sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

ABC do Fausto Wolff (Parte 55)


PAU FRIO Pé-frio, todo mundo sabe o que é: é o infeliz que alguns idiotas decidem que dá azar. E acaba dando. Pau, é óbvio, é qualquer pedaço de madeira. O pau é frio quando ainda em estado de árvore e quente, a ponto de pegar fogo, quando jogado numa lareira acesa. Existem ainda os caras de pau, facilmente reconhecíveis. Um exemplo: o presidente Sarney ao dizer “Não há corrupção no meu governo” quando deveria dizer “não há governo na minha corrupção”.
Já pau é também o mais popular dos nomes do pênis. Este verbete, porém, pretende esclarecer o leitor sobre o pau frio, e não estou falando do pau dos animais de sangue frio que, naturalmente, o têm frio.
Algumas mulheres que já foram para a cama com demônios garantem que eles têm pau frio. Jacquema Paget, do condado de France-Comté, conhecida feiticeira do século XVII na França, garantiu: “Já peguei no pau do diabo muitas vezes e era muito frio”.
Silvine de la Plaine, que foi condenada a morrer na fogueira em 1616, declarou antes de virar churrasco: “Trepei com o diabo muitas vezes. Tinha o pau do tamanho do de um cavalo e frio como gelo. Aliás, a porra também era geladíssima”.
Se o amigo conhece alguma maluquete adoradora do diabo, basta deixar o pau no freezer durante algumas horas e depois mandar ver.

PAULO IV (1476-1559) Seu nome paisano era Gian Pietro Carafa (que quer dizer moringa). Não enchia a moringa e, aliás, era caretão pacas. Vida sexual desconhecida, estabeleceu através da inquisição um papado de terror. Entra na enciclopédia sacanal porque em 1555 ordenou que as pinturas de Miguel Ângelo fossem removidas da Capela Sixtina, por considerá-las obscenas.
A galera vaticana protestou e ele se limitou a mandar cobrir as partes pudendas das figuras que apareciam peladas, inclusive a Virgem Maria.
Encarregou um discípulo de Miguel Ângelo, Giovanni da Volteira, de executar o serviço.
Volteira passou para a posteridade com o apelido de “O Braguilheiro”. Como vocês sabem, de braguilhas o Miguel Ângelo entendia.
Interessante: dos três maiores pintores da Renascença (Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci e Rafael), os dois mais feios e atléticos gostavam de mandioca e o querubim, o mais jovem, diferente e bonitinho (Rafael) comeu todas as mulheres com excessão da mãe e avó que apareceram na sua frente.
Mas, voltando ao Paulo IV: não contente com esta sacanagem em relação ao Miguelzão, em 1559, ano da sua morte, ele começou a compilar o Index Librorum Prohibitorum, uma lista de livros que os católicos não deviam ler sob risco de parar no inferno.
Desde então esta bobagem prosperou e mais de 4 mil obras entraram na lista negra, entre elas as de Balzac, Stendhal, Dumas, Sartre, Miller (Henry)e Moravia.
Em 1962, João XXIII, um sábio, declarou que os novos autores teriam uma chance de justificar seus livros e desde 1966 o Vaticano se mancou e parou de publicar a lista.

PAZZI, Maria Madalena de (1550-1591) Personagem principal de um dos primeiros casos documentados de masoquismo pra valer. A tara da moça era se jogar sobre cacto e encher o corpinho de espinhos brabíssimos. Não contente com isso apanhava um chicote e se dava surras até sangrar. Isto apenas no café da manhã.
Após o almoço frugal, implorava às outras freiras do seu convento que a amarrassem a um poste e jogassem bolinhas de cera fervente em seu corpo nu. Apesar disso ou quem sabe? por isso mesmo foi promovida a superiora das noviças e um dia foi surpreendida pedindo a uma delas que a arrastasse pelos cabelos.
Foi canonizada em 1671 e hoje é santa.
O mal que a Igreja fez à humanidade, de Adriano (século III) até a Renascença, não encontra paralelo.
E pensar que Demócrito, quinhentos anos antes de Cristo, já discutia o átomo (que quer dizer indivisível).
Me ocorreu agora, mas não tenho saco para pesquisar: se átomo quer dizer indivisível, então uma obra publicada em tomos deve significar uma obra dividida, não é mesmo? Verifiquem.
Mas voltando à Santa Maria Madalena dei Pazzi: pazzo em italiano quer dizer maluco.
No Brasil tivemos um ministro, por sinal dos menos loucos, durante a corrupção de Sarney, que se chamava Pazzianotto. Não quer dizer nada.
Se fosse Pazzianota, seria loucura conhecida. Se fosse Pazzonoto seria louco notório.

PEARL, Cora (1836-1886) Alienadinha quase até o fim da vida. Em compensação, imprimiu um espírito de missão ao seu trabalho. Cora dava. Dava e não fazia mistério numa época em que as transas de corpo eram praticadas entre quatro paredes. Seu moto era: “Raramente a sacanagem é vista vestindo farrapos”.
Pele muito branquinha, cabelos e pentelhos muito vermelhos, ela nasceu com o nome de Emma Crouch, que teve o bom gosto de mudar em tempo.
Quando decidiu dar aos quatorze anos foi logo dando para um cara que negociava com diamantes.
Diamonds are the girl's best friends, or not?
Depois de ganhar todos os diamantes que queria e depois de aprender tudo o que necessitava, ela deu um pé no rabo do ricaço e se mandou de Londres para Paris.
Lá ela se especializou em dar festas para a aristocracia e a burguesia endinheiradas. Nesses banquetes a comida era ela.
Os taradões pagavam uma grana altíssima para vê- la tomar banho sobre uma mesa dentro de uma banheira de prata cheia de champanhe, brut, evidentemente. Depois os calhordas bebiam o champanhe com um pouco de mijo da nossa Cora.
As cortesãs francesas, irritadas com o êxito da inglesinha na terra delas, fizeram de tudo para suplantá-la. Martha de Vere, por exemplo, foi servida no Plaza toda embebida em molho de camarão, mas não obteve o mesmo sucesso.
Com o advento da can-can, Cora começou a dar exibições dessa dança em seus salões para uma plateia exclusivamente masculina. Tudo igualzinho às cancaneuses profissionais, só que não usava calcinhas.
Cansada de ser chamada de puta pelas mulheres dos maridos apaixonados por ela, decidiu se dedicar ao teatro e estreou em 1867 no papel de Cupido na peça de Offenbach, Orfeu no Inferno.
Quando a plateia vaiava a sua voz, que era péssima, ela simplesmente tirava as calcinhas (ou knikerbockers, ver verbete) e mostrava a bunda para os espectadores. Era boa de bunda.
Num desses espetáculos, quem viu o derrière da nossa Corinha foi Napoleão III. Viu e gostou. Aliás, gostou tanto que pediu exclusividade.
A exclusividade lhe foi concedida de 1867 até 1874, quando ela descobriu que já havia gasto quase todo o dinheiro dele.
Trocou-o por um milionário chamado Alexandre Duval, cujo capim (cerca de 1 milhão de libras) dava pra comprar dois modestos apartamentos na Vieira Souto. Ela conseguiu explodir esta grana em menos de dois anos.
Vendo que ele estava fudidão, ela o demitiu sem aviso prévio. Desesperado, ele tentou se matar na sala de estar da ex-amante que, putíssima e sem calças, comentou com os amigos:
– Porcalhão, sujou de sangue o meu tapete branco!
Moça sensível, como vocês vêem.
No auge da sua fama, os playboys (praga antiga, minha gente!) de Paris organizavam rifas. Quem ganhasse entregava o dinheiro da rifa para Cora na casa dela.
Mas eu disse no princípio do verbete que ela tinha sido alienadinha até quase o fim da vida.
É que durante o estado de sítio de Paris, em 1871, gastou boa parte da grana acumulada ajudando doentes e feridos.
Com a queda do II Império, a sorte de Cora mudou graças à bancarrota, o exílio ou a morte da maioria dos seus admiradores.
Retirou-se para uma casinha de campo, onde viveu modestamente graças a donativos ocasionais de velhos sócios do Jockey Club de Paris.

Morreu com cinquentinha dando esporádica e diletantemente. Foi uma revolucionária!

ABC do Fausto Wolff (Parte 54)


ORGASMO Vocês lembra que no fim dos anos 70, princípio dos anos 80, os gorilas da direita (hoje a coisa está mais confusa) se divertiam jogando bombas em bancas de jornais, a OAB, na Assembleia Legislativa e no Riocentro? Isso se explica, pois só conseguiam chegar ao êxtase através do terror. Pra quem ainda não entendeu: um bando de broxas que só conseguia gozar jogando bombas nos outros.
Para as pessoas normais, entretanto, muito melhor que jogar bombas é ter um orgasmo, que é como se chama o clímax feminino e masculino, embora este último seja mais conhecido como ejaculação.
E você, leitorinha, não precisa nem fumar maconha, nem ser ninfômana para ter um orgasmo.
O melhor mesmo é ir para a cama como o seu hominho. Mas, na falta de um, já conheci moças que tiveram orgasmo com o auxílio do dedo médio da mão direita, com auxílio do chuveirinho do bidê e até mesmo espirrando, andando de bicicleta, andando a cavalo e jogando tênis. E note que qualquer um desses esportes é mais saudável que jogar bombas por aí.
Eu, que manjo razoavelmente deste verbete, posso informar aos leitores mais ignorantes que seja qual for o estímulo, os sinais de que o orgasmo está para fazer sua entrada em cena são sempre os mesmos: 1) mamilos eretos; 2) lubrificação vaginal; 3) aumento da pulsação, da pressão sanguínea e da respiração.
Se você surpreender qualquer mulher nessas condições, não tenha dúvida de que ela está tendo um orgasmo.
O orgasmo normal dura entre dez e quinze segundos e se caracteriza por contrações vaginais que vão de três a doze, mais ou menos.
Embora algumas se contentem com dois ou três orgasmos no capricho, há mulheres que podem ter dezenas deles.
O recorde cientificamente provado pelo casal de tarados Masters & Johnson é de 106.
Apesar desse incrível potencial energético, 65% das mulheres só atingem o orgasmo com o auxílio do amigo dedo médio e outras nem sabem se têm ou não orgasmo.
Estas últimas têm os chamados orgasmos suaves, que não podem ser comparados com os orgasmos fortes, que fazem lembrar segundo expressão de uma amiga minha de cama e mesa as ondas batendo contra os rochedos.
É isso aí, amiguinha: quando sentir uma vontade irresistível de sacanear alguém: tenha um orgasmo. Há quem diga que ele tem a cara de Robert Morley.
P.S.: Ia esquecendo, o primeiro orgasmo feminino cientificamente comprovado ocorreu nos Estados Unidos em 1872.
O ginecologista Joseph Beck, de Indiana, estava examinando uma mulher que lhe disse: “Tome cuidado, doutor, que sou extremamente sensível e posso gozar de repente”.
Beck não esperou mais. Enfiou o dedo na buceta da mulher, rapidamente, três vezes seguidas, tendo o cuidado de passá-lo pelo clitóris.
A mulher gozou na hora e, posteriormente, o bom médico escreveu um ensaio sobre a experiência.

ORGIA Naturalmente não sou muito chegado por ter a participação de outros homens além do locutor que vos fala e homem nu é troço extremamente desagradável. As orgias a que fui convidado aqui no Rio têm sempre duas gatas pingadas e uma porção de barbados. O dono da casa fatalmente se desculpa com ar de idiota: “Não sei onde se meteram essas mulheres.Você deveria ter pintado a semana passada”. Comigo é sempre assim: a festa boa foi invariavelmente na semana passada, quando eu não estava presente.
Orgias a sério mesmo eram as patrocinadas pelos imperadores romanos. Ninguém era de ninguém e, além de comerem metaforicamente tudo o que pintava pela frente, ainda comiam literalmente clitóris de lagosta, vulvas de colibri, cérebros de macaco, línguas de flamingos, ovas de enguia, cuzinhos de pavões e outras especialidades.
A classe dominante que se divertia desse modo, uma vez de bucho cheio, vomitava sobre os escravos e recomeçava a comer. Aliás, os escravos seguravam as jebas dos sacanas para que eles pudessem mijar.
Entre os vikings, os escravos esperavam pacientemente com um vaso na mão a hora dos guerreiros mijarem para poderem beber o mijo. É que a cerveja dos vikings tinha mais de vinte graus de álcool, e mesmo depois de transformada em mijo ainda dava porre.
Esses escravos de primeira depois mijavam num jarro para que os escravos de segunda pudessem tomar seu porrinho. Troço desagradável pacas.
Segundo Sêneca, Nero, uma vez, no meio de uma orgia castrou seu namorado, um tal de Sporos.
Heliogábalo, outro imperador viado e maluquete, por quem Gore Vidal, escritor americano que trabalha no ramo, nutre profunda admiração, chegou a pensar em cortar fora suas próprias ferramentas mas acabou desistindo da ideia. Limitou-se a servir de prostituta para mais de cem convidados.
Sabe-se que Deus, quando botou o cu no homem, não foi para que ele enfiasse objetos contundentes nele. E o povo pagava impostos para essas sacanagens.
As orgias só voltaram à moda oficialmente com a Renascença, graças à família Bórgia, liderada pelo próprio papa Alexandre VI.
Uma vez César e Lucrécia Bórgia deram uma festa e convidaram o povão. Nesta festa cinquenta prostitutas foram comidas por cinquenta convidados escolhidos a dedo. O povão premiou com aplaudos as melhores duplas.
Os Bórgias eram melhores que os Ulysses, Sarneys, Rafaéis e Fernandos Henriques, que jamais convidaram o povão para vê-los beber poir.
As orgias europeias, segundo Giacomo Casanova (que não entrou nesta minha enciclopédia por ser figurinha por demais manjada), atravessaram o barroco e só pararam, pelo menos oficialmente, com a subida ao trono da rainha Vitória, baixinha, gordinha, feinha, que amava muito o marido alemão, mas não desprezava uma manga carlotinha de vez em quando.
Atualmente, uma boa orgia pede principalmente muita grana e é um luxo exclusivo da grã-finada.
Às vezes em que fui convidado, por engano, a uma dessas festas, achei tudo muito deprimente, pois estava na cara que a grande maioria das mulheres era composta de profissionais, pagas para encenar orgasmos.
Essas coisas são boas quando acontecem espontaneamente, como aconteceu na suite de conhecida atriz americana em Madri, em 1969.
Éramos quatro homens e sete mulheres. Eu estava comendo uma namoradinha italiana que fora à Espanha comigo e ela começou sei lá se por show-off ou porque estava gozando mesmo a radiofonizar seus múltiplos orgasmos.
A atriz em questão a cutucou e perguntou: “Desculpa, mas você está gozando mesmo ou está querendo impressionar?” “Estou gozando mesmo”, respondeu a moça.
E a coroa de Hollywood: “Então deixa eu ficar no teu lugar um pouquinho”.
Já disseram também que aqui no Rio, de madrugada, no Arpoador, a exemplo do que ocorria no Parc aux Cerfs, em Paris, casais motorizados se encontram em determinadas noites de lua cheia para organizarem partouses (orgias). Eu duvido. Não creio que a nova geração tenha tanta imaginação.
Para quem quiser tentar, porém, um último aviso: camisa-de-vênus no pau e cu contra a parede.

PARAFILIA Qualquer troço feito na cama que ultrapasse o papai-mamãe. Por outro lado (da cama), há quem assegure que anormal mesmo é o papai-mamãe. Parafilia é, portanto, um desvio sexual (no sentido de desviar-se do caminho preestabelecido pela ética moral majoritária), mas tem muito parafilista que moita sobre as suas parafilias. Alguém conhece alguma senhora com menos de sessenta e mais de quinze que já não tenha se imaginado num filme como a mocinha, ou seja, a principal felatriz? Troço perigoso porque mexe com hipocrisia.
A maioria dos parafilistas não faz mal a ninguém. Meu falecido amigo Ronald de Chevalier, grande matemático e poeta gongórico, comentou comigo há alguns anos sobre um seu vizinho que pagava as moças da boate Bolero, da avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, para se vestirem de freiras e lerem em voz alta as atas da Academia Brasileira de Letras enquanto ele descabelava o palhaço. Ele fornecia os hábitos, as atas, o chá com torradas e os cachês.
Tem parafilistas que gostam de cortar pedaços de vestidos de mulher em lugares cheios de gente. Outros roubam calcinhas (aí já entramos no ramo do fetichismo ver verbete , que é uma forma de parafilia das mais comuns) estendidas nos varais dos quintais de subúrbio.
A cleptomania é, talvez, a forma mais popular de parafilia e vejam vocês, leitorinhas que me honram com os olhos cheios de lascívia 90% dos cleptomaníacos são cleptomaníacas. Mulheres às vezes ricas, que se arriscam a sofrer os maiores vexames roubando besteiras como tesourinhas, batons, vidros de esmalte nas Sears, Mesblas e C&A da vida.
Duas atrizes famosas dos anos 30-40, Verônica Lake (amor da minha vida) e Hedy Lammar, foram apanhadas em flagrante roubando bijuterias. Coisa mais triste: segundo a maioria dos sexólogos, depois do roubo, em casa, se masturbavam, pensando no risco que haviam corrido. Chato, né?
Mesmo velhinhas, na época em que isto aconteceu, quinze anos atrás, elas poderiam ter apelado para o ardoroso fã que ora escreve estas mal bolinadas letras.
Com o objeto roubado nas mãos, elas se masturbam. Atingido o orgasmo, a quinquilharia é jogada fora e a paz volta à região da vulva como o arco-íris depois de uma tempestade.
A parafilia é uma árvore cheia de ramos. Um dos ramos mais habitados é o que trata dos malucos chegados à uma deformidade física. Eu disse malucos? Besteira minha. O que seria dos manetas, das pernetas, dos caolhos e das berruguentas sem esses heróis e heroínas?
Em Amsterdam, há cinco anos, meu primo Johann von Wolffenbüttel me disse que vem aumentando na cidade os bordéis para parafilistas. Neles as profissionais, mais do que trepar, têm que demonstrar talento histriônico.
Tem a moça especializada em jogar tortas na cara do freguês até ele gozar. Tem a outra que, com os seios ao ar livre, corta as unhas do cliente. E tem até mesmo uma professora de latim, que toma os verbos de um banqueiro que erra propositalmente para ser posto de castigo: nu com um boné em forma de cone na cabeça, onde se pode ler a palavra “burro”.
Daqui a algum tempo, parafílico mesmo será o ato sexual responsável praticado por mim que vos escrevo e por vós, maníacos sexuais que me lêem.
Uma parafilia que está virando moda entre escritores menores é a de tratar os leitores na segunda pessoa do plural, como adoram fazer os maus tradutores de Shakespeare, Johnson, Marlowe e outros menos votados.

Calma, esperem um pouquinho... não digam nada... gozei!

ABC do Fausto Wolff (Parte 53)


OBSCENIDADE Para mim obsceno é dono de supermercado, que paga salário mínimo para as caixas, explicar na televisão por que precisa aumentar o preço dos gêneros de primeira necessidade. Mas a definição mais razoável, embora longe de ser exata, é a seguinte: tudo aquilo que é ofensivo à decência e capaz de corromper pessoas que entrem em contato com a matéria quer lendo, vendo ou ouvindo.
Troço tão hipócrita que O Poço da Solidão, clássico do lesbianismo de Radcliff Hall, foi proibido por causa da frase “E aquela noite elas não se separaram”.
Em 1933, pela primeira vez desde o princípio da era industrial, o juiz norte-americano Augustus Hand acabou com esta bobagem de julgar frases fora do seu contexto e disse: “Maníaco sexual é quem tem paciência de procurar obscenidades em Ulysses, gigantesca obra de Joyce”.
O célebre professor Samuel Johnson (1709-1784), logo após a publicação do seu Dicionário da Língua Inglesa, teve que ouvir de duas velhas: “Como foi que o senhor pôde publicar tantos palavrões?” E ele: “Como foi que as senhoras foram correndo procurá-los?”
Em verdade eu vos digo, leitores, não tem nada mais sujo que a cabeça de um puritano.
Pessoalmente, como vocês estão carecas de saber, sou favorável à pornografia ao alcance do povo, privilégio até alguns anos atrás acessível somente à classe dominante.
Nego compra uma revista dessas que tem aos montes em qualquer banca, bate uma punheta num W.C. qualquer e não pensa mais em matar o presidente da UDR, por exemplo.
Cedo, porém, o povão não vai ter mais grana pra comprar revistas de sacanagem: fome de comida, bebida e sexo, terá que explodir de algum modo lá pela avenida Vieira Souto, de preferência.
Se sacanagem transformasse alguém em tarado, aquela dona Solange que foi presidente da Censura Federal estaria maluquinha, pois passou anos vendo pornochanchadas nacionais e estrangeiras...
Mas agora, falando sério: é óbvio que muito malucão lê literatura pornográfica, mas muita senhora do society também lê, e como! Apesar disso, o único crime que essas damas cometeram até agora foi não aumentar o salário dos seus serviçais.
E os maníacos sexuais? Terão sido os livros, filmes, revistinhas de sacanagem que os piraram?
Os americanos realizaram uma pesquisa para saber quais os livros que o público considerava sexualmente excitantes.
Uma senhora teria respondido: A Ascensão da República Holandesa, troço que também não entendi, pois a Holanda ainda é uma monarquia.
Nego ou nega a perigo se assanha até lendo catálogo telefônico.
O Dr. Murilo Pereira Gomes, que foi um dos melhores psiquiatras deste país (morreu, naturalmente), me contou que uma vez mostrou a um paciente as fotos de um Volkswagen, de uma manicure, de uma bandeira do Brasil e de um prato de tomates em rápida sucessão e pediu-lhe que lhe dissesse o que elas sugeriam. O paciente não teve dúvidas: “Sexo, sexo, sexo, sexo”.
Quando Murilo sugeriu delicadamente que ele estava obcecado com sexo, o cara quis virar a mesa:
– Então o senhor me mostra essas fotos de sacanagem e eu é que sou tarado?...

ONANISMO Onan não era onanista, mas esta bobagem pegou. Personagem bíblico, ele teria nascido uns 1.700 anos a.C. Mal havia completado vinte anos e seu pai, Judah, o obrigou a casar com Tamar, mulher do seu falecido irmão Er. Esta porra de Onan, Judah, Tamar e Er está parecendo palavra cruzada. Mas voltando ao boi quente: como Er não tivera filhos com Tamar, Onan teria que fazer filhos nela. Eles, porém, seriam considerados filhos de Er e receberiam o seu patrimônio. 
Eu também não entendi bem a história, mas parece que Onan estava gastando a grana de Er e se tivesse filhos com a viúva dele, esta grana passaria para eles. Pode não ser verdade, mas faz sentido.
Verdade é que todas as noites Onan comia Tamar, que era boa pacas, mas na hora de gozar tirava o paranaguá da caravalha e gozava no chão. 
Isso, qualquer idiota sabe, não é masturbação, mas coitus interruptus
Apesar disso até hoje os masturbadores (a humanidade inteira, com exceção de uns poucos maníacos sexuais) são considerados membros do fã-clube de Onan.
Onanismo virou masturbação e masturbação é qualquer forma de auto-estímulo com o objetivo de atingir o orgasmo.
Durante séculos se acreditou que punheta causava cegueira, loucura, impotência e outros males. Posso garantir a vocês que isto é uma mentira: William Shakespeare, Marilyn Monroe, Coufúcio, Jaguar, Homero, Mercedes Benz, Napoleão, Ziraldo, a rainha Vitória e aquela moça que está passando agora eram e são chegados a uma bronha.
O máximo que aconteceu com eles foi verem nascer pêlos nas palmas das mãos. Digo mãos porque tem muito malandro que também vai de canhota.
O que tem de cafumango que vive trancado no dejetório botando os cinco a lutar contra um, não está na revista Letras em Marcha.
Gostam tanto do esporte que chegam a ponto de apresentar a mão direita lá deles como “minha patroa” e esporadicamente a esquerda como “a filial”.
Sobre este diálogo manual ainda escreverei uma peça de teatro em cujo final a mão direita, irritada com as traições do marido, acaba por cortar a esquerda. Desesperado com a morte da amante, o marido pede a um amigo que lhe decepe a mão direita, ou seja, que mate a esposa. Finalmente, ele, de acordo com a origem semântica da palavra, pode bater uma punheta (de punhos) sem ser aporrinhado pelas mãos.
Mas agora falando sério: deixem seus filhos se masturbarem que não faz mal algum, pelo contrário. Segundo Kinsey (ver verbete) há crianças que se masturbam já aos cinco, seis meses de idade. Aliás, o leitor que não sabe como socar uma bronha não deveria estar lendo o meu ABC.
Mas talvez os marmanjos devessem saber que a mulher atinge o orgasmo estimulando a área ao redor do clitóris, pois este, na maioria das vezes, é tão sensível que um contato direto e contínuo com o dedo pode causar mais irritação que prazer. Não vai à la louca, portanto, ô bucéfalo!
Dizem que as mulheres se masturbam menos que os homens. Chute puro! E que muitas não consideram autogratificação o chuveirinho do bidê, o travesseiro entre as pernas, o esfregar uma coxa contra a outra.
Já homem, tem muito principiante que não gosta da punheta tradicional e enfia o pau em gargalo de garrafa. Troço burro e perigoso, pois pode parar a circulação do sangue.
Melhor e mais seguro é fazer um buraco num melão, numa melancia, num quilo de fígado (pra quem é rico), num mamão, sempre que haver mamão-fêmea.
Existem uns caras bem-dotados ou contorcionistas que conseguem autofelaciar-se. Não acredito que o trabalho compense.
Conheci muitas mulheres que se consideravam frias até conhecerem o orgasmo através do noivo.
Do noivo de matéria-plástica, com baterias por dentro, chamado Vibrador da Silva, é supérfluo esclarecer.

ONASSIS, Aristóteles (1906-1975) Do filósofo só tinha o primeiro nome. Nunca se interessou, realmente, pelas letras. Conhecia algumas óperas e isto apenas porque durante muitos anos comeu a famosa soprano, grega como ele, Maria Callas. Em verdade, preferia os números, aqueles que aparecem nas notas de dólar.
Um dos seus biógrafos biografia escrita quando o armador ainda vivia disse que ele era bonito quando rapaz. Chute: sempre foi baixinho, gordo e meio vesgo.
Outro chute: teria nascido pobre. Conversa fiada, seu pai era um próspero negociante grego em Esmirnia, na Turquia. Negociava com cigarros.
Em 1922, porém, os turcos acharam que havia muitos gregos em seu país e expulsaram entre outros a família de Onassis.
Foi assim que ele deu com seu 1,55m de altura em Buenos Aires, onde deve ter pensado: “Tenho um pau grande e muito tesão, mas com esta cara não vou muito longe”.
Roubou pacas e com vinte e cinco anos já era um milionário, graças aos seus investimentos, principalmente em petroleiros.
Dizem, mas não provam, que comeu sua professora de francês, quando ainda adolescente. Provavelmente seu pai tratou de pagar a francesinha para iniciar o filho nas artes fodais.
Com muita grana no bolso acabou em New York nos anos 40, ocasião em que fudeu tudo que tinha saia, livrando apenas a cara de padres e escoceses.
Mas fudeu, principalmente, sua amante de 1,85m, a louríssima Ingeborg Dedichen, jantar para mais de cem talheres, como diria o Sergio Porto.
Com Ingeborg fez de tudo, chupava-lhe os dedos dos pés, aplicava-lhes surras incríveis e um dia chegou a peidar na sua cara enquanto ela examinava o seu rabo para ver se ele tinha hemorróidas.
Como sempre teve um amor puro e desinteressado por dinheiro, se casou aos quarenta anos com uma menina de dezessete mas... atenção para o detalhe: ela era Tina, filha de Livanos, juntamente com Onassis, o maior armador do mundo na época.
Juntaram a grana, fez dois filhos em Tina: Alexandre e Cristina, mas nem por isso deixou a cama da Callas.
Em 65 se divorciou da mulher e casou em 68 com nada menos que Jacqueline, a viúva de John Kennedy.
Como já disse no verbete referente ao ex-presidente americano, Jackie tinha orgasmos quando via grana, e grana era coisa que Onassis tinha demais. Ainda assim ela se precaveu: fez um contrato pré nupcial com o armador que incluía mais de cem itens, entre os quais 1 milhão de dólares mensais para pequenas despesas, quartos separados e nenhuma obrigação de engravidar.
Sempre que queria fuder com Jackie, ela dizia: “Estou com dor de cabeça, Ari”.

Cedo ele encheu o saco e chegou a pensar em se divorciar, mas os deuses já tinham decidido que ele havia fudido o suficiente e o carregaram para o inferno onde seu dinheiro não lhe valeu de nada.

ABC do Fausto Wolff (Parte 52)


NINFOMANIA Muito melhor e mais excitante que jogar bombas no Riocentro, cobrar empréstimo compulsório (que burrice: ou é empréstimo ou é compulsório) de quem quer viajar de avião ou impedir eleições diretas, é ir para a cama com uma ninfômana ou ninfomaníaca. Caso o leitor seja uma leitora, também aconselho unir a prática da ninfomania à de dar chás de caridade e depois embolsar a grana dos mongolóides.
Sofre de ninfomania a mulher que tem um desejo sexual insaciável. É a popular “quero mais”.
Embora abundem na literatura pornográfica e na cuquinha dos descabeladores de palhaços, as ninfômanas são raras na vida real (esse troço aí, que vocês vivem) e há psiquiatras que acham que elas não existem.
Os maridos que se queixam das respectivas mulheres que querem ser comidas mais que duas vezes por semana na verdade estão se queixando da própria incompetência.
Se a História é algo mais que uma istória, então há casos bem documentados de mulheres com muito apetite. Messalina, Cleópatra, Júlia, Mata Hari, que já lhes apresentei, e Ninon de Lenclos, cortesã do século XVII que esqueci de colocar na letra “L” (foi comida por monsieur de Sevigné aos trinta e seis anos, pelo filho do marquês de Sevigné quando tinha sessenta anos e, finalmente, pelo neto do marquês de Sevigné quando tinha setenta e seis anos), são apenas uns poucos exemplos. Mas nada mau o apetite de Ninon, hein?
Há quase vinte anos eu comi uma atriz americana que pintou aqui para o carnaval. Depois de horas de exercício carnal no Copacabana Palace, quando eu, finalmente, pedi arrego, ela disse que ia sair por aí. Perguntei-lhe o que pretendia fazer e ela: “Dar mais, ora!”
Pintou três dias depois com o corpo cheio de equimoses e um ar de indescritível felicidade no rosto. Foi logo dizendo: “Vou dormir um pouquinho e logo recomeçamos”.
Loura, tinha uma carinha de anjo. Como ainda está viva e é uma coroa boérrima de seus cinquenta anos, dou apenas uma dica: trabalhou num filme de Joshua Logan com Willian Holden e noutro do Alfred Hitch com o James Stewart. Me confessou depois que havia aberto as pernas para uns trinta desconhecidos em dois dias.
Bons tempos aqueles em que o perigo era a gonorréia!
Outro caso está documentado no livro do insider Colin Wilson, Origens of the Sexual Impulse: há alguns anos em New York, uma jovem foi flagrada pela polícia na rua, convidando homens a irem para a cama com ela. Se livrou da cana pois provou que não estava pedindo dinheiro. Só queria mesmo fuder. Não conseguiu, porém, se livrar da comissão de psiquiatras à qual informou sofrer de TG, ou seja, tesão galopante.
Tudo teria começado alguns meses antes, durante a sua noite de núpcias. Depois de trepar durante horas com o marido, ele pediu um tempo e dormiu. Ela levantou da cama, se vestiu e foi até o Central Park, onde foi apanhada por um desconhecido que a levou até um motel e a comeu até o cu criar bico.
Do hotel ela saiu e apanhou mais um, mais dois, mais três, mais quatro homens (um de cada vez, naturalmente), antes de voltar para dar mais uma bimbada com o marido, que continuava dormindo. Desde então dedicou-se à pegação amadora de homens sem que em nenhum momento alguns deles tenha se negado a satisfazê-la.
E vocês, feministas, ainda se queixam, hein? Um homem que não for extremamente bonito, atlético, viril, inteligente e bem-humorado e for para rua se oferecer às mulheres, o máximo que conseguirá será uma porrada nos xornos, como se sabe, bem mais dolorida que a porrada nos cornos propriamente ditos.
Mas voltando à ninfômana de New York: quando os psiquiatras perguntaram se ela havia deixado o tálamo (gostaram?) nupcial porque a relação com o marido não a satisfizera, ela respondeu negativamente: “Gostei tanto que quis repetir”, frase esta que acaba com a teoria de que as ninfômanas são mulheres frias que perseguem o orgasmo inutilmente.
Cheguei, portanto, à conclusão que ninfômana é apenas uma mulher que gosta de fuder mais do que as outras.

NOIVADO Antigamente acontecia ou no dia do casamento ou no dia em que o rapaz se comprometia em casar com determinada moça. Como símbolo do seu propósito dava a ela um anel que ela usaria na mão direita até o dia do casamento, quando o colocaria na mão esquerda. O noivo, por sua vez, faria o mesmo com outro anel que ele, naturalmente, comprara. O pai da noiva arcaria com as despesas da cerimônia religiosa e da recepção posterior.
Havia o noivado e a noiva geralmente era virgem, ou pelo menos tinha o hímen intacto. Depois apareceu a pílula, o women's lib e a mulher disputando o mercado de trabalho com o homem.
Pelo menos entre a burguesia, então o noivado e a virgindade caíram de moda como gravatas no escuro de uma noite quente de verão.
Depois, sem ser convidado, surgiu a AIDS e tudo leva a crer que teremos novamente a virgindade e o noivado.
A tradição do noivado, embora hoje em dia resista apenas no interior e nos subúrbios pobres das grandes cidades, é antiga.
Os colonizadores ingleses que chegaram à América, depois de brutalizarem as índias, sentiram saudades das mulheres da sua terra e mandaram buscar noivas na loura Albion. Pois, segundo um passageiro que estava a bordo de um navio inglês com destino à Carolina do Norte, das sessenta noivas que viajavam para a América, vinte e quatro eram renomadas prostitutas.
Assim começou boa parte das famílias dos pais da pátria americana.
Não se preocupem que entre nós aconteceu a mesma coisa ou pior. Milhares de holandeses noivaram em Pernambuco no fim do século XVII, mas os cartórios não registram um único matrimônio entre uma brasileira e um holandês. Cês já viram como tem pau-de-arara com olhos verdes? Principalmente críticos literários.
Hoje em dia as coisas estão mais fáceis. O pessoal noiva até pela TV.
Mas quando Hellen Morrison, solteirona de Manchester, Inglaterra, botou um anúncio estilo correio sentimental, pedindo noivo no Manchester Weekly Journal, o prefeito da cidade mandou interná-la num hospício por quatro meses para tomar vergonha.
Já as portuguesas até hoje ainda anunciam em muitos jornais: “Santo Antônio do Amarante, valei-me que bem podeis/ Já tenho teias d'aranha naquilo que bem sabeis”.
Em algumas sociedades, noivado se confunde com pedofilia legalizada.
Na Índia, por exemplo, desde tempos pré-cristãos que as meninas noivam e casam muito cedo. Um recenseamento em 1964 mostrou que existiam 60 milhões de meninas na Índia com menos de quinze anos e dessas, mais de 8 milhões e meio estavam casadas. Entre mil crianças com menos de cinco anos, quinze já estavam casadas ou viúvas. Havia pelo menos 400 mil crianças viúvas com menos de quinze anos e que, segundo a lei, não poderiam se casar novamente.
Maomé, se sabe, teve muitas mulheres, mas a mais moça, com quem ele manteve relações sexuais, foi uma noiva de seis anos.
Não foram poucos em todo o Oriente, os casamentos entre bebês, para preservar as fortunas dos pais. O Deus Grana sempre fala mais alto. Mais alto que o Deus Brahma e o Deus Grapette.
Quem está pensando “Esses orientais são uns selvagens”, pode tirar o pensamento da chuva e se ilustrar um pouco. Até o meio do século XIX era muito comum a venda de noivas em pleno centro de Londres. Os preços variavam de uma uma a vinte libras e mais meio barril de chope.

NUDISMO Mulher nua vicia mais que álcool, maconha, cocaína, cigarro ou pôquer. Eu já devo ter visto mais de mil e ainda não consegui enjoar. E é sempre a mesma coisa: dois seios, um triângulo cortado ao meio e um popô. Nego acabou de ver um já quer ver outro.
Aos cinco anos eu já andava rolando debaixo das mesas onde tias e primas conversavam. Nesta época fiquei horas dentro de um cesto de roupas no banheiro esperando que minha prima de dezoito anos viesse tomar banho.
A ideia de que eu estava infringindo uma lei não escrita devia estar no subconsciente, porque jamais disse a ninguém por que preferia as coxas das parentes aos jogos de bolinhas de gude com a garotada da rua.
É verdade, também, que eu mesmo não sabia o porquê da minha preferência.
Aprendi a ler muito cedo e gostava de ficar lendo meus gibis na casa de uma tia que costurava para fora e que tinha uma jovem aprendiz que não parava quieta dois minulos sem cruzar as pernas. Além disso, vinha uma porção de freguesas experimentar as roupas.
Minha tinha achou estranho “este menino que está sempre no meio das mulheres”, me dedou pra minha mãe e menos de uma semana depois, minha prima me descobriu no cesto e me dedou pro meu pai.
O velho, que estava mais para vara de marmelo que pra tratados de pedagogia, me perguntou:
– O que é que você estava fazendo no cesto?
– Tava espiando a fulaninha tomar banho.
– E por quê?
– Porque ver mulher pelada é muito bom.
Naquela noite, do meu quarto, ouvi o pai dizer pra mãe:
– Lembra daquele negócio que você me falou de estar preocupada porque o garoto só vive no meio de mulheres?... Pois não precisa se preocupar mais. Fresco o guri não vai ser.
Mulher nua, além de ser um negócio bom e saudável, é um negócio antigo. Os seres humanos e posso afirmar isso sem medo de errar fazem amor há uma pá de tempo. Vivem na terra há mais de 2 milhões de anos e já naquela época mulher nua era fundamental.
Depois de descobrir o sexo, o homem gostou tanto que achou por bem transmitir o seu prazer às gerações futuras através de desenhos, pinturas, inscrições em pedra. As representações sexuais que podem ser vistas na caverna de Combabrelles, na França, datam de 40 mil anos.
E o que é mais interessante: a posição do casal troglodita trepando não é papai-mamãe, mas a mulher de joelhos, se apoiando no solo com as mãos e o homem imediatamente atrás dela. O clássico vaca atolada.
O nu feminino, que na minha opinião desde o quinto século antes de Cristo deixou de ser um tema artístico para transformar-se numa forma de arte, do século III aos nossos tempos, com um ligeiro alívio na Renascença, foi sempre condenado.
Esta mania de que mulher nua faz mal à saúde e leva adolescentes à debilidade mental continua em vigor em boa parte do mundo e tem raízes de ordem econômica. A pornografia, se proibida, rende muito mais dinheiro.
Felizmente, no Brasil, nos últimos anos, a pornografia como nos países nórdicos já está ao alcance do bolso do povo. Passado algum tempo, a venda das revistas pornográficas diminuiu e a maioria dos cinemas que passam filmes X-rated vivem às moscas.
Aliás, não sei por que ninguém consegue fazer um filme pornográfico bem-feito. Dizem os produtores: “As atrizes negam-se a trepar diante das câmeras”. Ora, então ensaiem as putas. Se nenhuma tiver talento, existem sempre a mesa de edição, que faz milagres. A atriz beija o ator na cabeça de cima e a duble na cabeça de baixo.
Nudismo é também uma porrada de gente se reunir pelada na praia. Foi em Mykonos que estive numa praia nudista pela primeira vez. Zanzei com meu calção até que tomei coragem e fiquei pelado num canto, perto de uma rocha.
Não demorou muito uma francesinha Dominique deitou-se peladinha a uns dez metros de mim. Tive que botar o calção às pressas.
Um dia, me vendo sempre de calção, uma jovem perguntou:
– Por que você está vestido numa praia nudista?
E eu:
– Nós ainda não estamos acostumados.
Isto aconteceu há mais de vinte anos. Outro dia, porém, fui à praia em Ipanema e uma atriz da moda veio puxar papo comigo. No meio do papo, tirou a parte de cima do biquini e começamos a conversar a quatro: eu, ela e o par de peitos.

Como não sou viado nem eunuco, como ainda não sou o suficientemente broxa e como essas coisas me deixam nervoso, tirei o calção e fiquei pelado. Meio-bombão. Ela entendeu e botou o sutiã. Depois deu uma desculpa e se arrancou.

ABC do Fausto Wolff (Parte 51)


NERO (37-68) Bicha louca. Mas louca de dar nó em pingo d'água. Além disso, foi também imperador romano, aliás, o quinto da linha júlio-claudiana. Era filho de Agripina e de Domício, que comia a própria irmã, hábito, aliás, que embora condenado oficialmente, era o trivial simples da aristocracia romana. Quando Domício morreu, Agripina casou-se com o velho Cláudio (ver verbete de Messalina), que havia mandado matar sua mulher, Messalina.
Para que seu filho pudesse assumir o império aos dezessete anos, Agripina envenenou o marido.
Em público o jovem imperador até que se comportou direitinho durante uns cinco anos, embora na cama fizesse com a mamãe algo mais que o papai-mamãe. Algo como o mamãe-filhinho.
Foi quando conheceu Pompéia que, segundo Tácito, tinha todas as qualidades, menos uma: a virtude. Se a mãe iniciou-o no deboche, dando-lhe a instrução primária, Pompéia, que era alguns anos mais velha que ele deu-lhe a instrução superior.
Em matéria de sexo não houve sacanagem que os dois não bolassem e não botassem em prática.
No Circus Maximus, Nero passou a dar orgias públicas todas as noites.
Mandou construir bordéis às margens do Tevere, tendo damas da sociedade como prostitutas, hábito que, aliás, vocês devem estar lembrados, herdou de Messalina, oficializando o que todo mundo já sabia, ou seja, que as damas da sociedade eram umas boas putas.
Para mudar de tédio, saía à noite com seus assessores de porra nenhuma, dando surras em quem encontrasse pelas ruas.
Foi nesta época que passou a se interessar também por homens e começou comendo o rabo do seu irmão Britânico, a quem envenenou posteriormente.
Fez uma paródia das lutas entre gladiadores e animais selvagens. Se vestia com a pele de um leão e investia contra os países baixos de homens e mulheres amarrados a postes de madeira.
Aos vinte e cinco anos resolveu abrir o jogo e se tornou mulher de um degenerado chamado Pitágoras, cujos números eram bem diversos dos usados pelo matemático grego apaixonado por hipotenusas e catetos.
Depois da paródia pública de cerimônia nupcial, Nero (ou melhor, a esta altura Nera) foi comida pelo noivo diante do povão que se esbaldou pacas... por dentro, pois quem risse, se escandalizasse ou fizesse algum comentário considerado deselegante sobre o homem mais poderoso do mundo estar levando um salamão no brioco, era imediatamente condenado à morte, troço muito chato.
Apesar de dar mais do que chuchu na serra, Nero continuou enfatuado por Pompéia. O problema é que ele ja era casado com Otávia, a quem odiava, e ela também tinha marido. Além de tudo, Agripina era contra.
O que foi que ele fez? Mandou esfaquear a mãe-amante e depois foi olhar as vísceras dela para ver de onde havia saído. Daí a origem da palavra que dá nome à operação cesariana. E dizer que, por muito menos, Édipo arrancou os olhos e foi passear no deserto.
Para se livrar de Otávia, Nero inventou que ela o corneava e se divorciou dela. Em seguinda a baniu da cidade e, secretamente, deu ordens para que a matassem. As ordens foram cumpridas.
Mãe assassinada, esposa assassinada, só faltava assassinar o marido de Pompéia para poder se casar com ela. Foi o que ele fez realmente, sem pestanejar com as longas pestanas.
Depois do incêndio de Roma, que parece não ter sido ele quem ateou, pois estava fora da cidade, a bicha enloqueceu completamente.
Primeiro botou a culpa do fogo nos cristãos e passou a usá-los como tochas humanas para iluminar seus banquetes.
Depois teve um ataque de histeria delirante e matou Pompéia que estava grávida a pontapés.
Passou os últimos três anos de sua vida entregando o imperial anel, em particular e em público, no varejo e no atacado.
Quando não estava sentado num objeto pontiagudo de carne, estava participando de torneios poéticos que vencia sistematicamente, pois juiz nenhum era o suficientemente maluco para dizer que o viado não entendia xongas de poesia.
A esta altura não havia uma só alma no mundo antigo que não quisesse ver os seus culhões pregados nm muro.
Finalmente, ao saber que a sua guarda pretoriana queria lhe enfiar no rabo outras espadas que não as de carne, se suicidou jogando-se contra um objeto perfurocortante de metal.
Bicha louquíssima era a gorda Nera!
Só não teve nenhum amante pianista como conhecido ex-ministro e senador brasileiro porque ainda demorariam quase 1.800 anos para inventar o instrumento.
Mas tocadores de harpa, passou todos na cara.

NIEMEYER, Oscar (1907- ) Arquiteto carioca, trabalhou com Lúcio Costa até 1936 no projeto para o Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, considerado a primeira obra-prima da arquitetura moderna no Brasil. O projeto de Pampulha foi o primeiro solo de Niemeyer, em 1941, encomendado por Juscelino Kubitschek.
Em 1956, JK pediu a Oscar que desenhasse Brasília, a nova capital. Hoje Brasília, apesar dos políticos que insistem em poluíla, é patrimônio universal tombado pela Unesco.
O fato de que, fatalmente, o sonho de Niemeyer será devorado pelas miseráveis favelas que o circundam, não impede dele ser um dos quatro ou cinco gênios que este país já produziu desde que os portugueses apareceram aqui em 1500 para condenar os índios à morte.
Em 1964, quando a ditadura militar deu o golpe com o apoio do Departamento de Estado americano, gorilas de farda questionaram Niemeyer sobre as razões do porquê preferira determinado material em detrimento de outro mais barato.
Cansado de responder a tantas besteiras, quando um general lhe perguntou por que havia mandado construir tais colunas em tais lugares, o sogro do meu amigo e dentista Walter Atademo não titubeou:
– Só de sacanagem!
E foi andando, andando e andando.
Sua personalidade era (e é) tão forte que, embora jamais tenha negado sua filiação ao Partido Comunista Brasileiro, nunca mais ninguém ousou se meter no seu caminho.

NIN, Anaïs (1903-1977) Escritora americana nascida em Paris, embora fosse amiga íntima de cobras como Lawrence Durrell, Henry Miller (que merecia um verbete, por ser um dos cinco melhores escritores deste século, mas fica para uma próxima edição), Edmund Wilson e James Agee, a verdade é que ela só foi reconhecida mundialmente quando começou a publicar os seus diários em 1966. Foda, não é mesmo?
Aliás, fuder era um troço que esta bela escritora (bela em forma e conteúdo) gostava de fazer com qualquer coisa que se movesse e tivesse estilo.
Em seu livro, O Triângulo Delta, relata algumas das suas lutas aranhais. Eis um trecho que traduzi para vocês:
“As três se sentaram no sofá cheio de almofadas. Leila meteu a mão cheia de anéis por baixo da saia de Bijou e se espantou com o contato da sua mão contra as coxas macias, pois esperava encontrar uma combinação de seda. Bijou se deitou de costas e puxou a boca de Elena contra o seus lábios. Leila ficou com ciúme. Cada carícia que fazia em Bijou esta transmitia a Elena. Quando a mão de Leila foi até o fundo por baixo do vestido de Bijou, esta enfiou a mão debaixo do vestido de Elena. Leila ficou de joelhos e levantou o vestido de Bijou, que jogou o corpo para trás. Elena perdeu a timidez e começou a acariciar o corpo de Bijou. Ao passar a mão pelos bicos dos seios dela, notou que os seus também estavam duros. Ao acariciar as nádegas de Bijou, Elena encontrou a mão de Leila. As três tiraram a roupa e uma vez nuas jogaram-se sobre o grande tapete branco. Passaram a ser um só corpo, composto apenas por boca, dedos, línguas e sentidos. Cada boca estava sempre procurando uma outra boca, o bico de um seio, um clitóris. Beijaram-se até que os beijos se tornaram uma tortura que seus corpos não podiam mais suportar. Cada mão encontrava sempre um orifício ansioso por ser penetrado”. Henry Miller diria : “It was a time when the smell of cunt was in the air”. Mas vocês querem mais Anaïs, não é mesmo? Então aí vai:
“ (…) Leila caiu ao lado de Elena e ofereceu a sua buceta para a outra chupar. Quando Elena aproximou a boca, Leila afastou-se:
– Pede, implora, diz o que você quer!
E Elena:
– Deixa eu chupar a tua buceta. Faça qualquer coisa comigo, mas deixa eu enfiar a língua nesta buceta. Eu quero gozar com você sentada na minha cara.”

Acabo de ter uma ereção.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

ABC do Fausto Wolff (Parte 50)


NASOMONIANO, Costume Um costume meio sacana e altamente duvidoso que, porém, Heródoto registrou no século V antes de Cristo. Segundo ele, quando um nasomônio povo que vivia onde hoje é o Sul da Líbia, que Israel não pára de bombardear casava com uma nasomônia a festa só acabava quando todos os convidados haviam comido a noiva.
O troço, evidentemente, também tinha o seu lado prático. A noivinha ficava deitada paninhos para cima com a cabeça sobre os joelhos do marido.
Os convidados, todos em fila, primeiro os mais humildes e depois os membros mais ilustres da comunidade, baixavam as calças ou levantavam os camisolões e mandavam ver.
Não valia, como no samba de Lupicínio Rodrigues, dar a segunda.
Nego gozava, dava o presente para o noivo e fazia lugar para o que vinha atrás na fila.
Depois que todo mundo tinha matado a fome, o marido finalmente podia dar a dele.
É claro que se após a festa a esposinha fosse flagrada dando pra outro cara que não o marido, era apedrejada até a morte.
Entre os nasomônios era assim: “Puta, só no dia do casamento”.
Já no Ocidente, principalmente entre a classe dominante, às vezes a coisa é o contrário: “Puta, só a partir do dia seguinte ao casamento”.
O antropologista francês do século XIX François Domitien Darcos descreve um costume semelhante entre os marquesanos (não confundir com velho político gaúcho, famoso pelo amor aos governos militares) da Polinésia: os homens da aldeia ficam em fila e começam a cantar e a dançar.
Acabadas as perfumarias preliminares, o marido roga, pessoalmente, a cada um dos convidados, a começar pelos mais velhos, que coma a sua noiva.
Quando o último e mais jovem acabar de molhar o biscoito, o noivo, mais uma vez, agradece um por um e finalmente dá a dele, na frente de todo o mundo.
Aparentemente isto é para responsabilizar toda a tribo pelo defloramento da noiva.
Pode não ser agradável para os noivos, mas certamente é bem menos violento que dar tiros simultaneamente em presuntos na Baixada Fluminense para que ninguém do Esquadrão da Morte possa tirar o galho dentro depois, dizendo: “Eu não tive nada a ver com o peixe”.

NAZARETH, Convento de Normalmente este convento, que existe até hoje em Colônia, na Alemanha, não precisaria ser citado aqui. Acontece, que numa bela manhã do verão de 1565, as freiras acordaram com ideias de jerico.
Imaginem que todas elas e eram mais de cem foram para a frente do convento, levantaram os hábitos (as calcinhas ainda não haviam sido inventadas) e mostraram as respectivas bucetas e bundas para os atônitos passantes.
O médico alemão Kurt de Weier, que documentou o fenômeno em seu livro De Praestigiis Daemonum, disse que elas diziam palavrões cabeludíssimos e tentavam apanhar homens à força.
Passadas duas semanas, depois de serem surradas com chicotes, pouco a pouco se acalmaram.
Sugiro que vocês dêem uma olhada no verbete que fala de íncubos e súcubos.

NECROFILIA Vocês lembram como os olhos dos ministros da Fazenda (de Roberto Campos, passando por Bulhões, Simonsen, Delfim, Dornelles, Funaro, Bresser, Maylson) brilhavam quando falavam na TV em inflação morta? Pois é, necrofilia é amor por cadáveres.
Amor que pode levar ao ato sexual ativo por parte do necrófilo e, extremamente passivo, como vocês bem podem imaginar, por parte do presunto.
Vida sexual difícil, certamente, é a do necrófilo que pretende ser enrabado pelo cadáver. A História não registra nenhum caso.
O caso mais conhecido do setor Necrófilo come defunto foi protagonizado pelo sargento Bertrand, que começou modestamente cortando talos de flores, arrancando asas de borboleta, cegando passarinhos, capando gatos e cachorros.
Mas só descobriu o seu hobby quando visitou um cemitério altas horas da noite.
Começou a desenterrar cadáveres e não parou mais. Às vezes chegava a abrir mais de dez caixões até encontrar um corpo jovem que lhe agradasse.
Então, segundo suas próprias palavras, “eu fazia com ela tudo o que o amante faz com a mulher amada”. “E depois?”, quis saber o repórter. “Depois”, respondeu o monstrinho, “eu cortava ela toda com este facão!”
O necrófilo geralmente é mais para o horroroso e, quando une a feiúra ao homossexualismo, só se satisfaz com cadáveres masculinos.
Ama os mortos porque estes não riem dele e nem dizem: “Pô, cara, tu és mais feio que cocô de múmia”.
Depois de gozar dentro do cadáver, o necrófilo o corta em pedaços se vingando assim dos que riram dele em vida.
Como os sádicos que adoram trabalhar em delegacias de polícia e os viados que trabalham em sauna até de graça, os necrófilos procuram sempre arranjar empregos em cemitérios, necrotérios e hospitais. Os de hospital escolhem a parceira enquanto ela ainda está viva.

Uma coisa é certa: esses tarados não gostam de mulheres que falam muito.

ABC do Fausto Wolff (Parte 49)


MISHIMA, Yukio (1925-1970) A você, leitora, que está pensando em casar mas que é bem baixinha, eu sugiro muita calma, pois não lhe desejo a sorte da infeliz Yoko Sugiyama. Em 1958, ela foi procurada em sua casa por dois rapazes altos e parrudos que, depois de um pequeno preâmbulo, perguntaram se ela não queria casar com Yukio Mishima.
Ela mal pôde acreditar, pois ele era o escritor mais popular do Japão e todas as moças ricas e inteligentes de famílias tradicionais deviam andar correndo atrás dele.
Ela, porém, foi a escolhida, porque tinha só dezenove anos, era mais baixa que Mishima, que tinha menos de 1,55m, queria casar com ele por considerá-lo um homem bonito e não por ser uma celebridade, seria gentil e obediente com seus pais e prometera não perturbá-lo enquanto ele estivesse escrevendo seus romances.
Mas entre as coisas que a pobre Yoko não sabia, estava o fato de que centenas de jovens procuradas pelos dois rapazes altos e fortes teriam respondido que prefeririam morrer a casar-se com Mishima. E no Japão, quando alguém diz que prefere morrer é porque prefere mesmo.
Casaram-se dois meses depois de se conhecerem. Puta festa. A sociedade endoidou. Partiram para a lua-de-mel e Yoko verificou que Yukio não era grande entusiasta do esporte. Trepava, é verdade, mas assim, meio distraidão.
Ao voltar para casa e verificar que ela estava cheia de rapazes altos e fortes foi que a pobre Yoko descobriu que seu marido não era só o escritor mais popular do Japão, mas também homossexual, líder de um Exército de mais de oitenta homens chamado literalmente de a Sociedade do Escudo, e tinha uma mãe que era uma verdadeira megera.
Quando Mishima não estava escrevendo, se reunia em casa com seus “soldados”. Passavam óleo nos respectivos corpos e faziam concursos de halterofilismo. Eventualmente, se beijavam, se abraçavam e enfiavam dedos nos respectivos cus.
Tudo isso Yoko aguentou pacientemente e até mesmo a sogra, que vivia lhe enchendo o saco (metáfora, metáfora): “Meu filho entrega o anel porque você não é uma boa esposa”.
Chegou mesmo a convencê-lo a ir para a cama com ela de vez em quando e a prova disso são os dois filhos do casal, já bem crescidinhos hoje em dia.
Li quase toda a obra do Mishima, infelizmente em traduções para o inglês. Era realmente um bom escritor, embora fosse fascista, sadomasoquista e um bom canalha, pelo menos em relação à mulher.
Se torturava com a ocidentalização do Japão que, segundo ele, estava se emasculando.
Paradoxalmente, porém, adorava o cinema americano, fazia boas imitações de Humphrey Bogart, James Cagney, Marlon Brando, e entre seus planos estava levar seus filhos para a Disneylândia.
Gostava também dos trópicos e antes do seu casamento, aos trinta e três anos, esteve no Rio de Janeiro durante um carnaval e seu quarto no Copacabana Palace estava sempre cheio de rapazes altos e fortes.
Vivia obcecado com a ideia da morte e seu melhor livro, na minha opinião, é uma análise de um clássico japonês, de autoria de um samurai do século XVII, o Hagakure, que informa: “Na dúvida, o verdadeiro samurai escolhe a morte”.
Em 1970, Mishima tentou dar um golpe de Estado. Troço ridículo: depois de usar um general das Forças Armadas como refém, tentou convencer os soldados a subverter o governo.
Riram dele que, na frente das cameras de TV, praticou o seppuku, desventrando-se com uma espada. Seu jovem amante, Morita, deu um passo à frente e cortou-lhe a cabeça.
Macho pacas, mas pessoalmente acho que se matou porque achava chato ser macho pacas e gostar de sentar num sabre.

MODÉSTIA Nada a ver com aquela demonstrada por Jesus após ser adorado por uma multidão de mulheres: “Por favor, minhas senhoras, foram apenas uns milagrezinhos”. A modéstia a que me refiro está mais para decoro e pudor determinados por convenções sociais. 
Na tradição judaico-cristã a modéstia está associada a roupas e ao ato de vesti-las. Adão e Eva, depois da primeira bimbada, foram se esconder atrás das moitas, pois não?
Os índios que insistem em se comportar como verdadeiros seres humanos e por isso mesmo estão sendo dizimados não pensam assim.
Por ocasião da abertura da Belém-Brasília, conheci alguns que viviam às margens do Tocantins e que tinham vergonha de usar as roupas que os bestalhões que estavam comigo lhes ofereceram.
Uma mulher muçulmana de uma das muitas tribos berberes do Saara, se fosse surpreendida pelada, tentaria cobrir a face e não a xota.
Na Espanha do século XVI e em algumas partes da China pré-Mao, os pés femininos só podiam ser vistos em toda a sua esplendorosa nudez pelo legítimo marido do resto da mulher.
Aliás, na China, para aumentar a tesão dos seus senhores, as pobres mulherinhas amarravam os pés desde a infância, deformando-os para sempre na maioria das vezes.
Como vocês vêem, volta e meia a proverbial sabedoria chinesa estava mais para proverbial do que para sábia.
Na Espanha, a inquisição chegou a pedir a cabeça de Murillo porque o pintor ousara apresentar “La Virgen” de pés descalços. Entretanto, ela já havia sido retratada de seios de fora durante toda a Renascença. Aliás, vou fazer um parágrafo para falar de seios.
No reino de James I (que, por sinal, entubava e a famosa tradução da Bíblia para o inglês não foi, realmente, de sua autoria; ele se limitou a pagar os tradutores e depois assinou embaixo), na Inglaterra, as mocinhas virgens usavam decotes imensos que expunham seus mamilos à gratificada curiosidade pública.
Era um modo de dizer: “Ainda não dei minhas prendas para ninguém”.
O topless-look entra e sai dá moda anualmente nas mais diversas partes do mundo.
Dizem alguns detratores do nosso competentíssimo governo que sempre que ele quer desviar a atenção do distinto público de alguma roubalheira maior que as corriqueiras, paga algumas maluquetes para andarem peladas pelas praias do país. Não há jornal que não caia no conto.
A verdade, meus chapinhas, é que tem sempre um babaca para dizer que a nudez é a fonte de todos os males, embora não tenha aparecido ninguém para dizer que viu o sr. Antonio Carlos Malvadeza pelado.
O papa Júlio II ficou tão horrorizado ao ver os pauzinhos que Miguel Ângelo pintou em anjos, santos e apóstolos, que contratou um pintor medíocre Giovanni Volterra para pintar uns paninhos diáfanos sobre as santas partes pudendas.
E nos Estados Unidos, ainda alguns anos atrás, uns malucos iniciaram uma campanha para tornar obrigatório o uso de culhoneiras em cachorros e cavalos.

Se Deus seus moralistas de merda!  achasse paus, bucetas, seios e bundas, coisas feias, teria feito suas criaturas sem essas partes... modestamente.

ABC do Fausto Wolff (Parte 48)


MENOPAUSA Minha cara leitora, você entrou na menopausa quando começou a menstruar com menos frequência, passou a encher mais o seu marido, filhos, a gritar e chorar sem motivo aparente. Ficou mais chata, não é mesmo? Mas isso vai passar logo que o fluxo menstrual parar totalmente.
Pense nos aspectos positivos: seu apetite sexual não diminuiu por causa da menopausa e nem suas habilidades atléticas na cama foram prejudicadas, certo?
Não tem mais que se preocupar em ficar toda manchada de sangue, de repente, dentro de um ônibus e, finalmente, pode jogar no lixo as pílulas anticoncepcionais.
O quê? Você, cara leitora, só tem dezesseis anos?
Então, desculpe, e volte quando estiver entre os quarenta e cinco e cinquenta.

MENSTRUAÇÃO Bonnie é uma garotinha de quatorze anos que tem um cachorro chamado Trots com quem ela bate grandes papos filosóficos quando não tem ninguém por perto. Papos inteligentes e simples, nada parecido com os dos neoiluministas brasileiros, que escondem sua ignorância atrás de vocábulos cujos significados eles mesmos desconhecem.
Bonnie e Trots são personagens de histórias em quadrinhos que aparecem no National Lampoon. A criadora deles é a talentosa Shary Flenniken, que, em se gozando, goza o mundo.
Bonnie está no sofá da sala da sua casa trocando figurinhas com o Trots quando chega a sua mãe e vai falando:
– Oh, Bonnie, já que você não está fazendo nada, tem uma coisa que eu queria te contar... e ...não vai ser agradável nem para mim nem pra você... Um você vai descobrir... humm... humm... um pouco de sangue... hum... humm... entre as suas pernas. Eu quero que você saiba que isto acontece com todas as meninas quando elas têm treze anos mais ou menos. É, provavelmente, a coisa pior que pode acontecer com uma mulher até o dia em que ela se casa. De qualquer modo... é o fim da infância e o começo de trinta ou quarenta anos de preocupações, de constante medo de ficar grávida. Vem do teu útero... fluido e matéria inútil. Isso tudo vai sair de você por uma semana ou um pouco menos para aparecer de novo no próximo mês e no próximo e no próximo, praticamente pelo resto da sua vida... até você se acostumar. Então um dia pára. Neste dia você estará velha. Toma este livro aqui. Se chama Tornar-se Adulta e Gostar. Ah, eu ia esquecendo: a menstruação pode doer. Obrigada, mamãe.
– Obrigada, mamãe.
Em seguida, Bonnie vira-se para Trots e pergunta:
– Você quer ler esse troço?
– Acho que vou esperar pelo filme, respondeu o cachorro.
Ah, não gostaram da historinha, né? Querem verbete careta, chato como menstruação, né? Então aí vai.
Perda periódica de sangue e secreções do útero de mulheres que não estão grávidas desde os doze-treze anos, até os quarenta e cinco-cinquenta.
O tempo entre o princípio de uma menstruação até o dia anterior ao princípio da próxima chama-se ciclo menstrual. Muda de mulher para mulher, mas em média dura uns vinte e oito dias.
Algumas mulheres sofrem contrações dolorosas, ganham peso, devido à retenção de água, e aumentam a sensibilidade dos seios durante o período.
Finalmente, graças aos estudos feitos por Jean Jacques Bouchard no século XVII, sabe-se, com absoluta certeza, que o sangue menstrual não destrói a grama, não embaça espelhos, não seca sementes de videira, não dissolve o asfalto não produz manchas indeléveis de ferrugem nas facas, como se acreditava até então. Fim da aula.

MESSALINA (22 d.C-44) É preciso evitar a inveja dos deuses para driblar maus destinos. Cláudio, o imperador de Roma que sucedeu à histérica bichinha chamada Calígula, foi o melhor de todos os césares: tinha um senso apuradíssimo de justiça, foi um dos maiores intelectuais do seu tempo e, durante o período em que governou, Roma prosperou como nunca. 
Em compensação, os deuses fizeram com que nascesse manco, gago, feio e tímido, o que não seria nada, não fosse eles também terem lhe dado como esposa aquela que até hoje foi considerada a maior puta da humanidade: Messalina.
Viveu pouco mas fudeu muitíssimo. Poderiam ter dado Messalina para qualquer dos quinze imperadores que antecederam Cláudio, pois, segundo Gibbon (The History of the Decline and Fall of the Roman Empire), o menos tarado só entubava uma brachola vez por outra.
Mas dar-lhe uma mulher decente que o amasse e respeitasse faria com que se aproximasse muito dos deuses. Além de tudo, Cláudio se dava ao luxo de ser ateu secretamente. Mas falemos da jovem putaça.
Começou dando para todos os servidores do palácio real. Embora fosse uma lourinha muito jeitosa, peitos pequenos mas durinhos, os caras, em princípio, recusavam, pois temiam a reação do marido.
Messalina, porém, informava: “Se você não me comer, vou dizer ao imperador que você quis me comer aí em vez de fuderes a imperatriz, serás fudido”.
Cansada dos servidores, passou se interessar pela classe teatral que, já há 2 mil anos atrás, não era conhecida exatamente pelo número de heterossexuais que conglomerava.
Depois de muita pesquisa, entretanto, ela achou o ator Mnester, que aparentemente não era chegado a um arranho.
Era um cara sério que admirava o imperador e se recusava chamar Messalina para as chinchas. Ela então se queixou a Cláudio:
– Meu bem, imagina que um reles atorzinho de merda se recusa a atender um pedido da imperatriz.
Cláudio, um sujeito distraído mas que tinha uma das vocações cornais mais extraordinárias da história do nosso pequeno mundo, chamou Mnester à sua presença e advertiu:
– Sugiro que obedeças a todas as ordens da imperatriz.
Mnester não teve outra saída senão obedecer o imperador, tarefa a que se dedicou con gusto. Tanto gusto que, ao fim de três anos, Messalina mandou exigir uma estátua em sua homenagem.
Roma inteira sabia que ele comia a imperatriz por ordem do próprio imperador. Só quem não sabia era o imperador.
Ela, porém, tinha mais apetite que qualquer puta desta minha modesta enciclopédia. Além de Mnester, trazia homens aos lotes para a sua cama. Quanto mais, melhor.
Quando Cláudio, em 43 d.C. viajou para a Britânia à frente de suas tropas, Messalina realizou uma proeza que ainda não foi igualada: transformou Roma num imenso bordel, do qual era a puta principal.
De cara, dançou pelada no fórum. Em seguida redecorou a sua câmara nupcial, fazendo com que se parecesse com um puteiro. Do lado de fora do quarto, colocou uma tabuleta com o nome da mais célebre prostituta da cidade e, seios de fora, ficou parada na porta convidando quem passasse para comê-la. Cobrava apenas o preço de uma meretriz comum.
Durante semanas só não a comeu quem não quis.
Segundo Plínio e Juvenal, ela desafiou a mais famosa meretriz do império para ver quem conseguia fazer gozar o maior número de homens em vinte e quatro horas. Messalina ganhou: passou na cara vinte e cinco homens em menos de vinte e quatro horas.
Todos achavam que o seu furor uterino se acalmaria com a volta de Cláudio, “mas qual o que, aumentou o seu fuder!”
Passou a dar festas nas quais obrigava as damas da corte a se prostituírem na frente dos maridos que, ou por cagaço de perderem suas fortunas ou por cagaço de perderem suas cabeças, se limitavam a sorrir amarelo e comentar: Esta Messalina tem cada uma! — enquanto suas mulheres tinham todos seus orifícios preenchidos.
A imperatriz gostava de paus . Enfiava na bunda, na buceta, na boca, debaixo dos braços, entre os seios, etc. Apenas eventualmente, quando não havia nem ao menos um corcundinha à mão, chupava uma buceta.
Houve um dia, porém, em que exagerou. Engraçou-se com um cara chamado Gaius Silius.
Obrigou-o a se divorciar da mulher e se casou com ele enquanto Cláudio tomava banhos de água mineral em Óstia.
Convites foram enviados para todo o society da época e depois do casamento o fudeu à vista dos convidados numa cama enorme.
Aparentemente isto foi demais para alguém que informou Cláudio.
De Óstia mesmo ele mandou por mensageiro uma ordem à Messalina:
– Quando eu voltar para Roma, não quero te ver viva.
Ela sentiu que ele falava sério e se suicidou com o último amante.
Dizem que Claudio, ao retornar, perguntou a um dos escravos que lhe serviam o jantar:
– A imperatriz, onde está?
Informado, teria resmungado:

– É verdade, eu tinha esquecido!