quarta-feira, 17 de junho de 2015

A vida secreta de Edgard Allan Poe

Atualmente pode-se encontrar o rosto de Edgar Allan Poe reproduzindo em tudo, desde paredes de livrarias até garrafas de cervejas. Mas nem sempre foi assim. O mais famoso produto de exportação literário dos Estados Unidos morreu na miséria e amplamente antipatizado em seu próprio país. Coube aos franceses (que insistem em se referir a ele como “Edgar Poe” por razões desconhecidas) ressuscitar a sua reputação e elevá-lo ao status de ícone que ele desfruta hoje em dia. Obrigado, François. Podemos conversar sobre Jerry Lewis mais tarde.
Edgar Allan Poe foi o pai da ficção macabra, um escritor cujas histórias sinistras e poemas perturbadores pavimentaram o caminho para H. P. Lovecraft e Stephen King. Ele também tinha medo do escuro. “Acredito que os demônios se aproveitam da noite para enganar os incautos”, ele certa vez confessou a um amigo. “Embora, é claro”, apressou-se em acrescentar, “eu não acredite neles”. Talvez Poe simplesmente pressentisse que estava vivendo sob uma nuvem negra. E não se poderia culpá-lo por isso.
Órfão aos três anos, ele foi criado por um rico casal, John e Frances Allan, em Richmond, Virgínia. Criado, e não adotado, pois o arrogante John Allan recusava-se a permitir que o filho de atores de teatro corrompesse a pureza da sua árvore genealógica. Assim mesmo, Poe passou a usar o sobrenome do pai “adotivo” como seu nome do meio. Ele herdou também um pouco do pedantismo de John. Além de afeto, outra coisa que John Allan falhou em oferecer ao filho adotivo foi dinheiro. Na verdade, a penúria foi uma marca constante na breve vida de Poe.
Na Universidade de Virgínia ele acumulou dívidas de jogo para satisfazer suas necessidades, que na época incluíam copiosas quantidades de álcool. O padrão se repetiu quando Poe ingressou na Academia Militar em West Point, em 1830. Provando ser uma vergonha ao uniforme, ele passava a maior parte do tempo bebendo e planejando meios de ser expulso. Em janeiro de 1831 finalmente obteve sucesso. Desobedeceu a ordens diretas e deixou de comparecer aos treinamentos com frequência suficiente para ser acusado pela Corte Marcial por “Absoluta Negligência ao Dever”. Ele detém a duvidosa e dupla distinção de ter sido o único grande escritor norte-americano e ter frequentado West Point e o único a ser expulso.
Poe encaixa-se nos moldes do clássico beberrão fracassado. Um colega de universidade escreveu que “a paixão dele por bebidas fortes era tão característica e peculiar quanto a paixão pelas cartas... sem nem mesmo um gole para provar, ou um estalo de língua, ele agarrava um copo cheio e o virava num só gole”. Mas aquele único copo normalmente era o bastante para levá-lo a um coma alcoólico.
Parte do problema era, sem dúvida, a sua constituição frágil e a predisposição às doenças. Em West Point, Poe tinha a aparência tão frágil e envelhecida que os outros cadetes brincavam, dizendo que seu pai adotivo havia tomado o seu lugar. Com o tempo, John Allan acabou ficando tão farto dos hábitos dissolutos de Poe que o repudiou, prometendo mandar prendê-lo se ele algum dia aparecesse em sua propriedade.
Destituído de dinheiro e de família, Poe foi morar com uma tia, Maria Clemm, em Baltimore. Também começou a escrever contos para revistas. Em 1836, aos vinte e sete anos, casou-se com sua prima de treze anos, durante os quais foi repetidamente alertado sobre a impropriedade de se casar com uma garota tão nova. Juntos, eles se mudaram várias vezes – para Nova York, para Filadélfia e para Nova York novamente. Poe estava sempre um passo à frente dos seus credores e a um gole de distância da prisão por embriaguez. Então, justamente quando a sua carreira como escritor começou a progredir, sua esposa contraiu tuberculose e morreu.
A vida de Poe foi realmente um pesadelo e teve uma conclusão adequadamente onírica. Em uma parada em Baltimore durante uma viagem para Nova York, no final de setembro de 1849, ele desapareceu por cinco dias. Foi recolhido na rua, em frente a uma taverna irlandesa, semiconsciente e bêbado como um gambá, usando roupas maltrapilhas que claramente pertenciam a outra pessoa. Internado no Washington College Hospital, o delirante poeta passou os dois dias seguintes clamando por um misterioso homem chamado Reynolds e implorando ao médico atendente que explodisse o seu cérebro. Finalmente, gritando em seu leito “Senhor, socorra a minha pobre alma!”, ele emborcou para trás e morreu.
Ninguém sabe ao certo o que aconteceu durante aqueles cinco dias perdidos. As evidências sugerem que Poe talvez tenha sido sequestrado por uma gangue de capangas de políticos, que o embebedaram e o forçaram a falsificar votos nas urnas eleitorais da eleição para prefeito de Baltimore. A decorrente bebedeira pode ter exacerbado uma doença já existente, tal como sífilis, diabete ou talvez hidrofobia.
Qualquer que tenha sido a causa, sua morte foi extremamente desagradável – bem como a reputação que lhe foi imputada pelo seu primeiro biógrafo, um amargurado editor chamado Rufus Griwold, cujo trabalho Poe certa vez criticou duramente na imprensa. As “memórias” de Griswold, publicadas em 1850, descrevem maldosamente Poe como um degenerado, viciado em drogas que praticava sexo incestuoso com a própria tia. Foi um acerto de contas barato, repleto de falsidades, mas décadas se passaram antes que o “sistema” literário (com uma pequena ajuda dos franceses) finalmente aceitasse Poe no panteão dos grandes autores norte-americanos.
A soma de todos os medos
Não era de admirar que Poe tivesse medo do escuro. Ele foi educado em um cemitério – literalmente. Quando frequentou um internato na Inglaterra, sua classe ficava ao lado de um cemitério. Mesquinho demais para comprar livros didáticos, o professor dava aulas de matemática ao ar livre, em meio aos mortos que jaziam em seu sono eterno. Cada criança era instruída a escolher um túmulo e, depois, a descobrir a idade do falecido fazendo a subtração do ano do nascimento e o ano da morte. As aulas de ginástica também transcorriam nesse mesmo ambiente agradável. No primeiro dia de aula cada aluno recebia de presente uma pequena pá de madeira. Se um dos membros da paróquia morresse durante o semestre, as crianças eram enviadas para escavar a cova, praticando, dessa forma, revigorantes exercícios aeróbicos.
“Você entrou pelo cano”, disse o corvo
Poe tinha grande orgulho de O Corvo, chamando-o de “o mais grandioso poema jamais escrito”. (A modéstia não era um dos seus pontos fortes.) No entanto, ele ganhou quase nada com essa obra, graças, em parte, à sua ignorância das leis de direitos autorais. Ansioso por ver a sua criação impressa, ele a publicou num jornal, o New York Evening Mirror, sem saber que isso o eximiria de toda proteção dos direitos autorais. Qualquer pessoa poderia reproduzir o poema – e muitas o fizeram, com lucros consideráveis. Quando Poe finalmente conseguiu publicar a sua própria edição, o poema já tivera um circulação tão ampla que ninguém a comprou.
Dickens perde a mão
O famoso corvo de Poe, na verdade, foi inspirado pela ave de estimação do escritor britânico Charles Dickens. O pássaro tagarela de Dickens aparece como personagem em seu romance de mistério Barnaby Rudge, que Poe resenhou em 1841. Poe elogiou Dickens pelo uso do corvo falante, considerando que ele deveria ter desempenhado um papel mais importante na trama.
Quando Dickens e Poe se encontraram pela primeira e única vez, em 1842, o estimado pássaro havia morrido recentemente. (Ao que parece, ele havia bebido a tinta de um tinteiro que Dickens deixara aberto em sua mesa.) Dickens relatou o triste caso a Poe, que voltou para casa naquela noite e inseriu um agourento corvo falante no já existente poema chamado To Lenore, que ele havia abandonado. “Lenore” rimava perfeitamente com “Never more”, que se tornou o famoso mantra do sinistro pássaro negro.
Quanto os poetas atacam
Não há mais divertido do que uma briga entre poetas. O arquinemesis de Poe foi Henry Wadsworth Longfellow, o famoso autor de A Canção de Hiawatha e outros poemas. Por motivos ainda obscuros quase dois séculos depois, Poe foi de uma amável admiração a uma franca hostilidade em relação ao homem, à sua poesia e ao seu caráter. Em 1840 escreveu uma crítica contundente ao último poema de Longfellow, acusando-o de tê-lo plagiado de Alfred Lord Tennyson. Quando isso não provocou nenhuma reação, Poe afirmou que Longfellow havia roubado também um dos seus poemas. A chamada “Guerra Longfellow” estava declarada.
Infelizmente para Poe, tudo não passou de desperdício de munição. Ele nunca apresentou nenhuma prova de que Longfellow fosse plagiador e o poeta da Nova Inglaterra recusou-se serenamente a responder aos ataques ad hominem de seu colega mais jovem. Depois da morte de Poe, Longfellow tinha apenas elogios a lhe fazer, acrescentando: “Jamais atribuí a severidade das suas críticas a nada além da irritação de uma natureza sensível, acirrada por um indefinido senso de injustiça”. Ora, ora.
Acima, acima e avante
Poe não estava acima de um pequeno embuste jornalístico, principalmente quando o dinheiro andava curto. Em abril de 1844, um quase falido Poe vendeu uma reportagem ao New York Sun sobre a primeira travessia transatlântica de um balão em todo o mundo. “O grande problema finalmente está resolvido”, ele escreveu, triunfante. “O Ar, bem como a Terra e o Oceano, foi subjugado pela ciência e se tornará uma comum e conveniente estrada para a humanidade”.
O artigo de Poe, incrivelmente bem bolado, de cinco mil palavras, prosseguiu descrevendo em detalhes requintados o dirigível em questão, o seu operador (um balonista verdadeiro chamado Monk Mason) e a viagem em si. Havia um único problema: era tudo mentira. No dia seguinte, o Sun publicou um retratação: “A correspondência vinda do sul... não tendo trazido da Inglaterra a confirmação sobre o balão... estamos inclinados a acreditar que a informação é errônea”.
Enterrado de novo
A nuvem negra de má sorte que parecia perseguir Poe durante toda a sua vida continuou pairando mesmo depois da sua morte. A lápide encomendada para demarcar sua sepultura foi atropelada por um trem descarrilado. Como resultado, até que seu corpo fosse exumado e novamente enterrado em 1875, ele descansou sob um genérico marcador de sepultura que indicava apenas “Nº 80”.
Saúde, companheiro!
Qualquer um que tentar comercializar equipamentos de cozinha da marca Poe terá de ajustar conta com uma sombria figura conhecida como o “The Poe Toaster”. Todos os anos, desde 1949, esse estranho misterioso, usando uma capa preta, tem aparecido no túmulo de Poe na noite do aniversário do poeta. O fã de cemitério talvez se pareça mais com um personagem de um dos contos macabros de Poe, mas como os coveiros (e os numerosos acadêmicos que debatem o assunto) poderão dizer, ele é bem real.
O ritual é sempre o mesmo: ele faz um brinde ao falecido e depois deixa no túmulo meia garrafa de conhaque e três rosas vermelhas, como símbolos de admiração. Por que três rosas? Elas podem representar Poe, sua sogra e sua esposa, todos enterrados no mesmo jazigo. Por que conhaque? Ninguém sabe. Por que tudo isso? Em respeito a Poe e à solenidade dessa cerimônia anual, ninguém jamais tentou interceptar o estranho “brindador” para perguntar.
Todo mundo é um crítico
Poe parece dividir a comunidade literária. Existem aqueles, como os franceses, que o reverenciam como um deus. E há aquele que não o suportam, nem sua obra. Os mais notáveis detratores de Poe incluem T. S. Elliot, que o descreveu como tendo “o intelecto de uma pessoa altamente bem-dotada, antes da puberdade”, Mark Twain, que certa vez comentou: “Para mim, a prosa dele é ilegível – como a de Jane Austen” (um raro golpe atingindo dois pelo preço de um) e W.H Auden, que disparou o ataque mais pessoal, descartando Poe como “um tipo indigno de homem, cuja vida amorosa parece ter sido totalmente confinada a chorar em colos e a brincar de ratinho”.
Parente de Poe
O ator Edgar Allan Poe IV, descendente direto do mestre do macabro, conquistou uma boa milhagem em sua carreira graças à associação com seu tatara-tio-avô. O quarto Poe atuou no papel do primeiro Poe no filme chamado Monkeybone e, em 1999, em um episódio de Sabrina the teenage witch. Quando não estava imitando seu parente lendário, ele se especializou em retratar bandidos enlouquecidos e camelôs de feira em filmes como Sex Puppets e Oliver Twisted.
Preparado para um joguinho?
Em 1996, o futebol profissional retornou a Baltimore, depois de treze anos de ausência. Um concurso foi estabelecido para escolher o nome da nova franquia, em homenagem ao mais famoso residente da cidade. Ravens (“corvos”) venceu de goleada Marauders e Americans. Em agosto de 1998, após dois anos sem um mascote, o Baltimore Ravens revelou não apenas um, mas três mascotes. Numa elaborada e estranha cerimônia em campo, antes de um jogo contra os Eagles de Filadélfia, cada um dos “corvos” foi “descascado” de um ovo enorme. São eles, em ordem de “nascimento”: Edgar, “um corvo alto, forte e competitivo, com penas longas e flutuantes e olhos aguçados e espertos”, Alan, um pássaro “pequeno, magro e ágil”, e Poe, “o gorducho e preguiçoso, mas inegavelmente adorável”. Até agora nenhum dos três parece ter desenvolvido o devastador problema com a bebida, que foi a característica mais marcante de Poe.

A vida secreta de Honoré de Balzac

“Não sou profundo”, Honoré de Balzac certa vez comentou, “mas bastante largo”. Não fica bem claro se ele fazia uma irônica observação a respeito da sua própria aparência física ou sobre a amplitude intelectual do seu trabalho (ou ambos). Certamente Balzac estava entre os mais gordos grandes romancistas do mundo. Com um metro e sessenta e uma montanha de carne adiposa equilibrada sobre um par de pernas finas, ele era famoso pelo seu apetite gigantescos, pelos trajes excêntricos e comportamento vulgar.
Certa vez, quando jantava em um restaurante em Paris, segundo relatos da época, ele devorou uma dúzia de filés, um pato com nabos, um linguado-da-normandia, duas perdizes e mais de cem ostras. O encerramento constou de uma sobremesa de doze peras e uma variedade de doces, frutas e licores. Seus modos à mesa eram revoltantes. Ele comia direto da faca e espalhava pedaços de alimentos por toda a volta enquanto mastigava. É de admirar que muitas pessoas o considerassem um homem grosseiro, mal-educado e asqueroso? Nascido Honoré Balssa, ele mudou o sobrenome e acrescentou um “de” de aparência aristocrática para convencer as pessoas de que era um nobre.
Porém, o que quer que pensassem a respeito dos seus hábitos pessoais, ninguém deixaria de reconhecer que Balzac foi um dos maiores romancistas do mundo. Sua obra máxima de vários volumes, A Comédia Humana, foi o resultado de uma vida inteira de observações atentas às muitas camadas da sociedade francesa pós-napoleônica. Não foi, entretanto, o resultado da principal ambição da sua vida.
Inicialmente, Balzac imagina-se como um dramaturgo. Mas a sua peça sobre a vida de Oliver Cromwell teve quase tanto sucesso quanto Cromwell em relação ao povo inglês. Um professor universitário que leu a peça aconselhou a mãe de Balzac de que seu filho deveria seguir qualquer carreira, exceto a literatura.
Sem se deixar intimidar, Balzac persistiu. Experimentou a ficção popular, produzindo cinco romances em 1822. Os livros não eram grande coisa, tampouco os pseudônimos sob os quais ele os escrevia. Um deles, “Lord R’Hoone”, era apenas um fraco anagrama do seu primeiro nome. Ainda assim, há algo a se dizer acerca da persistência. Balzac logo estava escrevendo durante cerca de quinze horas por dia, vestido com um traje de monge e engolindo abundantes xícaras de café. (O único estimulante que Balzac não consumia era o tabaco, que considerava debilitante.) Ele reunia material para os seus romances participando de festas, nas quais uma única conversa entreouvida frequentemente serviria para completar a terra de mais um fascículo de A Comédia Humana.
Durante um período de vinte anos Balzac produziu noventa e sete obras, totalizando mais de onze mil páginas. Outras, eram simplesmente estranhas. Tome como exemplo o romance Seraphita, que trata de um anjo hermafrodita que inicia um jovem casal no misticismo em meio aos fiordes da Noruega. A vida pessoal de Balzac era um pouco menos estranha, embora quase tão picante. Tinha relacionamentos íntimos com centenas de mulheres, o que, considerado a sua aparência desprezível e a indiferença à higiene, não deixava de ser uma realização e tanto. E ele gastava todo dinheiro que ganhava.
Convencido do que deveria viver como um aristocrata, Balzac jamais conseguiu nivelar essa ilusão com os seus módicos rendimentos. Como resultado, estava sempre devendo. Já avançado em idade, envolveu-se com uma nobre polonesa que tinha rios de dinheiro – exatamente o tipo de protetora de que ele precisava. Porém, por mais encantada que estivesse com a genialidade dele, até mesmo ela se deu conta de que os hábitos perdulários de Balzac significariam um golpe mortal na sua solvência. Casaram-se alguns meses antes da morte dele, quando sua péssima saúde o transformou em objeto de piedade.
Retornando a Paris depois do casamento, Balzac descobriu que o seu mais antigo e fiel empregado havia enlouquecido durante a sua ausência. “Que presságio!”, lamentou-se. “Jamais sairei vivo desta casa”. E estava certo. Poucos meses depois o seu coração finalmente cedeu aos anos de excessos e dissipação. Até o fim, permaneceu imerso no mundo da sua ficção. Suas últimas palavras – “Mande chamar Bianchon... ele irá me salvar” – foram um apelo ao alter ego do seu médico de A Comédia Humana.
A degeneração do café
O que estimulava a prolífica produção literária de Balzac? Ora, a mesma coisa que ajuda milhões de norte-americanos a atravessar aquelas intermináveis reuniões das nove da manhã: o bom e antiquado java de alta octanagem. O tenso e agitado escritor francês ingeria mais de cinquenta xícaras de café turco, preto e forte, por dia. Numa era pré-Starbucks, esse nível de ingestão exigia uma verdadeira engenhosidade. Quando ele não conseguia obter a sua dose sob a forma líquida, simplesmente moía um punhado de grãos e atirava goela abaixo, num estilo Limbaugh.
“O café tem um grande poder em minha vida”, Balzac admitiu. “Já observei seus efeitos em escala épica.” E também sofria por esses efeitos. As elevadas quantidades de café forte lhe provocavam dores de estômago, contribuíram para a sua pressão alta e o deixaram com o coração aumentado. O envenenamento por café – sem mencionar o estilo de vida normalmente glutão – contribuiu para a sua morte precoce aos cinquenta e um anos.
Degustação às cegas
O café não era a única bebida de Balzac. Ele era também um connaisseur de chás refinados. Um dos seus favoritos chegava até ele por meio de um oficial do governo russo, que o recebia do czar, que, por sua vez, o conseguia pelo imperador da China. A exótica e cara bebida, cultivada pelo método de “cocleita imperial” e transportada em caravanas até a Rússia, era cercada de lendas. Dizia-se que causava cegueira em quem a bebesse. Não era de surpreender que Balzac a reservasse apenas para os amigos mais íntimos. Seu amigo de longa data, Laurent-Jan, degustou a infusão em inúmeras ocasiões, e a cada vez declarava: “Novamente corro o risco de perder a visão – mas, diabos, como vale a pena!”
Um caso de erro de identidade
Existe uma linha muito tênue separando a genialidade da loucura, como poderia atestar um dos companheiros de refeição de Balzac. O famoso naturalista e explorador prússio Friedrich von Humboldt certa vez pediu a um amigo psiquiatra que o apresentasse a um louco genuíno. O médico marcou um almoço com Humboldt, Balzac e um de seus pacientes. Como sempre, Balzac – que estava encontrado Humboldt pela primeira vez – apareceu todo desgrenhado, desarrumado, e ficou tagarelando durante toda a refeição. Conforme transcorria a conversa, Humboldt inclinou-se para o amigo e agradeceu por ele ter lhe apresentado um caso de loucura tão interessante. O psiquiatra teve uma reação de surpresa. “Mas o lunático é o outro”, informou a Humboldt. “O homem para quem você está olhando é Monsieur Honoré de Balzac!”
Haxixe ineficiente
Acompanhado pelo poeta Charles Baudelaire, Balzac experimentou haxixe sob a supervisão de um alienista. O cenário da experiência foi uma magnífica do século XVII com frente para o rio Sena. Mas o resultado não esteve à altura do ambiente sereno. Balzac ficou acabrunhado pelos efeitos da droga, que falhou em incitar as “vozes celestiais” em sua mente, pelas quais estivera esperando. Ele deixou a mansão sentindo-se ligeiramente desapontado pelo fato de que o haxixe não o deixara completamente enlouquecido.
O artista faminto
Embora buscasse o estilo de um nobre, Balzac já conhecera a pobreza. Durante seus anos de “vacas magras”, ele morou num casebre sem aquecimento nem móveis. Sem se deixar abater, o grande escritor providenciou a sua própria decoração de interiores utilizando o poder da imaginação. Ele simplesmente escreveu nas paredes nuas o que desejava estar vendo ali. Numa delas escreveu: “Painel de madeira pau-rosa com cômoda”. Em outra: “Tapeçaria Gobelin com espelho veneziano”. E, acima da lareira vazia: “Pintura de Rafael”.
O esquálido sótão em Paris onde Balzac morava ficava no último andar de um prédio, numa das áreas mais perigosas da cidade. Para um homem com seus apetites, tais condições devem ter sido particularmente árduas. Ele era tão pobre que a maior parte das suas refeições consistia de um pãozinho amanhecido embebido em um copo de água. Um livreiro de Paris certa vez rescindiu sua oferta por um romance de Balzac depois de ver o decrépito apartamento. Em outra ocasião, um ladrão tentou roubá-lo forçando a tranca da sua escrivaninha. Acordando de seu cochilo, Balzac limitou-se a rir. “Que chances você tem de encontrar dinheiro numa escrivaninha à noite”, ele disse, “quando o proprietário legal jamais consegue encontrar algum durante o dia!”.
Substância preciosa
E ainda se fala em retenção de líquidos... Balzac revelou aos amigos que, quando praticava sexo, ele preferia não ejacular, por medo de que isso pudesse esgotar a sua energia criativa. “Carícias e jogos amorosos estariam bem”, um confidente relatou, “mas somente até o ponto da ejaculação. Para ele o esperma significava a emissão da mais pura substância cerebral e portanto a ejaculação seria uma filtragem, uma perda através do membro, de um ato de criação artística em potencial”. Ou, como o próximo Balzac certa vez colocou, depois de atingir o clímax durante uma relação sexual com uma das suas muitas amantes: “Esta manhã eu perdi um romance!”

terça-feira, 16 de junho de 2015

Curiosidades sexuais ao longo da História (1)


BRINQUEDO ANTIGO – O arqueólogo e antropólogo inglês Timothy Taylor defendeu a tese de que o sexo na Pré-história não tinha por finalidade só a reprodução, mas principalmente o prazer. Sua afirmação tem como base objetos paleolíticos que apresentam, por exemplo, figuras de mulheres se masturbando ou dois pênis esculpidos em pedras, muito semelhantes aos atuais vibradores. E ainda hoje há quem diga que isso não tem utilidade...

TAMANHO CHINÊS – Os chineses de antes de Cristo já se preocupavam com o tamanho do pênis. Algas marinhas, misturadas com extrato de fígado de cachorro branco, aplicadas três vezes ao dia, aumentavam o tamanho do pênis em três polegadas, o equivalente a 6 cm.

FAVOR DIVINO – Na alta antiguidade e em algumas civilizações não era permitido ao marido deflorar sua esposa. Na Idade Média, era comum os padres e nobres resolverem esse problema, comendo pela primeira vez a mulher do próximo. Ave Maria!

SUBIU, CANTOU – Durante o século XI surgiu a punição através do canto de salmos penitenciais. O homem que tivesse ejaculação noturna deveria levantar-se em seguida e entoar sete salmos.

UMA POR HORA – Cerca de um século depois de Cleópatra, Messalina se tornou a grande ninfomaníaca de seu tempo. A esposa do imperador romano Cláudio converteu-se, durantes as ausências de seu marido nas guerras, na mais notória prostituta de Roma. Há registro, inclusive, de uma prova de tesão disputada entre Messalina e outra fogosa da época. Messalina venceu, pois fornicou 25 vezes no espaço de 24 horas.

TUDO PELO TESÃO – O imperador Tibério tinha uma ilha, como lugar próprio para orgias. Quando começou a sentir o peso da idade, o rei romano levava grupos de moças e moços para trepar num imenso salão. As cenas deveriam despertar o vulcão adormecido. Ele gostava de olhar bem de perto, de acariciar os rapazes e as menininhas. Quando ficava com tesão, ele comia a bunda dos soldados de Roma. Depois, era enrabado e gozava aos berros.

MUITO AQUILO – Alexandre, o Grande, um dos maiores reis da Antiguidade, morreu de esgotamento nervoso em 323 AC, aos 32 anos, de tanto transar. E, ainda por cima (ou por baixo), era bissexual. Ou total flex, como se diz hoje em dia.

REZA NO COLCHÃO – Em 567 DC, o Concílio de Tours decidiu que dois padres não poderiam dormir na mesma cama. Entenderam que a ocasião é que faz o ladrão.

LUXÚRIA ATÉ O FIM – A rainha Zíngua, no século XVII, em Angola, mantinha grandes haréns de homens. Às vezes organizava batalhas de morte entre os guerreiros, sendo que o vencedor adquiria o direito de levá-la para a cama. Algumas vezes fazia amor com um homem durante uma noite inteira, para na manhã seguinte ordenar sua morte. A rainha Zíngua continuou sua sangrenta lúxuria sexual até os 77 anos, quando se converteu ao catolicismo.
               
COMEDOR DA CORTE – Documentos recentemente descobertos na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro dão provas definitivas de que D. Pedro II era mesmo um dos bons de cama da Corte. A pesquisa mostra cartas, bilhetes, fotografias e confirma que ele chegou a conviver com cinco diferentes amantes ao mesmo tempo, enquanto casado com Dona Theresa Cristina Maria. Considerava-a manca, vesga, gorda e baixinha. Incomível, como diria um ex-ministro.

BICHA VELHA – A descoberta de uma múmia nos Alpes austríacos, em 1991, com idade estimada em 5 mil anos, chamou a atenção pelo seu reduzido pênis e resquícios de sêmen em seu reto. De repente, os pesquisadores se deram conta que estavam diante do primeiro ancestral gay de que se tem notícia. Uia!

PORCO SEGURO – Numa antiga mina de sal de Hallsteins, na Áustria, foi encontrado um preservativo com data estimada de 2.500 anos. A descoberta é dos pesquisadores alemães da Universidade de Marbugo. Eles identificaram como bexiga de porco o material utilizado na confecção da camisinha.


GRANDE E MUITOS – Catarina, a Grande, quando se casou com Pedro III, escandalizou a corte russa com sua sexualidade insaciável. Confessou publicamente que mantinha relações sexuais seis vezes ao dia e ainda possuía 21 amantes “oficiais”. Os historiadores afirmam que o número de amantes “não oficiais” passava de 100.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A vida secreta de Lord Byron


George Gordon Noel Byron certa vez escreveu “A verdade é sempre estranha”. “Mais estranha do que a ficção.” Em uma linha de verso ele nos forneceu tanto um truísmo que ouvimos até hoje como também o resumo do que foi a sua breve, escandalosa e hedonística vida.

Quando você é o filho de um homem conhecido como “Jack Louco”, as chances são de que esteja preparado para uma jornada desregrada. O pequeno George não pôde conhecer muito bem o pai, pois o velho e bom papai morreu de tanto beber quando o garoto tinha apenas três anos. Porém, o legado de excessos de Jack Louco penetrou no inconsciente do seu rebento, se não em seus genes.

De qualquer modo, Byron tinha poucas opções além de ser o filho do seu pai, uma vez que a mãe o odiava. Ela o chamava de “pirralho manco” por conta de uma deformidade que ele tinha de pé, e certa vez tentou surrá-lo até a morte com um par de tenazes de lareira. Ainda pior, existem relatos de que a governanta de Byron, May Gray, o molestou quando ele tinha a idade de nove anos.

Talvez a única coisa boa que tenha acontecido na infância de George foi ter herdado a fortuna de seu tio, juntamente com o título: Barão Byron de Rochedale. Dali em diante, George Gordon passou a ser conhecido como Lord Byron.

Quando cresceu ele se tornou um homem extremamente atraente. Exceto pelo defeito no pé, a única imperfeição de Byron era uma tendência a engordar. Num padrão típico do século XIX, ele superou essa predisposição passando fome e ingerido copiosas quantidades de laxante. O sexo provou ser o seu verdadeiro alimento, de qualquer maneira.


Byron era o dom-juan da sua época, e diz-se que chegou a levar 250 mulheres para a cama em Veneza, em apenas um ano. Sua longa lista de amantes incluía Lady Caroline Lamb (que admiravelmente o descreveu como “louco, maldoso e perigoso de se conhecer”), sua prima Anne Isabella Milbanke (que se tornou Lady Byron em 1815) e, segundo relatos, a própria meio-irmã, Augusta Leigh.

Tampouco ele se restringia ao sexo feminino. Byron teve numerosos casos homossexuais, frequentemente com garotos menores de idade. A não ser pelos exóticos animais que ele mantinha como companhia, parecia não haver muitas criaturas com as quais ele não se interessasse em fazer sexo.

Como consequência, Byron se tornou o libertino mais festejado da Europa. Suas realizações poéticas jamais acumularam tanta atenção quanto os rumores desenfreados que se espalhavam a seu respeito. Por estranho que seja, boa parte dos boatos envolvia Byron bebendo vinho no crânio de uma antiga amante... As lendas tendiam a superar a realidade.

Farta das traições, Lady Byron entregou ao marido os papéis do divórcio em 1816 – apenas um ano depois do casamento. Ele então trocou a Inglaterra pelo continente e nunca mais retornou. Foi a única maneira de evitar a censura pública da sociedade britânica.

Byron passou o verão na Suíça com seu médico particular, Jonh Polidori. Ele fizeram uma amizade com o poeta Percy Bysshe Shelley e sua noiva, Mary Godwin. Quando chovia, eles se divertiam escrevendo histórias de terror. Mary produziu uma versão inicial do que se tornaria o seu romance Frankenstein, enquanto Polidori usou Byron como inspiração para O Vampiro. A história de um gentil nobre inglês que sugava o sangue de vítimas inocentes e confiantes provaria ser a principal influência no romance Drácula, de Bram Stoker.


Da Suíça, Byron viajou para a Itália, onde teve um caso com a muito bem casada Condessa Teresa Guicciolli. Lá ele permaneceu até 1823, quando então partiu para a Grécia e para um encontro com o destino, auxiliando o movimento de independência grego a expulsar os turcos otomanos. Apesar de uma absoluta falta de experiência militar, Byron ajudou no treinamento de tropas e forneceu o dinheiro necessário para as forças rebeldes. Até hoje ele é considerado um herói nacional da Grécia.

Porém, antes de poder participar de qualquer ação, Byron foi atingido por um ataque de malária e morreu no domingo de Páscoa de 1824. Logo após a sua morte, que foi lamentada por toda a Inglaterra, um grupo de amigos dele reuniu-se em Londres para uma leitura das suas memórias. O manuscrito estava repleto de descrições vívidas das aventuras sexuais de Byron, algo que, na opinião do grupo, poderia destruir a sua reputação “heroica”, obtida a tanto custo. Determinados a não permitir que as memórias viessem à luz, eles atiraram as páginas no fogo.

As 50 bizarrices de Byron


Nos tempos anteriores à fotografia, Byron tinha uma maneira incomum de guardar lembranças das suas ex-amantes. Guardava fragmentos de pelos púbicos das antigas amantes em envelopes, anotando em cada um deles o nome da mulher imortalizada no interior.

Até a década de 1980, os envelopes e seus encaracolados conteúdos permaneciam em um arquivo na editora de Byron, em Londres. Depois disso, não se tem mais notícias do seu paradeiro.

Entre as muitas amantes de Byron é provável que estivesse incluída a sua própria meio-irmã, Augusta Leigh. Ela era casada na época, mas, e daí?, já que se está disposto a cometer adultério por que não ir até o fim e cometer incesto também?

Muitos acadêmicos atualmente sustentam que a filha de Augusta, Mendora, era na verdade o fruto do seu caso com Byron, tornando-o, por assim dizer, uma figura muito mais complicada do que pensávamos...

Além das mulheres casadas e dos jovens rapazes, Byron adorava animais. Em certa ocasião a sua exótica coleção incluía cavalos, gansos, um texugo, uma raposa, um papagaio, uma águia, um corvo, uma garça, um falcão, um crocodilo, cinco pavões, duas galinhas-de-angola e uma garça-azul egípcia.

Quando estudante em Cambridge, Byron manteve um filhote de urso em seu alojamento, como um atrevido protesto contra as regras da Universidade que proibiam cães nos dormitórios. Em uma de suas cartas, ele chegou ao ponto de sugerir que o seu companheiro urso se “candidatasse a uma bolsa de estudos”.

Byron também tinha animais mais convencionais. Costumava viajar levando cinco gatos, sendo que um deles se chamava Beppo (que foi também o título de um dos seus poemas). Talvez o mais conhecido dos animais de Byron tenha sido o seu cão da raça newfoundland, Boastwain, que morreu de hidrofobia em 1808, com cinco anos.

Em seu Memorial para Boatswain, Byron imortalizou seu cão em verso e erigiu um monumento a ele no túmulo da família, que é maior do que o próprio monumento a Byron.


Lady Byron não compartilhava o amor do seu marido pela fauna. Depois que se separaram, ela escreveu afirmando que “o motivo que leva algumas personalidade tirânicas a gostarem tanto de animais e os considerarem humanos é porque eles vão possuem o exercício da razão e não poderiam condenar a perversidade se seus donos”.

A morte de Byron aos trinta e seis anos foi desnecessária – o resultado de uma das mais mal-orientadas técnicas médicas do século XIX. Ele contraiu uma febre durante uma viagem a cavalo debaixo de chuva, no interior da Grécia, e foi literalmente sangrando até a morte pelos médicos.

Eles fixaram doze sanguessugas nas têmporas de Byron numa tentativa de “extrair” a causa da temperatura elevada. Também o fizeram ingerir óleo de rícino pra induzir a diarréia, outra prática comum na época e que hoje é considerada insana pelas autoridades médicas.

Ao todo, a brigada de sanguessugas extraiu quase meio litro de sangue de um homem já debilitado pela febre. Não é de admirar que Byron tenha passado a delirar, gritando em inglês e italiano. Provavelmente estava chamando o advogado. Menos de vinte e quatro horas depois, estava morto.

Byron havia esperado ser enterrado no Poet’s Corner da Abadia de Westminster, mas o diácono achou que sua má-fama não permitiria que fosse incluído ao lado de modelos de virtudes como Geoffrey Chaucer e Edmund Spenser. Em vez disso, Byron encontrou seu último descanso no túmulo da família em Hucknall Tockard.

Esse descanso foi perturbado em junho de 1938, quando numa mórbida experiência conduzida por motivos que ainda permanecem obscuros, quarenta pessoas se juntarem em volta da sua tumba recém-aberta, querendo dar “uma espiada” no corpo do poeta. Quando a tampa do caixão finalmente foi erguida, somente três almas corajosas ali permaneceram. Um desses palermas descreveu o cadáver de Byron como “em excelente estado de preservação”.

Exceto pela ausência do coração e do cérebro (que foram removidos durante a necropsia) e de um pé direito separado, Byron parecia muito bem para um sujeito que estivera se decompondo havia mais de 114 anos.

Uma testemunha salientou que o “órgão sexual demostrava um desenvolvimento bastante anormal”, em termos de comprimento e diâmetro. Bem-dotado até mesmo na morte, aparentemente Byron riu por último de seus exumadores. No dia seguinte o túmulo foi lacrado e o deixaram descansar em paz.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Os 10 maiores predadores sexuais do século 20


1. Abdul Aziz Ibn Saud (1880-1953) – Depois de levar um pé na bunda da família Rashid, meu velho amigo Abdul armou um exército e retomou o país que rebatizou com o nome de Arábia Saudita, ou seja, Casa do Saud. Sob seu reinado, as tribos nômades da região foram forçadas a adotar um regime sedentário e a abandonar seu tradicional estilo de vida, que incluía vinganças, rixas e guerras tribais. Do mesmo modo, garantiu-se a segurança das peregrinações religiosas a Meca e Medina. Não construiu hospitais porque o país não tinha médicos, e nem escolas, pois tudo que o povo precisa aprender “está no Corão”. Tinha duzentas mulheres e 500 Rolls-Royce. Ele foi pai de 50 filhos, dos quais cinco o sucederam no trono da Arábia Saudita: Saud (1953-1964), Faiçal (1964-1975), Khalid (1975-1982), Fahd (1982-2005) e Abdulah (desde 2005). Até hoje, filhos, netos e bisnetos tentam imitá-lo, mas nenhum deles tem a elegante simplicidade do velho.


2. John Barrymore (1882-1942) – Dele, só não posso perdoar o insulto à cronista Louela Parsons: “Você parece uma teta de vaca velha”. Seu negócio era beber e trepar. Aos 15 anos comeu a madrasta, no caso, boadrasta. Logo depois, a mulher de Harry Thaw, milionário psicopata. Fugiu para Hollywood. Lá encontrou carne para seu apetite. Comeu Talulah Bankhead e em seguida Mary Astor, que só tinha 17 anos. Ela aparecia na sua suíte com a mãe, amante oficiosa do garanhão. Barrymore mandava a mãe tomar sol no terraço para bronzear a bundinha enquanto comia a filha no quarto. Como se vê, nada de novo sob o sol. Ele comeu quase todas as atrizes do seu tempo, bebendo duas garrafas de gim por dia. Moribundo, uma enfermeira e um padre entraram no seu quarto e ele se confessou: “Tenho desejos carnais”. E o padre: “Com quem?” E ele, apontando para a enfermeira: “Com ela.”


3. Gabriele D’Annunzio (1863-1938) – Fascistão, com muita honra, feio, careca, baixinho, poeta, grande escritor, piloto e o maior herói da aviação italiana durante a I Guerra Mundial. Casou-se com a riquíssima filha do duque Galleses e se dedicou a dilapidar toda a fortuna da moça. Teve mais de mil amantes, mas não descuidava do dever de casa. Enviuvou, virou herói e deitou na cama enquanto o mulherio fazia fila do lado de fora do seu castelo. Feministas, atenção: ele tratava mal as mulheres e jamais aceitou a possibilidade de que tivessem cérebro. Só saía da cama da escritora Eleonora Duse para dar uma bimbada com uma fã mais afoita. Apesar de ser muito influenciado pelo simbolismo francês, por Richard Wagner e Friedrich Nietzsche, não conseguiu convenceu a atriz francesa Sarah Bernhardt a liberar o marquês de rabicó. “Aquele baixinho tem olhos de bosta”, reagiu a diva, indignada. Uma injustiça!


4. Faruk I (1920-1965) – Rei do Egito de 38 a 52, seu título completo era “Sua Majestade Faruk I, pela graça de Deus, Rei do Egito e do Sudão, Soberano da Núbia, do Curdufam e de Darfur”. O soberano, que pesava 136 quilos, passou nas armas mais de mil mulheres. Tinha 100 automóveis todos vermelhos. Nobre, proibiu carros dessa cor no país para não ser aporrinhado por excesso de velocidade. Comia 24 ovos pela manhã, 20 lagostas no almoço e um leitãozinho no jantar. Nos intervalos, bombons de chocolate. Tinha bom coração, mas era temperamental. Quando morreu seu coelhinho, esmagou um gato contra a parede. Ao ser derrubado por seus súditos mal-agradecidos, influenciados pelo oficial militar Gamal Abdel Nasser, declarou: “Logo só teremos quatro reis e uma rainha: o de paus, copas, ouros, espadas e Elizabeth”. Além de tudo, poeta.


5. Porfírio Rubirosa (1909-1965) – Exemplo de tenacidade e trabalho. Nasceu no khu do mundo – República Dominicana –, baixinho, pernas tortas, nariz achatado, foi o maior gigolô do século e morreu milionário. Tinha tudo contra ele e só duas coisas a favor: a burrice do mulherio e a pemba de 28 centímetros que obedecia ao comando. Sofisticou-se como contínuo da embaixada do seu país em Paris. Voltou para casa onde, graças à jeba, casou-se com a filha do ditador Trujillo, Flor de Oro. Quem mais, numa terra de mortos de fome? Corneou muito a florzinha e ela pagou na mesma moeda. Separaram-se. Trujillo não mandou castrá-lo. Disse: “Você é um filho da puta safado, mas fez nosso país aparecer na mídia mundial”. Foi para Paris durante a guerra e comeu a atriz Danielle Darrieux, considerada a mulher mais bonita da França. Os alemães o enjaularam e Danielle, para libertá-lo, deu para meio comando invasor. Depois disso, casou com a bilionária Betty Hutton e com minha ex-namorada Odile Rodin. Um gentleman.


6. Mae West (1893-1980) – Não comi a mulher mais comida do mundo. Ela fazia na tela o que alguns poucos, hoje em dia, ainda fazem em casa. Em sua biografia declarou que um cidadão chamado Ted a comera durante 15 horas sem tirar de dentro nem para fumar um cigarro. Mae West costumava dizer que quando era boa, era muito boa, mas quando era má, era melhor ainda. Na tela, além de liberal, sensual e sempre independente, parecia um mulherão. Na verdade, tinha 1,52m de altura, que ela, como boa perua, compensava com um salto de 18 cm. “Claro que meu amante pode confiar em mim. Eu disse a ele que centenas já confiaram”, explicava. “Já estive em mais colos do que um guardanapo”, garantia. “Garotas boas vão para o céu, as más vão para todo lugar”, filosofava. Mas se Mae foi comida por mais tempo, sua coleguinha Clara Bow foi comida por mais gente ao mesmo tempo: todo o time de futebol da UCLA, reservas incluídos. Ao todo, quarenta armários em doze horas. A isso chamo feminismo e espírito de missão.


7. Ibrahim Sued (1924-1995) – O saudoso “Meio-Dia”, creiam-me, não aparece na lista porque brasileiro ou cronista social, mas porque sempre foi meu ídolo. Semi-alfabetizado, é verdade, mais ainda fotógrafo novato de O Globo, já comia a bela atrizinha Elaine Stewart. No papel de intelectual, criou pérolas filosóficas como “ademã que eu vou em frente”, “cavalo não desce escada”, “Sorry periferia” e tantas outras. Entre suas conquistas mais famosas estava a socialite mineira Ângela Diniz, conhecida como a Pantera de Minas, depois assassinada pelo playboy Doca Street. Foi amigo dos grandes homens do seu tempo: Roberto Marinho, Castello Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel, Roberto Campos, João Batista Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique. A rainha da Inglaterra lhe beijava as mãos. Querem mais?


8. Aristóteles Onassis (1906-1975) – Bela alma e portador de uma jeba de 27 cm, como gostava de alardear, entrou na história por suas duas obsessões: dinheiro e mulheres. Gostava tanto de ópera que passou 20 anos comendo Maria Callas. Casou aos 40 anos com Tina, uma menina de 17, que, atenção para o detalhe, era filha de Livanos, o maior armador do mundo. Juntaram os trapos, em 1946, e com ela teve seus dois filhos, Alexander e Christina, mas traía a mulher publicamente com centenas de atrizes hollywoodianas. Quando descobriu, Tina pediu o divórcio. Onassis se divorciou em 65 e em 68 casou com Jacqueline Kennedy, dama extraordinária que só gozava à vista de um diamante. Pagava-lhe um milhão de dólares mensais para pequenas despesas. Um dia, na hora de comer a Jacqueline, ela alegou dor de cabeça. Preparava-se para chutá-la quando morreu. Um santo.


9. Idi Amin Dada (1924-2003) – Um pouco temperamental. Está entre os meus dez por ser um grande poeta e por ser crioulo, pois não sou racista. Apelidado de “Bug Daddy”, ganhou a reputação de ser uma pessoa perigosa e imprevisível, que extraiu das humilhações de sua infância a justificação de seu temperamento megalômano, vingativo e violento. Passou nas armas mais de mil e quinhentas mulheres. Ordenou assassinatos em massa e aprisionou os opositores. Dizimou as tribos hostis e instaurou pelotões de execução. Estima-se que entre 100 mil e 300 mil ugandenses tenham sido torturados e mortos durante o regime do ex-ditador, que costumava jogar os corpos no rio Nilo. “Guarde a sua calcinha”, disse para a então primeira-ministra de Israel, Golda Meir, para provar que não tinha medo de baranga.


10. Eu, Cesário Camelo, o Cecezinho das Candongas, naturalmente, com mais de 10 mil lebres abatidas no currículo, e last but not least, Fran Pacheco, o garanhão da rua Morgue. Pelo menos até a década de 30.

A Terra dos Homens, o Reino dos Céus


Por Ivan Lestat (*)

Nunca tinha ouvido falar em Manaus até ser abduzido por um misterioso senhor circunspecto chamado Fran Pacheco e vir parar aqui, nesse fim de mundo, num tal de Club dos Terríveis. A cidade, segundo ele, Fran Pacheco, o misterioso senhor circunspecto, queria ser Liverpool, não um porto de lenha. Acabou se transformando em uma mistura indigesta de Caruaru e Calcutá. As indiazinhas, porém, são bem apetitosas. Vou custar um pouco a me adaptar a esse cemitério São João Batista, o que não é novidade.

Mais de 30 anos de Londres e eu só podia afirmar que minha vizinha do andar térreo morava sozinha, envelhecera muito mais do que eu neste espaço de tempo, tinha uma diarista irlandesa e, na primavera, ficava mexendo e cuidando do jardim da casa vitoriana de três andares que compartilhávamos. Nos dávamos bom dia, boa tarde e boa noite. Comentávamos que o tempo estava bom ou ruim. Só.

Nada posso dizer também sobre meus companheiros diários de metrô. A não ser que a maior parte lia seus jornais de pé à perfeição sem incomodar o semelhante. De resto, a Inglaterra era o que se passava em torno de mim e de que conseguia captar apenas a mais ínfima das partes. Não me sentia diminuído com isso.

De volta ao Brasil depois de 40 anos (Manaus é Brasil, correto, Fran? Você não me trouxe para alguma cidadezinha de merda da Bolívia, confere?) e que posso dizer de meu país e conterrâneos? Que um e o outro são cheios de contradições. Que era engraçado e que era triste, que era bom e que era duro. Mais ou menos o que qualquer pessoa viva pode dizer do que se passa com ela e aquilo que a cerca. Não importam latitude e longitude, língua ou sotaque. Nós somos o mais simples dos mistérios. Ou pelo menos gostaríamos que assim fosse.

Mas não era sobre isso que eu queria falar. Era sobre uma menina chamada Anna Climbies, de 8 anos, que morreu em consequência de maus tratos. Natural do Alto Volta, chegou a Londres em 1998 para ficar com uma tia-avó. Os pais esperavam uma vida melhorzinha para a filha. A tia-avó esperava uma vida melhorzinha para ela mesma: benefícios, segurança social. Não conseguiu. Com o namorado, por exasperação, pura maldade, sabe-se lá o quê, passou a infligir o mais horrendo, o mais indescritível tratamento à menina.

Quando seu corpo foi examinado, o legista encontrou 128 ferimentos. O legista disse que nunca vira nada pior em sua vida. Queimadura com ponta de cigarro, cicatrizes de surra com corrente de bicicleta, com cinto e fivela, com cabide. Sinais de marteladas nos pés. O sistema, toda a imprensa noticiou, falhou. Falhou o serviço social, falhou a polícia, falhou o sistema de saúde. Condenados à prisão perpétua, a tia-avó e o namorado viraram caso de polícia.

As outras agências acabaram – como é o correto – sendo questionadas. Todo mundo queria saber como é que as coisas chegaram ao ponto que chegaram. Havia uma dimensão brasileira no caso. A tia-avó de Anna Climbies levou a menina, uma semana antes de sua morte, à Igreja Universal do Reino de Deus a fim de ser exorcizada. A tia-avó acreditava que a menina estava possuída pelo demônio. Uma das propostas básicas da igreja de Edir Macedo é a de que as doenças são causadas pelo demônio e podem ser curadas com orações.

A Igreja Universal falhou à tia-avó de Anna Climbies, que, em meio à congregação, berrou que as preces de nada adiantaram. Acrescentou que iria comer vivo todo mundo presente. Na sexta-feira, 25 de fevereiro de 1999, a menina foi levada pela tia-avó de novo à Igreja Universal do Reino de Deus a fim de ter o espírito imundo expulso de sua alma.

A menina estava gelada, molhada e muda. O pastor sugeriu que Anna fosse levada ao hospital mais próximo, no caso, o do Norte de Middlesex. Na mesma manhã, a menina morreu no hospital. A tia-avó, depois da morte da menina, ainda queixou-se ao pastor de que, mesmo morta, Anna ainda a atormentava.

O que pode ser apurado foi apurado. O que pode ser remediado foi remediado. A Igreja Universal continua com mais de 10 mil fiéis em Londres. E, já há tempos, comprou um cinema e uma estação de rádio do dono da Harrod’s.

Até hoje ainda não surgiu uma explicação plausível para o fato do representante de Edir Macedo na Grã-Bretanha ter sugerido um hospital para Anna Climbies e, além do mais, ter chamado um táxi. Que milagre mais vagabundo é esse?


(*) Ivan Lestat morreu há quatro anos, em Londres, mas ainda não sabe. Culpa do vampiro Lestat de Lioncourt. Ou do vampiro Armand. Ou da escritora Anne Rice. Ou do Fran Pacheco. Ou de ambos.

Bestialismo: aprenda sobre ele e fique longe


Vocês já ouviram falar de bestialismo? Se não ouviram, tenho certeza de que o significado da palavra não é nada desconhecido: a prática sexual com animais. Ovelhas, cachorros, cadelas, cavalos, cabras, vacas, pôneis malditos… É uma lista imensa de mamíferos explorados pelo homem. (no ABC do Sexo, do Fausto Wolff, aqui publicado, há um bom verbete sobre o assunto)

Um tabu, desde a civilização mesopotâmica, o bestialismo é considerado um crime hediondo em muitos países e já matou pessoas. Não se lembram do homem que morreu depois de transar com um cavalo? Aconteceu em 2005. Ele foi a um sítio especializado em zoofilia e se deu mal: o cavalo destruiu suas vísceras.

Originalmente, o ato de comer animais metaforicamente era proibido pelo temor de que, da união pouco convencional, nascesse um produto híbrido do que se convencionou chamar de um coito impuro. Quem duvidar, vá pegando sua vaquinha e veja se depois de alguns meses não aparece um minotauro...

De acordo com as leis inglesas, o bestialismo é uma subdivisão do coito anal, pois fala em “relações anormais com homens e animais”. Outros países, porém, fazem uma distinção mais precisa entre a chamada internação marmotal e o bestialismo. Baseiam-se em antigas leis judaicas (Levítico 20: 15-16) que dividem o bestialismo do incesto e do homossexualismo.

O bestialismo sempre foi ilegal, mas nunca deixou de ser popular. Na maioria dos casos, homens e mulheres comem (ou são comidas) por animais domésticos, estilo gato angorá, cavalo, boi, cabrito, galinha, etc.

Na Roma antiga (e ainda hoje em Hamburgo) mulheres costumavam introduzir na vagina cobras vivas, cabeça primeiro. Outras punham rabos de peixes vivos e havia ainda as que passavam mel na vulva para atrair moscas que, enquanto comiam o mel, as levavam ao orgasmo.

Na China, o bicho preferido pelos taradões sempre foi o ganso. Comiam o rabo do ganso e na hora da ejaculação cortavam a cabeça dele que, ato contínuo, contraía o esfíncter, o que prolongava o gozo.

Os árabes, ainda hoje, não consideram perfeita uma viagem a Meca se, no caminho, não executarem o camelo.

Em algumas vilas na Índia é de bom-tom comer Deus, no caso, um babuíno, ou melhor, os homens comem a deusa babuína Shita e as mulheres dão para o deus babuíno Hanuman.

Na Roma de Tibério valia tudo: o próprio Estado organizava orgias com mulheres, touros, cavalos, ursos, girafas, porcos, hipopótamos e até rinocerontes.

Os esquimós contam um caso de bestialidade (e levando em conta o comportamento dos políticos brasileiros, não há por que duvidar): milhares de anos atrás, uma mulher se recusava a ter relações sexuais com os homens. Foi então expulsa para uma ilha onde trepou com cachorros. Desta união nasceram os homens brancos que, antes, não existiam.

Bestialista, ainda, de mão cheia foi Zeus ou Júpiter, que comeu Leda na forma de um cisne, comeu Perséfone na forma de uma serpente, transformou Europa numa vaca para depois comê-la onde hoje é o Bósforo (passagem do boi) e assim por diante. Só não ganhou de Adão.

É isso mesmo: o bestialismo é o desvio sexual mais antigo da humanidade. Adão comeu todos os animais do Paraíso até que deus se mancou e resolveu criar a mulher.

Confesso que nas minhas andanças pelo mundo nunca vi nada em matéria de lagostas. Sempre que eu solicitava às madames dos quatro continentes qualquer coisa do gênero, olhavam-me como se eu fosse um tarado e voltavam para suas cabritas, cachorros e vaquinhas.