sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O verdadeiro Dalai Lama da AMOAL: Hugh Hefner


Imagine você ter menos de 30 anos, ser dono de um negócio muito inovador, estar sempre cheio de dinheiro e com muitas, mas muitas mulheres bonitas querendo trepar trabalhar com você!

Pois assim era a vida do jovem Hugh Hefner no início dos anos 50.

Com mais de 5 mil lebres de classe mundial abatidas no currículo (sem trocadilho infame, please!), Hugh Hefner se considera um dos papas da revolução sexual que varreu o mundo há umas quatro décadas.

A princípio, ele era um protótipo do americano bem comportado, com família estável, boa carreira, uma casinha com jardim e trabalhando em revistas comportadas.

Um belo dia, entretanto, ele resolveu aloprar de vez e lançar uma revista dirigida ao público masculino, com dicas de moda, comportamento, entrevistas e, principalmente, mostrando mulheres peladas.


Hugh Marston Hefner nasceu em Chicago, a maior cidade de Illinois, no dia 9 de abril de 1926.

Ele era o filho mais velho de um casal protestante e conservador, Glenn e Grace Hefner, ambos descendentes diretos de importantes patriarcas puritanos de Massachusetts, como William Bradford e John Winthrop.

Durante a juventude, Hefner teve alguns empregos irrelevantes em agências de publicidade e uma breve passagem como redator na revista Esquire.

Quando a revista se mudou para Nova York e lhe negou um aumento semanal de US$ 5, ele preferiu ficar em Chicago e fundar sua própria revista.

Hefner acreditava que havia um nicho não explorado para uma publicação masculina sofisticada que refletisse os novos valores da sociedade americana do pós-guerra, já que a maioria das publicações masculinas era sobre caçadas, armas e carros, ignorando completamente o assunto que mais preocupava os homens desde que um macaco desceu de uma árvore na savana africana e se equilibrou sobre os dois pés: como levar mulheres pra cama sem gastar os tubos?

Hefner convocou um amigo que possuía uma gráfica e outro, dono de uma distribuidora.

Levantou US$ 8 mil com os pais, vendendo alguns móveis da casa, e mais US$ 600 no banco.

Lançado em 1953, o primeiro número da revista foi inteiramente produzido na cozinha do apartamento da família Hefner e teve como recheio as fotos de uma modelo desconhecida que meses antes posara para um calendário de borracharia.


A modelo seria tempos depois conhecida por Marylin Monroe sendo que as fotos foram compradas por apenas U$ 500,00 (hoje valem U$ 500 mil no eBay).

De lá para cá, a empresa se tornou um sucesso, vendendo milhões de exemplares todos os meses em dezenas de países pelo mundo afora.

Tudo com um padrão de qualidade único no segmento erótico e com conteúdo editorial de grande credibilidade, o que não é pouca porcaria.

Durante todos esses anos várias beldades estiveram estampadas nas capas da revista: Jayne Mansfield (1956), Sophia Loren (1957), Brigitte Bardot (1958), Kim Novak (1959), Elizabeth Taylor (1963), Ursula Andress (1965), Jane Fonda (1966), Joan Collins (1969), Vanessa Redgrave (1969), Linda Evans (1971), Jane Seymour (1973), Melanie Griffith (1976), Raquel Welch (1977), Farrah Fawcett (1978), Margaux Hemingway (1978), Nastassja Kinski (1979), Bo Derek (1980), Mariel Hemingway (1982), Kim Basinger (1983), Sonia Braga (1984), Madonna (1985), Brigitte Nielsen (1985), Janet Jones (1987), Cindy Crawford (1988), Latoya Jackson (1989), Sharon Stone (1990), Mimi Rogers (1993), Elle Macpherson (1994), Drew Barrymore (1995), Nancy Sinatra (1995), Samantha Fox (1996) e Carmen Electra (1996).

Metade das beldades que posavam na capa passava antes pela cama do editor.


A atriz americana que apareceu mais vezes na capa da revista foi Pamela Anderson (10 vezes, entre outubro de 1989 e julho de 2001).

Além dos famosos clubes Playboy, que começaram a surgir nos anos 60, Hefner lançou, em 1982, uma tevê por assinatura, a Playboy TV, com o nome de Playboy Channel, que está presente em 113 milhões de lares somente nos Estados Unidos e disponível em outros países, como Brasil, Canadá, Nova Zelândia, Espanha, Inglaterra, Irlanda e Noruega.

Em 2002, foi lançada a Playboy Radio.

Mais do que editor, Hugh Hefner é o perfeito garoto-propaganda (se é que se pode falar assim de um octogenário) da marca Playboy.


É nesse papel que ele aparece no programa “The Girls of the Playboy Mansion”: o bon vivant que namora três jovens mulheres tão belas quanto avoadas (ele já teve sete namoradas, mas achou aconselhável fazer o que chama de downsize).

Sobrevivente de dois casamentos, jura que foi fiel às suas mulheres enquanto durou o matrimônio. Mas não pensava em repetir a experiência. “É mais fácil lidar com três namoradas do que com uma esposa”, dizia.


Atualmente, ele namora apenas Crystal Harris, de 23 anos, de quem ficou noivo na noite de Natal do ano passado e com quem pretende se casar ainda este ano.

No seu aniversário de 82 anos, Pamela Anderson causou muita polêmica ao ir nua e fazer um strip-tease para ele.


Fontes confiáveis dizem que ele e Pamela já fizeram sexo diversas vezes.

Hugh tem uma fortuna pessoal avaliada em mais de 43 milhões de dólares.

Ainda hoje, a Playboy é uma revista de entretenimento erótico direcionada exclusivamente para o público masculino. As mulheres lêem de enxeridas.

A primeira edição norte-americana, a da Marilyn Monroe, foi curiosamente levada às bancas sem o número na capa da edição, pois seu criador não tinha certeza de sua continuação.

Na época de seu lançamento, a revista destacou-se como pioneira na exibição de fotografias de mulheres totalmente nuas. Vendeu 50 mil exemplares.

De lá pra cá, todo santo mês, a revista Playboy apresenta a seus leitores uma estrela principal: a capa da revista, a playmate do mês, bem como uma entrevista e reportagens sobre assuntos interessantes do universo masculino.

Em agosto de 1975 chegava às bancas a 1ª edição da Playboy no Brasil, mas devido aos generais de plantão, que julgavam o nome Playboy erótico demais, a revista teve que mudar o nome e foi batizada como “A Revista do Homem”. Coisas do Bananão.


Grandes nomes de peso participaram da publicação: Carlos Castello Branco, Jorge Amado, Ziraldo, Pelé, Francis Ford Copolla, Franco Montoro, Hermilo Borba Filho, Roberto Drummond e Paulinho da Viola, entre outros. A playmate do mês foi a modelo Lívia Mundi.

De acordo com a revista Mundo Estranho, edição 25 (março de 2004), a edição da Playboy mais vendida do mundo foi a de novembro de 1972, que trazia na capa a modelo Pamela Rawlings.


Mesmo sem dados oficiais (já que a vendas da revista começaram a ser auditadas apenas em 1994), a editora que detém os direitos da Playboy nos Estados Unidos estima que essa edição tenha superado a marca de 7,1 milhões de exemplares vendidos.

Depois que as vendas começaram a ser monitoradas, os números ficaram bem mais modestos.

Nos últimos quatorze anos, a edição campeã de vendas estampava na capa a modelo e ex-lutadora de Wrestling Joanie Laurer, mais conhecida como Chyna.

Após a revista ser monitorada, o ranking mundial ficou assim:

1º Chyna (USA) - 1 389 200 exemplares
2º Farrah Fawcett (USA) - 1 351 100 exemplares
3º Sable (USA) - 1 258 900 exemplares
4º Feiticeira (Joana Prado) (Brasil) - 1 250 000 exemplares
5º Tiazinha (Suzana Alves) (Brasil) - 1 240 000 exemplares


“Uh, Tiazinha mexe essa bundinha e vem...”. Até música ela ganhou do cantor Vinny tamanho sucesso que fez.

Suzana Alves, a Tiazinha, apareceu no programa "H", de Luciano Huck e roubou a cena.

Com seu chicotinho e máscara, a morena depilava os meninos mais corajosos, que achavam a tortura uma delícia.

Tiazinha posou nua duas vezes para a revista Playboy.


Uma das bossas cultivadas por Hefner foi a de sempre colocar o logotipo do coelhinho da Playboy nas capas da revista de maneira bastante dissimulada.

Algumas vezes, você pode examinar bastante e não ver absolutamente nada, mas reza a lenda que quem procura, acha.

A presepada teria se iniciado em 1960 como uma maneira divertida de desafiar o talento de Sherlock Holmes dos leitores.

Em meados dos anos 70, a redação da revista chegou a ser inundada com centenas e centenas de cartas de leitores indignados que perdiam um tempo da muléstia pesquisando e davam com os burros n’água.

Os editores começaram, a partir daí, a colocar dicas sobre o paradeiro do coelhinho nas páginas internas da revista.

O sucesso da revista é inquestionável, mas a maior parte da exorbitante renda do conglomerado Playboy tem origem nos seus clubes e cassinos.


Inicialmente, o formato do clube era uma cópia de outro clube existente em Chicago, o Gaslight Club, uma espécie de “Clube do Bolinha” de endinheirados.

Os membros recebiam “chaves” que garantiam a eles sua entrada exclusiva no pardieiro, onde mulheres belíssimas poderiam servir-lhes drinks em trajes seminus e esbanjando sensualidade.

Na época, ser um membro do Playboy Club era símbolo de status, algo como mostrar para a patuléia que você era cool e estava integrado ao “Playboy lifestyle”.

Apesar de as mensalidades girarem em torno de 50 dólares, estima-se que apenas uma pequena porcentagem dos milhares de membros chegou a realmente a entrar no clube.


A maior parte dos machos só queria pertencer ao seleto grupo e exibir suas carteirinhas para as futuras vítimas.

De 1959, quando o clube foi inaugurado, até o final de 1961, mais de 132 mil pessoas passaram por suas portas, transformando ele no clube mais movimentado do mundo, em sua época.

A partir de então, o clube se expandiu para New Orleans e Miami (hoje em dia são mais de 40), e no seu primeiro ano de funcionamento, somente esses novos clubes, arrecadaram algo em torno de 4,5 milhões de dólares para a Playboy.

A expansão para a Inglaterra, onde os clubes também funcionavam como cassinos, garantiram mais dinheiro para a Playboy como nunca ela havia ganho desde sua fundação.


A diária é meio salgada (em torno de US$ 65 mil), mas por este preço você pode dar uma festa para até 250 pessoas nos quase 840m² da suíte Playboy do The Palms Casino e Resort, de Las Vegas.

Entre os que se hospedaram na suíte, além do próprio Hugh Hefner, estão Britney Spears e Paris Hilton.

A suíte tem uma piscina com paredes de vidro, pista de boliche, TVs de plasma espalhadas por todo lado, e para finalizar, a melhor vista da “Strip” (principal avenida de Las Vegas).


Desde 1971, ano em que Hugh Hefner comprou a casa e ali começou a dar polêmicas festas com a participação de suas auxiliares, a quem apelidou de coelhinhas, a Mansão Playboy também desperta muito interesse.


Ela é conhecida como o paraíso destinado aos pecadores e é bem provável que Silvio Berlusconi tenha descoberto o bunga-bunga em um de seus aposentos e não debaixo de uma das tendas do beduíno Muhammar Khadaffi.


Em novembro de 2009, o jornal New York Times publicou uma reportagem sobre o velho playboy, informando que seus negócios iam de mal a pior.

Assinada pelo jornalista Brooks Barnes, correspondente do jornal em Los Angeles, a manchete dizia “Império das coelhinhas vive crise, mas Hugh Hefner reina aos 83”. Curtam:

Hugh Hefner se reclina no surrado sofá de dois lugares no estúdio da sua famosa mansão e entrelaça os dedos por trás da cabeça. Um visitante fez uma pergunta - quase gritando, já que Hefner tem problemas de audição - sobre mortalidade. Aos 83 anos, ele pensa nisso? Numa palavra: não.


O lendário fundador da Playboy, profeta do hedonismo, não acredita que seu fim esteja próximo. E também não age como se estivesse.

Continua trabalhando em tempo integral na sua revista, voa para a Europa e Las Vegas, toma Viagra, frequenta boates com as três atuais namoradas com quem vive na sua mansão - com idades suficientes para serem suas bisnetas - e está trabalhando num filme com o produtor Brian Grazer.

“Esta é uma melhores fases da minha vida”, diz, sorrindo, de pijama e chinelos. “Está ainda melhor, mais rica, do que as pessoas imaginam.”

Você quer acreditar, mas é difícil ignorar as realidades da sua empresa. A Playboy Enterprises, afetada pelas mudanças que vêm ocorrendo nos veículos de comunicação, precisa de uma boa injeção de ânimo. Neste mês, a revista anunciou um corte na tiragem de 2,6 milhões para 1,5 milhão.


A Playboy Magazine contabiliza prejuízos há sete trimestres consecutivos. E talvez o mais terrível seja que, no início do ano, a empresa tenha declarado que aceitaria ofertas de compra, algo que se acreditava impensável enquanto Hefner estivesse vivo.

Mas ele sabe que toda boa festa acaba e há muito tempo comprou uma cripta próxima à de Marilyn Monroe no cemitério de Los Angeles. Nas entrevistas concedidas com o passar dos anos, ele sempre disse que a vida não valeria a pena sem a Playboy.

“Seu eu a vendesse, minha vida acabaria”, declara. Mas isso pode estar mudando. “Estou pensando mais seriamente no fato de que não tenho mais 30 anos. Preciso pensar na continuidade da revista.”

Amado ou odiado, ninguém duvida da influência de Hugh Hefner na história da cultura norte-americana. Como editor de revista, ele fez pelo sexo o que Ray Kroc fez pela comida de beira de estrada: tornou-o mais “limpo” para uma classe média emergente.


Como força cultural, contudo, Hugh Hefner ainda divide o país, e isso 56 anos depois da primeira edição da Playboy.

Para seus defensores, ele é o grande libertador sexual que ajudou os americanos a se livrarem da neurose e do puritanismo.

Para seus detratores, incluindo muitas feministas e conservadores, ele ajudou a desencadear uma revolução do comportamento sexual que transformou em simples objeto e vítima um número incontável de mulheres e promoveu uma visão imoral da vida, só de prazeres.

Hugh Hefner reconhece que houve consequências funestas a partir do que ele ajudou a pôr em marcha, mas diz que “é um pequeno preço a pagar pela liberdade pessoal”.

A série de TV


"As pessoas nem sempre tomam boas decisões. As reais obscenidades neste planeta têm pouco a ver com sexo", diz, acrescentando que "esta não é uma época romântica".

Considerando-se toda a pornografia agora disponível instantaneamente online e os programas de sexo ao vivo, incluindo a sua própria série na TV,The Girls Next Door (“As Garotas da Mansão da Playboy”), esta é uma época que torna os ideais da Playboy parecerem antiquados.

Hefner usa a palavra “gato” para falar de si: “Sou o gato mais feliz do planeta.” E não valoriza muito o ambiente cultural moderno. “Acredito firmemente que a cultura pop hoje é um caldo diluído”, declara. “Costumava ser algo muito mais espesso e profundo.”

Mas, ao mesmo tempo, tenta participar ativamente desse ambiente. Embora a revista ainda seja editada quase toda em Chicago, é ele que aprova “cada Coelhinha, cada capa, os cartoons e as cartas”.


Trabalhando a partir do seu escritório ou da sua cama, forrada por uma colcha de veludo e seda, Hefner é quem estimulou a recente decisão da revista de adquirir um trecho de 5.000 palavras do romance inacabado de Vladimir Nobokov, Laura, para uma futura edição.

Ele foi iniciado no Twitter por suas namoradas. Está ligadíssimo na série dramática da HBO, True Blood. E, recentemente, filmou um comercial de propaganda do Guitar Hero segurando o cachimbo que abandonou depois de sofrer um pequeno AVC em 1985.

Vingativas

Hefner também sofreu algumas humilhações pessoais. Antigas namoradas que viveram com ele na mansão, incluindo as que apareceram na série “As Garotas da Mansão da Playboy”, o retrataram em entrevistas e num livro como um controlador fanático que impunha um toque de recolher às 9 horas da noite.


A própria mansão já teve dias melhores. Durante uma visita em julho, a casa de jogos (a única com uma sala que tem um colchão como piso) cheirava mofo, enquanto que o viveiro de pássaros estava precisando de uma boa limpeza.

A famosa gruta, com suas banheiras Jacuzzi de várias profundidades, parecia mais uma gruta fétida de zoológico do que um palácio do prazer (embora as prateleiras ao lado estivessem repletas de enormes frascos de óleo para bebê).

Em março, com o mercado imobiliário despencando, ele colocou à venda a casa da sua mulher, vizinha da Mansão da Playboy, por US$ 28 milhões. A casa foi vendida em agosto por US$ 18 milhões.

Hefner, que se separou de Kimberly Conrad em 1998, entrou com pedido de divórcio no início de setembro; Kimberly está processando o ex-marido, alegando que ele lhe deve US$ 4 milhões, com base num acordo pré-nupcial e no produto da venda da casa.


O séquito de Hefner insiste que não há escassez de dinheiro, mas uma série de medidas adotadas parecem mostrar exatamente isso. O Los Angeles Business Journal reportou no ano passado que o número de funcionários da mansão foi reduzido.

As pessoas agora pagam ingressos (até US$ 10 mil cada) para as festas que antes eram só para convidados e que ainda hoje são uma parte vital da marca Playboy.


“Nem sempre é tão empolgante como as pessoas imaginam”, disse Holly Madison numa entrevista há alguns meses. Holly viveu com Hugh Hefner por sete anos como “namorada número 1”, até separar-se dele no fim do ano passado.

Richard Rosenzweig, que trabalha na Playboy desde 1958, pensa diferente. “Este é um lugar que todos desejam ver”, declarou numa entrevista. “Todo mundo quer vir aqui.”

Quando o relacionamento de Hefner com Holly Madison terminou, ele disse ter recebido cartas de mulheres do mundo todo implorando para morar com ele. “Elas estavam saltando os portões”, conta, radiante.


Hugh acabou escolhendo três novas namoradas para companhia na Mansão, Crystal Harris, de 23 anos, e as gêmeas Kristina e Karissa Shannon, de 20 anos.

Apesar da atitude jovial, Hefner claramente está preocupado com o seu legado. Ultimamente ele vem estudando cuidadosamente seus álbuns de recortes, que guarda desde a infância e hoje já somam dois mil volumes.

Um material nunca visto que inclui seu primeiro cartão de biblioteca, histórias em quadrinhos que ele próprio desenhou e fotos - que devem constituir o núcleo de uma “biografia ilustrada” em seis volumes, de 3.506 páginas, da Taschen.

Somente 1.500 edições dessa volumosa biografia serão vendidas, por US$ 1.300 cada, ainda antes do próximo Natal.

No Cinema


Pela primeira vez, ele também deu acesso total a uma produtora de documentários, Brigitte Berman, que concluiu recentemente o documentário Hugh Hefner: Playboy, Ativista e Rebelde, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto.

E um importante realizador de filmes biográficos está acelerando o trabalho depois de uma longa espera. Brian Grazer reuniu-se recentemente com a roteirista Diablo Cody para discutir o projeto.

Brett Ratner (conhecido pelo filme Hora do Rush, grande sucesso de bilheteria) deve dirigir o filme e Robert Downey Jr manifestou interesse em interpretar Hefner. “Ele é um grande intelecto que influenciou o espírito de uma época, e essa influência é subestimada”, disse Grazer.


Alguns dos antigos amigos estão muito inquietos, temendo que sejam perdidas algumas das realizações de Hefner que admiram - a criação de um ícone cultural (a coelhinha da Playboy), a derrubada de fronteiras raciais (pela inclusão de artistas negros em seus clubes)e o apoio a muitas causas feministas, incluindo o direito ao aborto e a Emenda pelos Direitos Iguais.

Hefner também se preocupa. “Hoje vivemos, literalmente, num mundo muito diferente e eu ajudei a torná-lo assim”, diz. “Os jovens não têm nenhuma noção disso.”

Saravá, guerreiro!

Bichos escrotos, saiam dos esgotos!


O leitor Humberto Mendes, lá de Lisboa (PT), me escreve querendo saber se o livro “Receitas de Sedução para Gays e Lésbicas”, dos escritores portugueses Bruno Horta e Hugo Campos, já se transformou em best-seller no Brasil por conta do avanço exponencial da viadagem em nosso país.

Porra, meu caro Humberto, só mesmo sendo escritores portugueses para falar de sedução entre os praticantes do “amor que não ousa dizer seu nome”.

Deve ser um livro de humor, correto?

Como todo membro da AMOAL já está careca de saber, seduzir significa levar para a cama uma pessoa que você deseja e que tenha obrigatoriamente um sexo diferente do seu.

A arte da sedução ou a chamada dança tribal do acasalamento, portanto, só funciona a contento quando os dois interessados são heterossexuais convictos.

Esta é uma regra de ouro, onde não há meio-termo.

Trocando em miúdos, sedução é a arte da conquista praticada entre duas pessoas de sexo diferente.

Não, meu caro Humberto, não é nada disso!

O fato do seu pingolim ser pequeno e fino e o do seu amigo ser grande e grosso realmente torna seus “sexos diferentes”, mas não é dessa diferença que estamos falando.

Presta atenção, gafanhoto, ou você é boiola?!


O sexo heterossexual é predominante em todo o reino animal e vegetal, com exceção de alguns legumes frescos que, vira e mexe, aparecem envolvidos em práticas sodomitas.

Sim, estamos falando do pepino, do nabo, da cenoura e, dependendo da safra, do chuchu e da macaxeira.

Isso irrita bastante o mamão-macho, que já tentou se mudar para o reino mineral, mas achou a vizinhança muito paradona.

O homo sapiens provavelmente surgiu em nosso planeta há uns 30 mil anos, mas o homo boiolis deve ter surgido há uns 50 mil anos porque boiola adora aparecer primeiro do que todo mundo.

Dado esses esclarecimentos iniciais, salientamos que o único animal que vira bicha depois que cresce é um tipo de macho geneticamente modificado, quase sempre criado pela avó.

Aí, quando a rabiolagem é descoberta, o pai dele vira bicho, a mãe corta os pulsos, os padrinhos se jogam do 15.º andar e os outros irmãos tomam guaraná com formicida, para não compartilhar da infâmia.

Entretanto, nenhum bicho nasce bicha e isto inclui até o veado que, curiosamente, não é chegado a uma viadagem, a despeito do que dê a entender o desenho animado Bambi.


O heterossexualismo, portanto, é uma forma clássica e consagrada de reprodução da espécie, o que nos leva a uma indagação bastante séria e pertinente: se os viados não se reproduzem pela via usualmente aceita, por que existem cada vez mais boiolas no mundo?

O renomado cientista japonês Fujiro Nakombi, Ph.D em Ciências Boiológicas pela Universidade de Kyoto, afirma que os boiolas se reproduzem por cissiparidade, feito, digamos assim, as amebas.

Durante as madrugadas, em mictórios infectos situados no cais do Porto ou em boates decadentes na periferia da cidade, o homossexual entra num deles pra retocar a maquiagem e, de repente, se divide em dois.

O mais interessante é que cada uma das partes vira uma bichinha novinha em folha, já de brinquinho na orelha, tatuagem tribal no braço esquerdo, óculos de lente amarela e cantando “I Will Survive”.

Entretanto, a palavra “viado”, utilizada como sinônimo de homossexual masculino, não tem nada a ver com “veado”, nome do macho da corsa.

Viado é uma corruptela da palavra “desviado”, que era como os boiolas eram chamados em meados do século 20.

Naquela época, a medicina tradicional considerava o homossexualismo uma doença contagiosa, igual a lepra e a tuberculose.

Os rapazes que agasalhavam croquetes eram considerados “desviados” do comportamento sexual normalmente aceito e tratados com desprezo pelo resto da macharada.

Isso quer dizer que qualquer sujeito que utilize o lorto para funções menos nobres do que expelir excrementos está automaticamente inserido na categoria dos “viados”.


Esse assunto, aliás, já foi amplamente debatido pela Real Academia de Sacanagem, em um encontro em Ponta Grossa (PR).

Também chamado de baitola, mandrake, qualira, fruta, florzinha, travoso, pêra, maricas, cabrão, tinhoso, fresco, zoiúdo, paneleiro e mais cerca de 237 epítetos, sinônimos ou apelidos, todo mundo sabe que não existem ex-viados, mas até hoje ninguém sabe, rigorosamente, se o cara nasce viado, fica viado ou está viado;

Se o homossexualismo masculino é uma doença física ou mental;

Se o viado precisa de respeito e consideração ou de porrada e choque elétrico;

Se dar o rabo é um direito previsto na Constituição Federal ou um crime hediondo previsto no Código Penal;

Enfim, o viado ainda hoje é uma grande incógnita que fala por evasivas, frequenta mictórios públicos e perdeu a prega-rainha antes dos 14 anos.

Existem vários tipos de viados, mas o Inmetro adota a seguinte classificação:


Viado do mato – Também conhecido como viado verdadeiro, esse bicho corredor é o mais antigo e tradicional de todos. Todo mundo conhece um.

Ele fala com a voz desafinada e a língua entre os dentes.

Também costuma virar os olhos enquanto fala e sempre desmunheca.

É sempre – chova ou faça sol – sexualmente passivo.

O viado do mato anda se requebrando, usa roupa de mulher e sobrevive de pequenos expedientes, tais como costurar fantasias para escolas de samba, apresentar programas de tevê onde ensinam a tirar manchas de roupas usando borra de café ou agenciar mulheres de programas em puteiros da periferia.

Tem cinco variações: viadinho, viadaço, viadão, viado-filho-da-puta e o mais antigo e tradicional deles, o viado velho, que gosta de bolinar moleques nos sanitários de cinema.


Bicha – É o viado mais rampeiro que existe, daqueles que fedem a mijo e usam calça “corsário” com tamanco.

Suas duas variações mais conhecidas são a bicha-louca, que é uma espécie de viado consumidor de maconha, crack e cocaína, e a bicha-nojenta, que é aquela que trabalha com a gente na empresa e vive pedindo o nosso celular emprestado.

Em algumas regiões remotas e bem distantes da civilização, a bicha é chamada de omossexual, que é o termo correto para designar o viado analfabeto.


Gay – É o viado metido a intelectual de alto coturno só porque estuda inglês e já está quase concluindo o primeiro livro do CCAA.

Ele é alegre, inteligente, extrovertido, mas dá o rabo igualzinho aos outros. Só que com mais criatividade.

O gay fala de sexo anal o tempo todo e costuma pregar que boceta só tem fama, bom mesmo é cu. O dele, evidentemente.

O gay normalmente pratica esportes de baixo impacto (chupar pica, por exemplo), usa roupas de homem e sobrevive de grandes expedientes, tais como ser funcionário público comissionado, aspone de político profissional ou laranja de investidor da Bolsa de Valores.


Boneca – É a mais fêmea dos viados, a que gostaria de ser chamada de “viada”, por ser totalmente feminina.

Na realidade, ela se acha a própria me-ni-na-mo-ça e sonha com um casamento ma-ra-vi-lho-so.

O único problema é que como toda boneca de verdade ele tem sempre a bunda malfeita.


Fruta – É aquele viadinho meigo, frágil, branquinho, pálido, com gestos graciosos e delicados.

Geralmente foi criado por pais adotivos, jogando bola-de-gude no carpete e colorindo revistas Recreio.

Na melhor das hipóteses, é aquela “filha” que a mãe não pôde ter e foi criado usando camisolinha rosa e laço de fita no cabelo desde pequenininho.

O “fruta” só dá o rabo mediante solicitação expressa, pois é extremamente tímido.


Baitola – É a bicha nordestina. Normalmente, é um fio-duma-égua bem abestado que nasceu florzinha e se mandou pro Sul Maravilha pra trabalhar na construção civil e poder fazer saliência bem longe da família, senão o pai matava o desajustado de porrada.


Pederasta – É um viado em desuso. Teve sua vez na época dos grandes bailes de carnaval no Clube Municipal ou no Ideal Clube, quando se fantasiava de “Esplendor da Corte Assíria de Hamurabi” e podia pagar alguns trocados para ser comido pela molecada.

Hoje, a bunda murchou, apareceram as varizes e as estrias, o rosto se desmantelou, enfim, virou um verdadeiro lixo.


Qualira – É o viado discreto, enrustido, que ainda não conseguiu sair do armário. Em geral, é rico e se casa com uma mulher gostosa para camuflar suas atividades. Paga bem e pede discrição.

Freqüenta muito o proctologista e é capaz de trair a mulher com o próprio cunhado garotão, em troca de emprestar o carro.

Às vezes, sofre de crise existencial e cai em depressão. Mas nunca se arrepende. Aí, também já é pedir demais, né, santa?

O qualira gosta de promover festas de arromba e sobrevive de grandes expedientes, tais como dar desfalques em bancos, fazer lobbies de empreiteiras em licitações de obras públicas ou vender cocaína malhada para o pessoal do jet-set.


Meigo – Também conhecido como viado de bombacha, é aquele tipo de viado que você nunca tem certeza se ele realmente atraca de popa.

Você desconfia pelos seus gestos e trejeitos, mas se souber que ele não é viado não vai ficar decepcionado. Ele deixa dúvidas.

Quando você acha que um cara é meio viado, mas não tem certeza, chame ele de “meigo”, que é a abreviatura de Meio Gay.


Colírio – Esse é o viado que ninguém, absolutamente ninguém, imagina que seja.

Ele fala como homem, se veste como homem, anda como homem, coça o saco como homem, pode ser casado e até ter filhos, compra a revista Playboy e comenta “Meu Deus, que mulher gostosa!”.

O colírio costuma ser inflexível quanto a odiar os homossexuais e se fosse possível mandaria matar todos sob tortura (pode ser uma maneira de eliminação da concorrência através de uma ação inconsciente).

Ele chama-se “colírio”, porque se aparecer uma oportunidade de se relacionar com outro homem sem que ninguém saiba, o sacana vai pra cama e dá tanto o rabo que tem de passar colírio (Moura Brasil ou similar) no olho do cu, de tão ardido que fica.

Dizem que quando o colírio é pingado no anel de couro ainda quente, chega a fazer tzzzzzzz e a biba abre logo uma cerveja.

Quando você quer chamar alguém de viado, mas não quer que ele desconfie, diga assim: “Esse sujeito aí tem cara de quem usa colírio...”


Jibóia – É o tipo mais dissimulado de viado. Geralmente vive camuflado, é sempre engraçado e muito “dado”, e se oferece para tudo.

Gosta de ser popular e chamar atenção.

Só conversa tocando as pessoas, principalmente se o interlocutor for homem.

O jibóia é muito encontrado em repartições públicas e empresas estatais de turismo.

Ele vive esperando algum colega dizer a frase do dia: “Vou dar uma mijada. Tem alguém pra balançar pra mim?”.

Tome cuidado com o seu colega de trabalho, cujos olhos brilham ao escutar essa frase. Ele pode ser um tremendo jibóia.


Frango – Trata-se do viado adolescente que foi criado pelos avós desde os cinco anos.

Cultiva o hábito de vestir as roupas das irmãs mais velhas e sentar no colo dos cunhados.

Gosta de brincar de boneca e de pintar os lábios de batom rosa-choque para recitar poemas de Baudelaire, Verlaine e Rimbaud.

Coleciona pôsteres de artistas de tevê que saem nas revistas Capricho, Contigo e Anal Sex.

Adora brincar de médico com os priminhos, quando faz o papel de enfermeira.

Não se mistura com os colegas da escola, só com as colegas.

Ouve música clássica e estuda piano.

Chama a avó de mami, o avô de papi e o primo mais velho de mon amour.

Faz beicinho e puxa os cabelos sempre que é contrariado.

Quando vai na taberna e alguém faz fiu-fiu, ele vira o rosto, dá uma desmunhecada clássica e sai se requebrando, como se estivesse se equilibrando de salto alto em cima de tijolos.

O casal de velhinhos o acha excêntrico e divertido.

A molecada da rua, que já comeu seu toba, sabe que ele gosta mesmo é de cagar pra dentro.


Goiaba – Conhecido como bicha-louca em estado demencial, é o viado meio senil que tem passagem pela polícia por botar o brioco de fora para argumentar em qualquer tipo de discussão.

São extremamente delicados, adoram Phillip Glass, Laurie Anderson e Agnaldo Timóteo, conversam revirando os olhinhos, desmunhecam quarenta e oito horas por dia e detestam mulheres em quaisquer circunstâncias.

São inofensivos e gostam de trabalhos manuais, principalmente tocar punheta no pau de curumins.

Costumam freqüentar barzinhos ditos culturais, sempre em bando, onde todo mundo canta meio deitadinho, se escorando um no ombro do outro, passando a mão e dando risinho besta.

Mas se você botar o pau pra fora e der um tiro pra cima eles param com essas viadagens.

Sua máxima favorita é um dito popular: quem não agüenta pica não se mete a fresco!


Gilete – Gênero de viado superdesconfiado e arredio, o gilete ou bissexual costuma cortar dos dois lados com a mesma eficiência.

Pra ele não tem tempo ruim, entende tanto de vara quanto de boceta e quer ver é o circo e o palhaço pegando fogo.

Quase todos são modelos, praticam musculação, fazem strip-tease em Clubes de Mulheres e possuem uns bíceps que, pra ficar daquele tamanho, só mesmo o cara sendo rendido.

Odeiam ser confundidos com viados: pra eles, dar o cu é uma escolha de foro íntimo, uma atitude em relação à vida, uma forma superior de ser e estar.

Não tem nada a ver com praticar jardinagem, gostar de filmes do Almodóvar ou usar rabo-de-cavalo preso por maria-chiquinha.

Todos os estudos da OMS apontam esses cretinos como os grandes responsáveis pela escalada da aids entre o mulherio, logo atrás dos viados tradicionais e na frente dos viciados em drogas injetáveis, nesse trenzinho da alegria que vai dar (êpa!) no cemitério.

O macho que encontrar um gilete pela frente deve, no mínimo, lhe dar umas boas porradas no toitiço pra eles pararem com essa carnificina.


Michê – Também conhecido por “garoto de aluguel”, é um viado urbano meio aparentado com o gilete.

A única diferença é que o michê é um profissional do sexo, ou seja, enraba ou é enrabado mediante pagamento módico.

Não nutrem nenhuma simpatia por homens ou mulheres: pra eles é tudo cliente.

Acreditam que transar com pessoas do mesmo sexo, passiva ou ativamente, é uma profissão como outra qualquer.

Na infância foram molestados sexualmente por algum vizinho conhecido por Paulinho Jumento, Nelson Tripé, Totonho Cavalão ou coisa parecida.

Parecem-se com lutadores de jiujítsu em uma balada, principalmente se estiverem usando o kit completo de “garoto de aluguel”: camiseta apertada, calça apertada, pulseira de prata e coturno.

Mas não se deixe enganar pelas aparências.

Apesar da feminilidade no andar, da doçura na voz e da inocência nos olhos, na alma de cada um se esconde um psicopata em potencial.

Só um psicopata pode acreditar que beijar macho e dar o cu seja uma profissão como outra qualquer.


Drag Queen – As drag queens são, até agora, a principal criação da colunista Erika Palomino, a profeta-mor da cena dance paulistana.

Aparecem na MTV, recebem um bom cachê para fazer recepção em festas ou em desfiles e podem até ganhar um bom dinheiro chupando os paus de colunáveis nos banheiros do Massivo, Columbia e Sr.ª Krawitz.

Não fosse a mania de usar sapato plataforma, unhas gigantescas e embalar-se em roupas como um enorme ovo de páscoa ou um bolo de aniversário cor-de-rosa, com uma vela acesa enfiada no quincas, a drag queen até que passaria por um ser humano normal.

Na realidade, drag queen é a versão moderninha, informada e cosmopolita de qualquer mancebo gay que, no sábado à noite, veste um modelito informal (coisinha simples, como macacão rosa choque com gola de kanekalon, peruca azul piscina fosforescente, unhas e sapatos roxos combinando) e, depois de três horas de maquiagem, vai sacudir o esqueleto fazendo caras e bocas na pista de dança de algum club da moda.

Para elas, a atitude do life style gay – sem a opção sexual de dar a bunda – dos clubbers ainda não foi compreendida por todo mundo. Daí a velha briga com os travestis tradicionais e a afirmativa recorrente de que não dão o rabo nem sob tortura. Mas que chupam um pau, isso chupam.

Se você apertar determinado ponto de suas costas, entre a 9.ª e a 12.ª vértebra, ela sorri, mexe os cílios postiços e diz: “Eu me considero uma hostess e não um objeto sexual”. Mas que chupam um pau, isso chupam.


Transexual – Conhecido por invertido ou transviado verdadeiro, é o único tipo de viado que troca de sexo (não me perguntem com quem) por que se considera uma mulher aprisionada dentro de um corpo de macho e não um simples macho degenerado com vontade de dar o cu.

A operação cortar o excedente é feita, quase sempre, em clínicas de Casablanca, no Marrocos, com anestesia geral e tudo.

O pinto é extraído (cruz credo!) e no seu lugar é enxertado uma boceta de matéria plástica, aço escovado, fibra de carbono e sensores eletrônicos de última geração.

Depois, a xana passa por um processo de vulcanização pra garantir que não vai ficar frouxa com o tempo, sem dúvida um avanço tecnológico em relação às bocetas tradicionais.

O caso brasileiro mais bem-sucedido é o de Roberta Close, que leva uma vida igual à de qualquer dona de casa: lava, cozinha, passa pano no chão, faz tricô, costura pra fora e vive sonhando em ser mamãe.

Infelizmente, apesar de todo avanço da ciência nesse campo, ainda não se conhece nenhum transexual que tenha engravidado pelo toba.

Muitos médicos advertem que a extirpação do cheio-de-varizes provoca diversos efeitos colaterais, podendo levar os transexuais à loucura ou ao júri de programas de televisão, quando eles dão notas baixas a outros infelizes em situação parecida.


Metrossexual – Metrossexual é a contração de “heterossexual” com “metropolitano”.

Para alguns teóricos, esta é a denominação que vem sendo dada para os homens que, supostamente, gostam do sexo oposto, mas se permitem cuidados com a pele, cortes de cabelo sofisticados, decoração aprimorada, e assim por diante.

Eles também têm várias amigas mulheres e são sensíveis o suficiente para gostar tanto de filmes de arte quanto de futebol americano. Ou seja, um gay que gosta de fazer sexo com mulheres.

O termo “metrossexual” foi usado pela primeira vez em 1994 pelo escritor gay Mark Simpson, no artigo “Lá vêm os homens do espelho”, publicado pelo jornal britânico The Independent.

Passou anos na gaveta para ganhar força total nos últimos anos, muito por conta de um estudo da Euro RSCG e do rebuliço que ele causou no mercado de produtos voltados à vaidade masculina ao declarar que a tribo pode unir até 15% dos homens desta faixa etária nas grandes cidades.

É superior aos dos 10% de gays assumidos.

Os metrossexuais lêem Details, GQ e Vanity Fair, usam roupas de grife, discutem as novidades da linha masculina da Clinique e são capazes de fazer um ranking com os cinco melhores “day spas” de qualquer capital européia em questão de segundos.

O representante supremo dessa classe de neoviadinhos é o jogador de futebol britânico David Beckham, ex-Real Madrid, que pinta as unhas, muda o corte e a cor do cabelo como quem troca de camisa no final do jogo, gasta milhares de libras com produtos de beleza e confessou já ter usado algumas vezes as calcinhas da mulher, a ex-Spice Girl Victoria.

Para reconhecer um metrossexual é simples. Ele é antes de tudo um narcisista.

Se tiver dificuldade de encontrá-lo numa multidão, experimente disparar o flash de uma câmera. É só reparar em quem faz pose.

Se for levar o briefing a uma agência de propaganda, ele será o contato que está retocando as unhas com esmalte incolor.

Se for deixar um release na redação de um jornal, ele será o jornalista que está procurando cravinhos no rosto com um espelho de bolso.

Se for entrevistar um político moderninho, ele será o vaidoso assessor de imprensa de gravata roxa.

Aliás, se algum dia o assunto em uma mesa de bar acabar, diga que você conhece um “metrossexual” no primeiro escalão do governo.

É a garantia de mais algumas horas de conversa no boteco.


Übersexual – Um metrossexual com sotaque alemão.


Neosexual – Um metrossexual usando aquelas ridículas roupas do filme Matrix.


Emoboy – Qualquer garoto de franjinha, que usa o batom das irmãs, ouve as bandas Fresno e Restart, e está criando coragem para dar o cu.


Boiola – É um viado mais moderno, mais antenado, mais globalizado.

Ele pratica surf, aeróbica, jiu-jítsu, capoeira, rapel e pára-quedismo.

Gosta de usar óculos espelhados na testa.

Finge que namora a coleguinha de turma.

Freqüenta rodas de pagode, mas, no fim da noite, dá sempre uma passadinha no Bingo pra botar a “cartela” em dia.

Por serem viados de marca, também conhecidos como “viados globalizados”, os boiolas possuem uma subclassificação, que os diferencia das bichas rampeiras e sem pedigree:

Boiola-Superman – pode inventar pica que ele tem o anel de aço.

Boiola-BigMac – tem sempre um molho especial.

Boiola-DisneyWorld – fazem fila para entrar nele.

Boiola-OB – gosta de tudo bem enfiadinho.

Boiola-Brahma – é gay até em pensamento.

Boiola-Swatch – dá de uma em uma hora.

Boiola-Kia Besta – dá para onze de uma só vez.

Boiola-Cinemark – o sujeito só entra depois de pagar.

Boiola-Batom-Garoto – todo mundo come.

Boiola-Flamengo – é o queridinho das multidões.

Boiola-Viagra – quando toma o pinto sobe.

Boiola-Rexona – onde sempre cabe mais um.

Boiola-Aspirina – depois que toma, passa a dor de cabeça.

Boiola-Lux Luxo – usam ele da cabeça aos pés.

Boiola-Ericsson – tem cobertura garantida em qualquer lugar do Brasil.

Boiola-Dunkin’Donuts – tem a melhor rosquinha.

Boiola-Maggi – ainda dá o maior caldo.

Boiola-Miojo – todo mundo come, mas vive negando.

Boiola-Skol – gosta de tomar no redondo.

Boiola-Windows 2000 – passa a maior parte do tempo no pau.

Boiola-Land Rover – aceita engate na traseira sem reclamar.

Boiola-Bombril – seu toba tem mil e uma utilidades.

Boiola-Sadia – o que mais entende de peru.

Boiola-Maksoud Plaza – quem entra, se sente em casa.

Boiola-Tostines – está sempre fresquinho, fresquinho.

Boiola-alfinete – pede que só coloquem a cabecinha.

Boiola-calculadora HP – pisca quando metem o dedo.

Boiola-cofre – dá muito trabalho pra entrar.

Boiola-pipa – todo mundo segura pelo rabo.

Boiola-serra-elétrica Still – não deixa um pau em pé.

Boiola-Gillete – corta dos dois lados.

Boiola-máquina-de-escrever Remington – quanto mais batem, mais ele gosta.


Travesti – De acordo com o jornalista e escritor Edson Aran, muito antes da existência do vegetal transgênico e do carro total flex, já havia o travesti, que é o sonho transformista de consumo de todo boiola de marca.

Ninguém sabe a origem dessa criatura híbrida, mas escavações conduzidas em Copacabana pelo antropólogo Jennifer Spielberg (ex-Wellington Jorge) revelaram uma ossada com traços de rímel, batom e pó de arroz.

Cientistas acreditam que o fóssil solitário pertença a um travesti jurássico que se perdeu da manada numa passeata gay.

Naquela época, era comum avistar cáfilas de xibungos saltitando pela praia no verão.

Bem, hoje em dia também, pra falar a verdade.

Mas a questão que mais intriga antropólogos, ornitólogos e análogos é a reprodução travestícia.

Existem cada vez mais deles nos cafofos de ex-craques balofos, embora ninguém jamais tenha visto travestis grávidos ou com travestinhos no colo.

O cientista Shakira Shyamalan (ex-Charles Darwin) defende a tese de que o travesti é um espécime mutante derivado do decorador-de-interiores ou do ator-de-teatro-infantil.

Isolado em comunidades esquecidas por deus e pela civilização, o boiola primordial vai, pouco a pouco, incorporando características travestícias.

Esta teoria, no entanto, é questionada veementemente pelo bispo Madeleine Tarantino (ex-Dom Avelão de Orleança), que reclama da inexistência de um elo perdido entre o travesti transmorfo e o transviado tradicional.

Pesquisadores tentam em vão encontrar o elo, que continua perdido nesta sociedade desumana, preconceituosa e cafajeste.

O maior travesti do mundo foi avistado brevemente, em 2006, na Galeria Alaska, no Rio de Janeiro.

Segundo testemunhas, a coisa tinha dois metros de altura, pesava mais de 200 quilos e atendia pelo nome de Beyoncé Peckinpah (ex-Rodiclêison Solimões).

Mas expedições posteriores não encontraram vestígios do abominável traveco da Alaska, levando pesquisadores a considerá-lo apenas uma fantasia sexual de jogadores dentuços.

Seja como for, o travesti continua uma incógnita.

Sabe-se que para adotar uma alcunha travestícia tudo o que o praticante do amor que não ousa dizer seu nome tem a fazer é pegar o primeiro nome da cantora favorita dele (Britney, Elis, Ivete, Christina) e juntar ao sobrenome do cineasta predileto (Lucas, Polanski, Meirelles, Kubrick).

Dublar a Gal Costa se esgoelando faz parte do ritual de iniciação do travesti. Tribos mais modernas preferem Ivete Sangalo.

Jogadores de bola acima do peso (o jogador, não a bola!) sentem atração irresistível por travecos nos fugazes embates de Eros.

Isso pode ser apenas efeito colateral do rude esporte bretão, no qual entradas duras por trás, bolas divididas e marcação homem a homem são atividades corriqueiras.

Mas também pode ser só sem-vergonhice e descaramento.

Quando surpreendido no meio de travestis, o jogador deve culpar o stress e afirmar que nunca antes na história desse país levou bolada nas costas. Não cola, mas enrola.