeditando Folhas de Relva. Frequentava jogos de beisebol, escrevia ensaios sobre a democracia e nutria o que, aparentemente, foi o seu único relacionamento duradouro, uma liaison com um condutor de bondes descendente de irlandeses chamado Peter Doyle.
Whitman sofreu um derrame em 1873, que deixou todo o seu lado esquerdo paralisado, indo morar na casa de um dos seus irmãos em Camden, Nova Jersey, de onde nunca mais se mudou. Passava a maior parte do tempo na banheira, espalhando água por todos os lados e cantando o Hino Nacional norte-americano, o When Johnny comes marching home e diversas árias italianas. Seus últimos anos testemunham um desfile de dignatários – incluindo Oscar Wilde – que passavam para uma “visitinha” e para beber na fonte de sabedoria do velho poeta. Debilitado por um segundo derrame em 1888, Whitman morreu quatro anos depois, com a então considerada madura e avançada idade de 72 anos.
O bom poeta gay
A orientação sexual de Whitman não era exatamente um segredo, mesmo em seu tempo de vida. Qualquer pessoa era capaz de perceber, assim que o conhecia. E, se não percebesse, uma única olhada no Song of myself – com suas descrições francamente eróticas do corpo masculino – irá convencê-la rapidamente. Este era um sujeito que gostava de homens – especialmente os do tipo da classe trabalhadora, iletrados e prontos para a ação.
Os cadernos de anotações de Whitman estão repletos de descrições de condutores de ônibus, trabalhadores braçais e outros homens “rudes e analfabetos” que ele conheceu – ou que “pegou”, para ser mais exato – nas ruas de Manhattan. No crepúsculo da sua vida, Whitman registrou os nomes, atributos e endereços desses amantes em seu livrinho preto:
George Fitch – garoto ianque – condutor... Bonito, alto, cabelo crespos, olhos escuros.
Dan’I Spencer... um tanto afeminado – dormiu comigo 3 setembro.
Wm Culver, rapaz no banho, 18 anos.
Mais tarde em sua vida, Whitman reduziu as conquistas de rua e se acomodou em um relacionamento duradouro com Peter Doyle, um condutor de bondes que conheceu em 1865, em Washington, D.C.
Doyle sem dúvida era o tipo preferido de Whitman. “Um trabalhador grande, robusto, ardoroso, divinamente generoso todos os dias”, foi como o poeta o descreveu. “Ficamos íntimos imediatamente”. Doyle falou sobre a noite em que se conheceram. “Eu pousei a mão no joelho dele. Nós nos compreendemos. Ele não desceu no final da viagem – na verdade, ele me acompanhou por toda a volta... Desde então somos os melhores amigos um do outro”. Eles permaneceriam amigos e, ao que tudo indica, amantes, até a morte de Whitman, em 1892.
Ainda assim o relacionamento homossexual, por mais discreto que fosse, era considerado suficientemente escandaloso para que Whitman se esforçasse ao máximo para ocultá-lo. Ele chegou ao ponto de trocar os pronomes em muitos dos seus poemas mais eróticos de “ele” para “ela”, suprindo passagens e até mesmo retirando seleções inteiras das últimas edições de Folhas de Relva.
Quando escrevia sobre Pete Doyle em seus cadernos de notas, ele o identificava como “16.4” (pelas iniciais “P”, a décima-sexta letra, e “D”, a quarta letra do alfabeto). Em outros lugares, referia-se a Doyle como “ela”. Quando indagado por um entrevistador se o seu ideal de amizade masculina envolvia a união homossexual, um Whitman em pânico afirmou que era pai de seis filhos ilegítimos com uma amante. É desnecessário dizer que o paradeiro dessa suposta amante jamais foi descoberto.
Eu me toco
Muitas dissertações acadêmicas foram escritas sobre o suposto amor de Whitman pela masturbação. De fato, é difícil ler seus poemas, com suas constantes referências ao toque (sem mencionar versos como Extraindo do úbere do meu coração o contido gotejar), sem se chegar à conclusão de que o maior poeta da América era também o seu mais dedicado praticante da “auto-satisfação”.
Não é de causar espanto que, nos tempos de Whitman, isso normalmente fosse chamado de “auto-abuso”. A masturbação, ou a sua designação clínica, “onanismo”, era considerado a porta de entrada para o homossexualismo. Foi descrita como “a pior forma de indulgência venérea” por alguém não menos eminente do que Sylvester Graham, o famoso reformista dietético do século XIX e criador dos graham crackers.
Abe, o Baby
Whitman cultivava uma série “paixonite” por Abraham Lincoln, a quem louvou em seu poema O captain! My captain!. Quando trabalhava como enfermeiro em Washington, D. C., durante a Guerra Civil, Whitman frequentemente via o presidente passar pelas ruas com sua guarda de cavalaria. Sua descrição por escrito desses encontros não deixa dúvida de que ele considerava o desengonçado lenhador um verdadeiro “gato”:
“Vejo muito claramente o rosto moreno escuro de Abraham Lincoln, com as linhas fundas, os olhos sempre voltados para mim com uma profunda e latente tristeza na expressão.
...Provavelmente o leitor tenha visto fisionomias (geralmente de velhos fazendeiros, capitães do mar e outros tais) que, por trás da sua simplicidade, possuem características tão sutis, e no entanto são palpáveis, tornando seus rostos quase impossível de se descrever, como um perfume silvestre ou o sabor de uma fruta, ou o tom apaixonado de uma voz – e assim era o rosto de Lincoln, a cor peculiar, as suas linhas, os olhos, boca, expressão. De beleza técnica nada havia – mas aos olhos de um grande artista fornecia um raro estudo, um banquete e fascinação.”
Companheiro Wilde
Se dois grandes autores estavam destinados a se conhecer, só poderiam ser Walt Whitman e Oscar Wilde. Os dois ícones gays se encontraram pela primeira vez em janeiro de 1882, quando Wilde visitou Whitman em sua casa em Camden, Nova Jersey. O escritor irlandês confessou ao poeta norte-americano o quanto amava Folhas de Relva, que sua mãe costumava ler para ele quando criança. Whitman respondeu beijando Wilde direto da boca.
Eles beberam vinho de sabugueiro e chocolate quente e conversaram sobre poesia. Algum tempo depois Wilde enviou ao velho poeta um retrato de si mesmo, como lembrança. Avaliando o encontro, depois do fato, os dois de mostraram encantados. Whitman descreveu Wilde como “um jovem grande, belo, atraente”, enquanto Wilde gabava-se aos amigos que “o beijo de Whitman permanece em meus lábios”.
Cabeça inchada
Whitman viveu na época de ouro da frenologia, o estudo das características físicas do crânio para determinar as características mentais do cérebro. Embora a teoria seja hoje descartada como ura bobagem, os frenólogos do século XIX conquistaram a adesão de muitas celebridades, incluindo Whitman.
O poeta frequentou salões de frenologia e assinou jornais frenológicos durante toda a década de 1840. Em 1849 até mesmo submeteu seu próprio crânio à leitura de um praticante de frenologia. Descobriu-se que a “cachola” de Whitman tinha um tamanho acima da média, era “maravilhosamente desenvolvida” e indicativa de elevados níveis de amizade, solidariedade e auto-estima. Ele recebeu notas baixas por “indolência, tendência ao prazer da volúpia... uma certa tendência imprudente para o impulso de desejo animal... (e) superabundância de pura humanidade”. Não é de admirar que ele tenha se tornado um dos principais defensores dessa pseudociência. Ela o descrevia perfeitamente.
Perdendo a cabeça
O século XIX foi o auge dos assistentes de laboratório de “mão-furada”. Esperando contribuir para o avanço da ciência, Whitman doou seu cérebro para a Sociedade Antropométrica Americana. Mas um técnico descuidado derrubou a matéria cinzenta do “bom poeta grisalho”, e depois falhou em juntar todos os remanescentes que se espatifaram. A “meleca” foi para o lixo. Quando a notícia se espalhou, seguiu-se uma corrida ao banco de cérebros. O inventário de miolos das celebridades da Sociedade encolheu de duzentos para dezoito em menos de uma semana.

A vida secreta de Henry David Thoreau

Muito antes de os judeus dissidentes da ex-União Soviética popularizarem o termo, Henry David Thoreau foi o primeiro refusenik (do verbo To refuse = recusar) do mundo. Ele estava sempre recusando uma coisa ou outra. A saber:
Ele se recusou a pagar a taxa de cinco dólares para receber o diploma de mestrado em Artes, na Universidade de Harvard. “Não vale cinco dólares”, resmungou. “Deixem que cada ovelha fique com a sua própria pele”.
Ele se recusou a administrar castigos físicos às crianças que estavam aos seus cuidados na Concord Academy. A direção da escola o despediu por insubordinação, o que lhe custou uma das poucas oportunidades promissoras de carreira da sua vida.
É célebre a sua recusa em pagar o imposto de votação de um dólar, em 1847, em protesto contra o envolvimento dos Estados Unidos na guerra mexicana. Essa ofensa o levou para a cadeia, onde, conta a lenda, ele repeliu seu patrono Ralph Waldo Emerson, que foi pagar a fiança para tirá-lo de lá. “Henry, por que você está aqui?”, Emerson, segundo relatos, indagou. “Waldo, por que você não está aqui?”, foi a réplica de Thoreau. Na manhã seguinte, Henry também já não estava mais na prisão. Sua tia pagou o imposto, e ele saiu da cela bem a tempo de pagar a festa huckleberry daquela tarde.
Thoreau recusou até mesmo o seu nome. Nascido David Henry Thoreau, ele insistia para que todos o chamassem de Henry David. Sim, ele era um opositor tão delicado quanto a tradição de opositores da literatura norte-americana jamais produzira. Bartleby, o Escrevente, nada tinha que ver com David Henry – ops, desculpe – Henry David.

Thoreau poderia ser tudo, menos inconsistente. Ele se ateve ao seu plano de vida, por mais peculiar que fosse até mesmo no excêntrico meio da Concord, Massachusetts, no século XIX. Entre as suas paixões pessoais estavam valer-se por si mesmo, comungar e digressivos relatos das suas experiências. Os amigos o consideravam uma pessoa estranha, mas cativante.
Ralph Waldo Emerson praticamente o sustentou durante toda a sua vida adulta. Thoreau serviu como guarda-costas da esposa e dos filhos de Emerson, como faz-tudo, e como uma espécie de “guia de diversões”, levando crianças em expedições nas  florestas, onde lhes ensinava sobre a fauna e a flora locais e sobre o canto dos pássaros. Quando estava realmente desesperado por dinheiro, voltava a trabalhar na próspera fábrica de lápis do pai.
Os livros de Thoreau venderam desoladoramente pouco em seu tempo de vida, porém a lenda local cresceu depois da sua morte por tuberculose, aos 44 anos. Com a possível exceção de “Moby Dick”, de Herman Mellvile, “Walden”, de Thoreau, é o mais reverenciado livro que ninguém realmente chagou a ler. Por outro lado, o seu grande ensaio “A Desobediência Civil” foi bastante lido, e por algumas pessoas bem importantes. Gandhi, Leon Tolstói e Martin Luther King Jr. citaram a obra como fonte de inspiração.
A vida de Thoreau teve vários altos e baixos. Ele nunca se casou, embora tivesse tentado arduamente arrumar uma esposa. Seu adorado irmão John morreu de tétano em 1841. Em abril de 1844, Thoreau e um amigo destruíram acidentalmente mais de trezentos acres de florestas em Concord, quando a fogueira que acenderam em um acampamento espalhou-se para fora de controle. Um péssimo conselho financeiro de Emerson atirou Thoreau em um espiral de dívidas da qual ele levou anos para se recuperar, o que danificou seriamente a amizade entre os dois.

Ainda assim, Thoreau teve a vida que queria. Estava satisfeito em não ser o “líder dos engenheiros norte-americano”, que Emerson insistia para que ele fosse, preferindo, em vez disso, reinar como o “capitão das festas huckleberry”. É por essa teimosa determinação de ser o que era que Thoreau continua sendo admirado até os dias de hoje.
Batalha de manteiga
A desobediência civil parecia estar no sangue da família Thoreau. O seu avô, Asa Dunbar, foi o líder da “Grande Rebelião da Manteiga” na Universidade de Harvard, em 1766. Irritado com a qualidade da comida servida nos refeitórios da universidade, Dunbar fez o que qualquer estudante que se respeitasse faria: organizou uma revolta de alunos. “Vejam, a nossa manteiga cheira mal!”, ele esbravejava. “Não podemos nos alimentar disso. Deem-nos, portanto, manteiga que não tenha mau-cheiro!”.
Ora, é claro que a direção da Universidade não seguiu a lógica inexorável de Dunbar. Citando-o com “o pecado da insubordinação”, suspenderam metade dos alunos como castigo. A “Rebelião da Manteiga”, por mais grandiosa que tenha sido, fracassou completamente. No entanto, pavimentou o caminho para futuros protestos contra a comida em Harvard, incluindo a “Rebelião do Pão com Manteiga” de 1805 e a “Rebelião do Repolho” em 1807.
Henry, o feio
De acordo com todas as indicações, Thoreau era bastante charmoso. Mas seus encantos nada tinham que ver com a boa aparência ou com a higiene pessoal. O dom-juan de Concord, na verdade, exibia uma figura decididamente desairosa. Seu vizinho Nathaniel Hawthorne o descreveu como sendo “feio como o pecado, narigudo, a boca torta, e com modos incultos e rústicos, embora corteses, correspondendo perfeitamente com tal exterior”. De fato, Thoreau raramente tomava banho ou se dava ao trabalho de pentear os cabelos desalinhados ou de trocar as roupas esfarrapadas.
Também era famoso pelas péssimas maneiras à mesa – Oliver Wendell Holmes queixava-se frequentemente de seu hábito de comer com as mãos. Ainda assim, as pessoas pareciam dispostas a passar por cima dessas deficiências. “Sua feiúra é um tipo honesto e agradável e o torna muito melhor do que a beleza”, Hawthorne concluiu. Louisa May Alcott, que tinha uma “paixonite” por Thoreau, escreveu: “Sob os defeitos, o olho do Mestre viu as linhas grandiosas que iriam servir de modelo para o homem perfeito”.
Um “cogumelo” para chamar de seu
Só porque Thoreau era um livre-pensador pelos padrões de seu tempo, não significa que não fosse um tanto puritano. Certo dia, no outono de 1856, enquanto caminhava pela floresta, ficou mortificado ao encontrar um grande cogumelo com o formato de um pênis humano. “Poderia ser dividido em três partes: píleo, haste e base – ou escroto –, pois é um falo perfeito”, ele escreveu em seu diário. “Em todos os aspectos, é um objeto extremamente revoltante e, no entanto, bastante sugestivo... Foi tão ofensivo aos olhos quanto ao olfato, o píleo dissolvendo-se rapidamente e contaminando tudo o que tocava com uma substância fétida, olivácea e semilíquida. Em uma ou duas horas a planta espalhou seu cheiro por toda a casa, onde quer que fosse colocada, de forma que não poderia ser suportada. Tive receio de dormir em meus aposentos onde ela havia sido deixada até que este estivesse muito bem ventilado. Tinha o odor de rato morto... Céus, o que a Natureza estava pensando quando fez algo assim? Ela quase se rebaixou ao nível daqueles que são atraídos pelas partes pudendas”.
Encalhes nos fundos
No que se referia à venda de livros, bem, digamos apenas que Thoreau não era nenhum J.K. Rowling. Atualmente considerada um clássico menor, a sua obra de ruptura “A Week On The Concord And Merrimack Rivers” vendeu tão pouco que as crianças costumavam ir até a casa dele para dar uma espiada no “estranho homem... que escrevera um livro do qual nenhum volume havia sido vendido”.
Isso era um exagero, mas nem tanto. Na verdade, o editor de Thoreau lhe escreveu perguntando o que deveria fazer com todas as cópias não vendidas que se empilhavam em seu escritório. Thoreau pegou todos os 706 volumes encalhados, guardou-os em seu sótão e tentava vendê-los a qualquer um que passasse por sua casa. “Agora possuo uma biblioteca de quase novecentos volumes”, confessou em um determinado momento, “sendo que mais de setecentos, dentre estes, eu mesmo escrevi.”
Pão “passado”
Se você gosta de pão de uvas passas, deve agradecer a Thoreau. Ele inventou a receita durante uma fase em que assava pães na sua propriedade no lago Walden. Diz-se que as senhoras de Concord ficaram admiradas com essa sua inovação culinária.
Lapiseiro
Guarnecer massa de pão com uvas passas era brincadeira de criança, comparado com as inovações de Thoreau no campo de fabricação de lápis. A “lapiseira” – se é que existe tal palavra – estava no sangue de Thoreau. Charles Dunbar, seu tio, havia fundado a fábrica da família em 1821, depois de deparar com uma jazida de plumbagida, ou grafite, em Bristol, New Hampshire.
O pai de Thoreau, John, logo se uniu à firma e revolucionou de tal forma a manufatura de lápis que a Sociedade Agrícola de Massachusetts o agraciou com uma citação especial. Desde a juventude Henry David Thoreau afirmava que ele também deixaria a sua marca no mundo dos lápis. Finalmente teve a sua chance em 1838.
Dedicando-se aos lápis em tempo integral, ele logo desenvolveu uma fórmula aperfeiçoada de chumbo, cuja qualidade se igualava àquela fabricada na Alemanha. Um novo moinho para o grafite foi outra das revolucionárias invenções do jovem Thoreau. Se ao menos ele tivesse se dado ao trabalho de patentear essas idéias, poderia ter se tornado um homem rico.
Repousando em seus louros, Thoreau jurou que nunca mais faria um lápis. “Por que deveria?”, ele disse a amigos. “Não farei novamente o que já fiz uma vez”. Porém, como um sedutor canto de sereia, a manufatura de lápis o atraiu de volta; afogado em dívidas, ele retornou com renovado vigor em 1843. Ficou completamente absorvido pelo seu trabalho, a até admitiu a Ralph Waldo Emerson que havia sonhado com máquinas de lápis a noite inteira.
O trabalho árduo valeu a pena, pois Thoreau desenvolveu o que as empresas de publicidade anunciaram como “um novo e superior lápis de desenho, expressamente para artista e connaisseurs”. Esse lápis era mais rígido, mais escuro e mais durável do que qualquer outro existente no mercado. Em pouco tempo os professores de Arte de Boston insistiam para que os alunos não usassem nenhum outro lápis que não fosse o de Thoreau. Somente a crescente concorrência, em parte incitada pelas inovações de manufatura do próprio Thoreau, impediu que a família dominasse a indústria de lápis nos Estados Unidos.
Henry David, o vermelho?
Em 1954, no auge da “Ameaça Vermelha”, os gentis individualistas de Concord se transformaram em um improvável alvo da histeria anticomunista. O Serviço de Informações dos Estados Unidos ordenou que todas as cópias de “Walden” fossem removidas das embaixadas norte-americanas no mundo inteiro. O livro, proclamavam, era “positivamente socialista”.
Nome aos bichos
Thoreau considerava-se um naturalista acima de tudo. Portanto, provavelmente ficaria encantado ao saber que existe um inseto que recebeu o seu nome. O entomologista A. A. Girault denominou uma espécie de vespa como Thoreauia em homenagem a ele.

sábado, 8 de agosto de 2015

Teoria Geral dos Cornos


(Para os meus amigos músicos e boleiros de Lábrea: Edinho Soutelo, Rafael Osório, Eucimar Do Ar, Filho Marinho, Joedson BB, Professor Duarte, Leo Heck, Moisés, Leandro Camurça, o “Meganha”, Pescador Sonhador, o “Gambé”, Procidone, Stênio, Josimar Uca e Totonho Cabelereiro, o “Barbeiro”, que são os grandes ricardões do rio Purus e adjacências)

Sabemos que, como Cristo, o corno está no meio de nós, mas, afinal de contas, quem é esse bicho escroto que usa capacete de viking mesmo quando não está num baile de carnaval?... A palavra “corno” vem do latim cornu, nome dado àquele apêndice duro e recurvo que guarnece a fronte de alguns animais.


A denominação de cornudo ou chifrudo, atribuída ao homem que é traído pela companheira, teve origem na Idade Média. Em algumas regiões da Europa, quando o marido flagrava a própria esposa com outro, ele tinha obrigação moral de lavar a sua honra com sangue, ou seja, teria de matar os dois. Caso isso não fosse feito, os habitantes da aldeia lhe colocavam na cabeça uma espécie de chapéu com dois enormes chifres e o chifrudo era empurrado pelas ruas, sendo motivo de gozação e escárnio pelas pessoas do lugarejo.

Em 1751, em Portugal, o rei Dom José baixou uma lei destinada a proteger os casados do hábito frequente de se colocar chifres nas portas das casas onde acontecia uma traição. Naquela época, na terra lusitana, quando os amigos ou conhecidos não tinham coragem de contar ao colega que ele, o corno, estava sendo traído, colocavam um par de chifres na porta da residência para alertá-lo do fato. A moda pegou e alguns desordeiros começaram a colocar chifres nas residências de seus desafetos, mesmo que o dono da casa ainda não fosse corno. Dom José baixou a lei proibindo a presepada, determinando que todos os que fossem pegos nessa atividade seriam presos e enforcados.


De acordo com os últimos avanços da ciência genética, sabemos agora que ninguém é corno por acaso. O corno já nasce corno – na verdade, ele apenas assume, depois de adulto, o seu destino manifesto. Em outras palavras, quando se trata de “levar chifre”, não há culpados nem inocentes: há destino. Os próprios tribunais de alçada estão cada vez mais convencidos disso, apesar da Lei Maria da Penha. Isso quer dizer que depois de encher a consorte de chumbo o sujeito não pode alegar em juízo que havia se casado por engano com uma vagabunda de marca maior que depois de casada começou a dar pra todo mundo. Nada disso. O chifre não é consequência do casamento, mas do nascimento.

O problema reside no fato de que determinados homens não produzem espermatozoides, mas espermatocornos. A exemplo de seus primos, eles também são uns bichinhos rabudos e rebolativos que viajam na maionese, porém com algumas diferenças de ordem comportamental. O espermatocorno, por exemplo, não tem por finalidade fecundar o óvulo. O que ele quer mesmo é “dar o flagrante”. Assim, ao ser cuspido do pau, ele dá imediatamente o seu grito de guerra: “Cadê ele? Cadê ele? Hoje eu mato aquele cachorro!”.

Daí, ao invés de seguir o caminho natural dos espermatozoides, ou seja, disputar uma corrida de 100 metros rasos em direção ao óvulo, o espermatocorno fica escondido na trompa de Falópio, só de olho. O negócio dele é dar porrada: “Hoje eu pego aqueles dois! Hoje eu faço uma bobagem...”

Em razão de uma mutação genética ainda não muito bem explicada pela ciência, o espermatocorno possui um discreto chifrinho bem no meio da testa, que ele usa para fustigar o óvulo: “E, então, sua vaca?! Vai contar ou não vai? Ele não veio hoje, não é? Responde, miserável, fala alguma coisa, sua puta safada! Fala logo antes que eu te arrebente de porrada!”.

Ocorre, porém, que numa dessas fustigadas o espermatocorno pode acabar fecundando o óvulo, cedendo parte da sua carga genética para o novo ser a ser gerado, ou seja, o futuro corninho. Felizmente, a natureza protege mãe e filho enquanto o corninho está no útero. Chifres de verdade, este novo ser humano só terá depois de nascer e iniciar sua vida sentimental. Ainda bem, né? Imaginem se o bebê-corno já nascesse com chifres... Adeus xoxota, parente!


Como todo mundo sabe, a confraria dos cornos é grande e solidária, e continua em fase de crescimento. Afinal de contas, todo verdadeiro corno adora chegar para o seu colega de infortúnio e revelar que também é chifrudo. Isso dá uma ótima desculpa pra encher a cara e cair de bêbado sem que ninguém venha lhe importunar.

Existe alguma energia mística ligando a irmandade dos cornos. Os homens que usam peruca de touro tendem a se reunir em rodinhas de bar e conversar muito sobre o assunto. Normalmente, eles ficam horas e horas se vangloriando de terem comido as mulheres A, B e C. Além de ser tudo cascata, a mulher D, de “deles”, aproveita essas horas de ausência do marido para mandar brasa em casa, na cama do casal, com o primeiro Ricardão que aparecer.


É relativamente fácil reconhecer um corno na multidão, principalmente quando ele está acompanhado “dela”, ou seja, da patroa – e ainda mais se ela for comível. Observe atentamente os casais que passam por você, ou que conversam com você em uma festa ou num boteco, ou ainda que frequentam a sua casa. Diante de qualquer uma dessas circunstâncias, pode conferir, o sujeito é devoto de São Cornélio:

Ela é toda gostosa, ele é todo bundão.
Ela anda de minissaia acima do joelho, ele anda de bermudão abaixo do joelho.
Ela é toda jeitosinha, ele é todo sem jeito.
Ela usa roupa decotada até o umbigo, ele usa moleton com capuz até no calor.
Ela parece séria, ele parece babaca.
Ela chama ele de “paizinho”, ele chama ela de “morzão”.
Ela masca chicletes, ele chupa jujuba.
Ela ri de piadas sujas, ele fica todo emburrado.
Ela usa calcinha de renda enfiadinha, ele usa cueca de copinho.
Ela é toda “cheguei”, ele é todo “já fui”.
Ela usa lente de contato, ele usa óculos fundo-de-garrafa.
Ela usa desodorante íntimo, ele usa pó Granado.
Ela gosta de forró-pé-de-serra, ele gosta de sertanejo-universitário.
Ela gosta de cinema, ele gosta de novena.
Ela curte o Djavan, ele se amarra no Adoniram.
Ela gosta de caldo na cama, ele adora caldo-de-cana.
Ela suspira fundo quando ele chega, ele fica babando quando ela vai embora.
Ela pede cerveja com conhaque, ele pede caipirinha com adoçante.
Ela concorda com tudo, ele se amarra em discutir.
Ela gosta de ir à praia, ele gosta de acampar no mato.
Ela quer ficar até mais tarde, ele quer logo ir embora.
Ela adora liberar o bacalhau, ele se amarra mesmo é num urubu.
Ela nega que esteja dando mais do que chuchu na serra, ele sempre acredita.

Você também pode ter certeza de que o sujeito é corno de carteirinha se ele for useiro e vezeiro em usar expressões como estas:

Mô-ô, cheguei!!!
Hoje não, bê-nhê... eu tô exausto!
Sexo não é tudo na vida!
Lá em casa quem decide se vai “ter” ou não sou eu!
Eu li numa revista que trepar demais faz mal pra próstata.
Amô-ô, que horas você vai voltar?
Tô a fim mesmo é de tomar umas biritas e depois cair na cama!
O mais importante na vida de um casal é o diálogo!
Ninguém precisa ter vergonha de ser corno! Isso faz parte da vida! Chifre foi feito pra homem, o touro usa de enxerido.
Eu nunca fui corno! Tenho certeza, né não, amô-ô?...


A grande dúvida existencial da humanidade é saber como se comporta o corno brasileiro quando encontra sua mulher com outro macho na cama, principalmente se ela estiver liberando a porta dos fundos. Há algumas pistas:

O paulista – Ele não diz nada e depois resolve fazer terapia de grupo, pois, afinal de contas, a culpa deve ser dele.

O carioca – Como é chegado a uma boa sacanagem, junta-se ao casal e fazem um ménage-a-trois até o sol raiar.

O mineiro – Valente e machista, ele mata o sujeito e continua casado com a mulher.

O gaúcho – Como é chegado a um espeto, mata a mulher e se amasia com o sujeito.

O baiano – Acha porreta e volta pro ensaio da Timbalada, de ondes saíra mais cedo do que de costume.

O cearense – Vai na bodega, toma uma garrafa de cachaça de cabeça, volta pra casa e passa os dois na ponta do punhal. No dia seguinte, arruma outra mulher.

O pernambucano – Abre uma sombrinha colorida e começa a fazer passos de frevo dentro do quarto pra ver se o sujeito fica assustado e vai embora.

O paraense – Vai na cozinha, pega uma panela cheia de maniçoba e obriga o sujeito a comer aquela porcaria, para mata-lo de indigestão.

O mato-grossense – Laça o sujeito pelo pescoço e leva o vagabundo para ser trabalhador-escravo nas gigantescas plantações de soja.

O paranaense – Vai na casa do escritor Dalton Trevisan, conta o ocorrido e vira personagem de um novo conto do vampiro de Curitiba.

O catarinense – Diz com desprezo “ah, um relho nas costas!”, aí pega a prancha de surfe e vai pegar ondas em Camboriú.

O acreano – Enche a cara de santo-daime e jura que tudo não passa de uma peia da “borracheira”.

O roraimense – Não faz absolutamente nada. Se os gafanhotos comiam 20% do orçamento do Estado e ninguém tentava impedir, como evitar que um deles comesse a sua mulher?

O amazonense – Pega o Tururi no armário e vai brincar de CarnaBoi com outros cornos iguais a ele.

O maranhense – Vai sentar na sala e esperar até que os dois terminem o que estão fazendo, para poder entrar no quarto e pegar sua fita de reggae.

O brasiliense – Fica puto da vida, vai pro Congresso e inventa mais um imposto para foder o povo brasileiro.

O paraibano – Enche a mulher de porrada até a morte, chicoteia o cabra da peste até a morte, depois salga e dependura os dois corpos no varal para fazer carne de sol.

O goiano – Pega sua viola e cai na estrada à procura de outro corno para montar uma dupla sertaneja.

Os outros cornos estaduais ainda não foram aprovados pelo Inmetro.


É evidente que apesar de fazerem parte da Irmandade de São Cornélio, existem cornos e cornos. Vamos listar apenas os tipos mais conhecidos.

Corno esclarecido – O que diz que é melhor comer pudim acompanhado do que comer merda sozinho.

Corno vingativo – Depois que descobre que é corno, começa a dar a bunda para se vingar da esposa.

Corno coveiro – Sabe da traição, mas sempre enterra o assunto.

Corno ganso – Sabe que é corno, mas só faz barulho.

Corno advogado – Tem conhecimento de causa da traição, mas defende a patroa.

Corno fofoqueiro – Aquele que corre pro boteco pra avisar aos amigos que foi traído.

Corno astronauta – Quando descobre o adultério, só falta entrar em órbita.

Corno cego-aderaldo – O que acha que esse papo de traição não tem nada a ver.

Corno cortiça – Os amigos dão um toque, mas ele continua boiando.

Corno azulejo – Leva chifre porque é baixinho, quadrado e liso.

Corno 120 – Que flagra a consorte fazendo um 69 e vai ao bar encher a cara de caninha 51.

Corno camaleão – Quando descobre que é corno muda de cor.

Corto economista – Ele faz até cortes no orçamento pra mulher poder dar um agrado ao Ricardão.

Corno besta-fera – Enquanto não descobre é uma besta, depois que descobre vira uma fera.

Corno panela-de-pressão – Quando descobre que é corno chia barbaridade.

Corno raposa – Quanto mais a mulher galinha, mais ele corre atrás.

Corno penico – Ele vê tudo, mas não faz nada.

Corno cigano – Cada vez que leva um chifre, ele se muda do bairro.

Corno curioso – Contrata até detetive pra descobrir a identidade secreta do Ricardão.

Corno xuxa – Ele fica em casa tomando conta dos baixinhos enquanto a mulher vai galinhar.

Corno churrasqueiro – Coloca a mão no fogo pela mulher enquanto ela usa o espeto do vizinho.

Corno galeto – Não pode levar ninguém em casa que a mulher começa logo a arrastar a asinha.

Corno celular – Vive levando chifre porque quando não está ocupado, está fora de área.

Corno geladeira Brastemp – Leva chifre à vontade, mas não esquenta com nada.

Corno cachorro doido – Fica babando de raiva, mas não faz porra nenhuma.

Corno submarino – Depois que leva um chifre, passa o resto da vida na maior água.

Corno pai-de-santo – Toda vez que chega em casa tem que tirar um caboco de cima da mulher.

Corno Fórmula Um – Quando alguém insinua que ele é corno, o corno sai vazado a mil por hora.

Corno japonês – Quando resolve abrir o olho, a mulher já deu pra rua inteira.

Corno Mike Tyson – Cada vez que leva um chifre transforma a mulher em saco de pancadas.

Corno papel higiênico – Quando descobre a traição, fica branco de susto e depois entra na merda.

Corno tamanduá – Passa a vida ameaçando a mulher de que ela vai amanhecer com a boca cheia de formiga, mas não se separa da sacana.

Corno Aqua Velva – Toda vez que alguém fala em chifre, ele coloca a barba de molho.

Corno São Thomé – Aquele que só acredita vendo.

Corno Django – Ninguém precisa contar a traição, porque ele saca primeiro.

Corno disco velho – Depois que descobre que é corno não para mais de chiar.

Corno Doril – Sempre que leva um chifre desaparece por algum tempo.

Corno mentiroso – Vive se vangloriando de que nunca levou chifre.

Corno eu-sou-negão – Sabe das escapulidas da mulher, mas morre negando.

Corno bateria Moura – Tem sempre uma solução pra infidelidade da patroa e nunca pede água.

Corno abelha – O que vai para rua fazer cera e volta pra casa cheio de mé.

Corno ateu – Aquele que leva chifre até do entregador de pizza e não acredita.

Corno São Silvestre – Toda vez que alguém fala em chifre ele sai correndo.

Corno intrometido – Vive se metendo na conversa da mulher com o Ricardão pelo whatsapp.

Corno banana - A mulher vai embora e deixa uma penca de filhos.

Corno Brahma – Todo mundo sabe que ele é corno, mas ele acha que é o número 1.

Corno brabo – Quando é chamado de corno quer brigar.

Corno burro: Aquele que segue a mulher o tempo todo e quando flagra a mulher saindo do motel com o Ricardão, exclama: “Eu não estou entendeeeindo!”

Corno Corote – Depois que descobre que é corno, só chega em casa morto de bêbado.

 Corno cebola – Aquele que quando vê a mulher com outro só chora.

Corno prevenido – Assim que chega em casa, ele grita bem alto: “Querida, cheguei!”

Corno crente – Aquele que, mesmo contra todas as evidências, sempre crê que sua mulher não pula a cerca.

Corno cururu – Quando vê a mulher com outro fica todo inchado.

Corno Denorex – Aquele que não parece, mas é.

Corno desconfiado: Sempre que chega em casa, ele procura o Ricardão até atrás dos quadros.

Corno Sherlock Holmes – Aquele que segue a mulher dos cornos e esquece de tomar conta da dele.

Corno elétrico – Quando os outros falam que ele é corno, ele diz “Tô ligado!”

Corno família – Aquele que leva chifre de tudo quanto é parente.

Corno celebridade – Por onde ele passa todo mundo comenta que é o maior corno do mundo.

Corno carijó – Aquele que tem chifres até no meio da canela.

Corno granja – Ele dá casa e comida e depois os outros comem.

Corno iô-iô – Aquele que fica no vai e volta com a traíra.

Corno masoquista – Ele leva chifre de todo jeito, mas não larga a mulher.

Corno medroso – Aquele que fica escondido embaixo da cama esperando o Ricardão ir embora.

Corno Papai Noel – Aquele que leva chifre, vai embora de casa e depois volta por causa das criancinhas.

Corno político – Aquele que só faz promessa: “Um dia, eu vou largar essa safada...”

Corno porco – Aquele que só come a sobra do babujo deixada pelo Ricardão.

Corno preguiça – Aquele que vive dizendo “Uma hora eu ainda te pego, uma hora eu ainda te pego...”

Corno office-boy – Aquele que leva recados da mulher para o Ricardão.

Corno teimoso – Aquele que leva chifre da mulher e da amante.

Corno do mato – Aquele que quando descobre que é corno sai gritando “Eu mato! Eu mato! Eu mato!”.

Corno Vila Sésamo – Aquele que não larga a mulher por causa dos baixinhos.

Os últimos levantamentos da ciência comportamental dão conta de que corno é igual a mingau de Neston: cada dia o Ricardão inventa um tipo diferente.

Ata da 69ª Reunião da Real Academia de Sacanagem


por Braulio Tavares, de Campina Grande (PB)

A seção Brasil da Real Academia de Sacanagem reuniu os membros e seus membros em assembléia extraordinária, realizada na cidade de Ponta Grossa, para discutir uma questão relevante.

Depois da queda do muro de Berlim e do socialismo de maneira geral, muitas fronteiras mudaram no mundo. E qual a repercussão dessas mudanças no sexo?

Mudaram também as fronteiras do homossexualismo?

Desde o primeiro encontro da Real Academia de Sacanagem, a definição do homossexualismo era aceita como um dogma: o homem que gosta de pau, sente simpatia, acha bonito esteticamente, já pegou no de um amigo ou pensou seriamente no assunto, é homossexual.

Mas os tempos são outros e novas questões foram introduzidas no seio da sociedade (a introdução no seio, inclusive, será discutida em reunião posterior).

O sexólogo Eric Von Bussen, do Instituto de Vaginologia de Massachussets, apresentou um caso a ser estudado.

O homem que se deixa enrabar por uma mulher com um pênis de plástico é homossexual?

O congresso ficou dividido. Os tradicionalistas voltaram a defender a opinião de que, tendo pau no meio e sendo esse meio o meio do homem, não resta dúvida, é viadagem.

A comitiva liberal de Campinas defendeu a tese de que não sendo o parceiro um outro homem e não sendo o pênis de material orgânico, não há homossexualismo na relação.

Com o que a representação japonesa concordou prontamente. Mas ao conhecerem as dimensões de um pênis de plástico ocidental, os japoneses assustados, recuaram da sua posição e encostaram na parede para rediscutir o assunto.

Já os campineiros foram firmes e colocaram um valioso axioma: "Entre quatro paredes, vale tudo entre duas pessoas de sexos diferentes".

Ao que o egrégio professor Von Bussen contestou com mais uma contundente questão:

Um homem que se deixa enrabar por um travesti de pênis de plástico é homossexual?

Os tradicionalistas, irritados, manifestaram surpresa, não conseguindo levar a sério a dúvida do professor.

Eles afirmaram que qualquer encontro entre um homem e um travesti, que não seja para encher o segundo de porrada, só pode ser coisa de viado.

Mas a comitiva de Pelotas observou que, se o travesti tiver se submetido a uma operação no Marrocos, ele perdeu sua condição de homem e, sendo o pênis inorgânico, trata-se de uma relação heterossexual como qualquer outra.


O colombiano Fúlvio Gimenez y Roblades, que até então se manteve calado, pediu a palavra para argüir os liberais gaúchos:

Um homem que se deixa enrabar por um travesti operado, mas usando um pênis confeccionado com material humano é homossexual?

Um bate-boca generalizado se instalou na assembléia. Durante horas não se chegou a nenhuma conclusão.

Até que a alegre delegação de São Francisco argumentou: "Se o material utilizado for derivado do pênis extraído do próprio travesti, não há dúvida, existe um certo grau de boiolismo envolvido nesta relação. Mas, se o pênis em questão foi manufaturado com o material orgânico de um terceiro, não há homossexualismo".

Os tradicionalistas, cada vez mais enfurecidos com os rumos da discussão, propuseram a aprovação imediata de uma moção: "Homem que gosta de chupar pau e dar o oiti é viado".

Entre murmúrios gerais, a reunião ia se encaminhando para um bom termo, uma vez que parecia não haver argumento capaz de derrubar este postulado.

Mas o incansável professor Von Bussen apareceu com mais uma de suas brilhantes ponderações:

O homem que chupa o próprio pênis e enfia no próprio ânus é homossexual?

Os japoneses resolveram se retirar da reunião por considerar a proposição fantasiosa e inexeqüível.

Os tradicionalistas continuaram firmes nas suas suposições anteriores e voltaram a afirmar: "Tem cheiro de cu queimado é baitolice!"

Mas as delegações de Campinas, Pelotas e São Francisco se reuniram para avaliar a questão e chegaram à seguinte conclusão: "Se o sujeito em questão estiver fazendo uso de seu pênis pensando no pênis de outro pode haver uma certa tendência homossexual, mas se o rapaz estiver pensando em outra coisa, é apenas um prazer solitário".

Os tradicionalistas voltaram a tumultuar o ambiente, exigindo que o congresso tomasse uma atitude de macho e definisse de uma vez por todas que: "Quem gosta de pau de homem, não interessa sexo, cor, credo, tamanho, família ou propriedade, é homossexual".


Mais uma vez a mente iluminada do ilustre pensador colombiano Fúlvio Gimenez y Roblades fez-se presente com uma colocação para lá de pertinente:

O sujeito que chupa o pênis de um cachorro é homossexual?

Mais uma vez os debates se acirraram. Alguns grupos tentavam observar que dependeria da raça ou do pedigree do animal.

Ninguém conseguia resolver se o sujeito em questão era ou não era homossexual, mas finalmente o congresso aprovou alguma coisa com unanimidade: "O sujeito que chupa o pênis de uma cachorro pode não ser viado mas, com absoluta certeza, é um porco!"

E assim se encerrou mais um encontro da Real Academia de Sacanagem - Seção Brasil, que se reunirá em breve para discutir as seguintes questões:

A mulher que só transa com travesti é lésbica?

E a mulher que só transa com travesti operado é lésbica?

Um travesti operado arrependido, que reimplantou um pênis de plástico para enrabar uma mulher é lésbico?

Um homem que, depois de umas biritas, chega em casa e transa com um travesti virtual é homossexual ou CD-ROM de bêbado não tem dono?

Um homem que só faz sexo "papai e mamãe" com sua esposa uma vez por ano e, mesmo assim, com finalidades reprodutivas é homossexual? Ou é apenas corno?