sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

ABC do Fausto Wolff (Parte 52)


NINFOMANIA Muito melhor e mais excitante que jogar bombas no Riocentro, cobrar empréstimo compulsório (que burrice: ou é empréstimo ou é compulsório) de quem quer viajar de avião ou impedir eleições diretas, é ir para a cama com uma ninfômana ou ninfomaníaca. Caso o leitor seja uma leitora, também aconselho unir a prática da ninfomania à de dar chás de caridade e depois embolsar a grana dos mongolóides.
Sofre de ninfomania a mulher que tem um desejo sexual insaciável. É a popular “quero mais”.
Embora abundem na literatura pornográfica e na cuquinha dos descabeladores de palhaços, as ninfômanas são raras na vida real (esse troço aí, que vocês vivem) e há psiquiatras que acham que elas não existem.
Os maridos que se queixam das respectivas mulheres que querem ser comidas mais que duas vezes por semana na verdade estão se queixando da própria incompetência.
Se a História é algo mais que uma istória, então há casos bem documentados de mulheres com muito apetite. Messalina, Cleópatra, Júlia, Mata Hari, que já lhes apresentei, e Ninon de Lenclos, cortesã do século XVII que esqueci de colocar na letra “L” (foi comida por monsieur de Sevigné aos trinta e seis anos, pelo filho do marquês de Sevigné quando tinha sessenta anos e, finalmente, pelo neto do marquês de Sevigné quando tinha setenta e seis anos), são apenas uns poucos exemplos. Mas nada mau o apetite de Ninon, hein?
Há quase vinte anos eu comi uma atriz americana que pintou aqui para o carnaval. Depois de horas de exercício carnal no Copacabana Palace, quando eu, finalmente, pedi arrego, ela disse que ia sair por aí. Perguntei-lhe o que pretendia fazer e ela: “Dar mais, ora!”
Pintou três dias depois com o corpo cheio de equimoses e um ar de indescritível felicidade no rosto. Foi logo dizendo: “Vou dormir um pouquinho e logo recomeçamos”.
Loura, tinha uma carinha de anjo. Como ainda está viva e é uma coroa boérrima de seus cinquenta anos, dou apenas uma dica: trabalhou num filme de Joshua Logan com Willian Holden e noutro do Alfred Hitch com o James Stewart. Me confessou depois que havia aberto as pernas para uns trinta desconhecidos em dois dias.
Bons tempos aqueles em que o perigo era a gonorréia!
Outro caso está documentado no livro do insider Colin Wilson, Origens of the Sexual Impulse: há alguns anos em New York, uma jovem foi flagrada pela polícia na rua, convidando homens a irem para a cama com ela. Se livrou da cana pois provou que não estava pedindo dinheiro. Só queria mesmo fuder. Não conseguiu, porém, se livrar da comissão de psiquiatras à qual informou sofrer de TG, ou seja, tesão galopante.
Tudo teria começado alguns meses antes, durante a sua noite de núpcias. Depois de trepar durante horas com o marido, ele pediu um tempo e dormiu. Ela levantou da cama, se vestiu e foi até o Central Park, onde foi apanhada por um desconhecido que a levou até um motel e a comeu até o cu criar bico.
Do hotel ela saiu e apanhou mais um, mais dois, mais três, mais quatro homens (um de cada vez, naturalmente), antes de voltar para dar mais uma bimbada com o marido, que continuava dormindo. Desde então dedicou-se à pegação amadora de homens sem que em nenhum momento alguns deles tenha se negado a satisfazê-la.
E vocês, feministas, ainda se queixam, hein? Um homem que não for extremamente bonito, atlético, viril, inteligente e bem-humorado e for para rua se oferecer às mulheres, o máximo que conseguirá será uma porrada nos xornos, como se sabe, bem mais dolorida que a porrada nos cornos propriamente ditos.
Mas voltando à ninfômana de New York: quando os psiquiatras perguntaram se ela havia deixado o tálamo (gostaram?) nupcial porque a relação com o marido não a satisfizera, ela respondeu negativamente: “Gostei tanto que quis repetir”, frase esta que acaba com a teoria de que as ninfômanas são mulheres frias que perseguem o orgasmo inutilmente.
Cheguei, portanto, à conclusão que ninfômana é apenas uma mulher que gosta de fuder mais do que as outras.

NOIVADO Antigamente acontecia ou no dia do casamento ou no dia em que o rapaz se comprometia em casar com determinada moça. Como símbolo do seu propósito dava a ela um anel que ela usaria na mão direita até o dia do casamento, quando o colocaria na mão esquerda. O noivo, por sua vez, faria o mesmo com outro anel que ele, naturalmente, comprara. O pai da noiva arcaria com as despesas da cerimônia religiosa e da recepção posterior.
Havia o noivado e a noiva geralmente era virgem, ou pelo menos tinha o hímen intacto. Depois apareceu a pílula, o women's lib e a mulher disputando o mercado de trabalho com o homem.
Pelo menos entre a burguesia, então o noivado e a virgindade caíram de moda como gravatas no escuro de uma noite quente de verão.
Depois, sem ser convidado, surgiu a AIDS e tudo leva a crer que teremos novamente a virgindade e o noivado.
A tradição do noivado, embora hoje em dia resista apenas no interior e nos subúrbios pobres das grandes cidades, é antiga.
Os colonizadores ingleses que chegaram à América, depois de brutalizarem as índias, sentiram saudades das mulheres da sua terra e mandaram buscar noivas na loura Albion. Pois, segundo um passageiro que estava a bordo de um navio inglês com destino à Carolina do Norte, das sessenta noivas que viajavam para a América, vinte e quatro eram renomadas prostitutas.
Assim começou boa parte das famílias dos pais da pátria americana.
Não se preocupem que entre nós aconteceu a mesma coisa ou pior. Milhares de holandeses noivaram em Pernambuco no fim do século XVII, mas os cartórios não registram um único matrimônio entre uma brasileira e um holandês. Cês já viram como tem pau-de-arara com olhos verdes? Principalmente críticos literários.
Hoje em dia as coisas estão mais fáceis. O pessoal noiva até pela TV.
Mas quando Hellen Morrison, solteirona de Manchester, Inglaterra, botou um anúncio estilo correio sentimental, pedindo noivo no Manchester Weekly Journal, o prefeito da cidade mandou interná-la num hospício por quatro meses para tomar vergonha.
Já as portuguesas até hoje ainda anunciam em muitos jornais: “Santo Antônio do Amarante, valei-me que bem podeis/ Já tenho teias d'aranha naquilo que bem sabeis”.
Em algumas sociedades, noivado se confunde com pedofilia legalizada.
Na Índia, por exemplo, desde tempos pré-cristãos que as meninas noivam e casam muito cedo. Um recenseamento em 1964 mostrou que existiam 60 milhões de meninas na Índia com menos de quinze anos e dessas, mais de 8 milhões e meio estavam casadas. Entre mil crianças com menos de cinco anos, quinze já estavam casadas ou viúvas. Havia pelo menos 400 mil crianças viúvas com menos de quinze anos e que, segundo a lei, não poderiam se casar novamente.
Maomé, se sabe, teve muitas mulheres, mas a mais moça, com quem ele manteve relações sexuais, foi uma noiva de seis anos.
Não foram poucos em todo o Oriente, os casamentos entre bebês, para preservar as fortunas dos pais. O Deus Grana sempre fala mais alto. Mais alto que o Deus Brahma e o Deus Grapette.
Quem está pensando “Esses orientais são uns selvagens”, pode tirar o pensamento da chuva e se ilustrar um pouco. Até o meio do século XIX era muito comum a venda de noivas em pleno centro de Londres. Os preços variavam de uma uma a vinte libras e mais meio barril de chope.

NUDISMO Mulher nua vicia mais que álcool, maconha, cocaína, cigarro ou pôquer. Eu já devo ter visto mais de mil e ainda não consegui enjoar. E é sempre a mesma coisa: dois seios, um triângulo cortado ao meio e um popô. Nego acabou de ver um já quer ver outro.
Aos cinco anos eu já andava rolando debaixo das mesas onde tias e primas conversavam. Nesta época fiquei horas dentro de um cesto de roupas no banheiro esperando que minha prima de dezoito anos viesse tomar banho.
A ideia de que eu estava infringindo uma lei não escrita devia estar no subconsciente, porque jamais disse a ninguém por que preferia as coxas das parentes aos jogos de bolinhas de gude com a garotada da rua.
É verdade, também, que eu mesmo não sabia o porquê da minha preferência.
Aprendi a ler muito cedo e gostava de ficar lendo meus gibis na casa de uma tia que costurava para fora e que tinha uma jovem aprendiz que não parava quieta dois minulos sem cruzar as pernas. Além disso, vinha uma porção de freguesas experimentar as roupas.
Minha tinha achou estranho “este menino que está sempre no meio das mulheres”, me dedou pra minha mãe e menos de uma semana depois, minha prima me descobriu no cesto e me dedou pro meu pai.
O velho, que estava mais para vara de marmelo que pra tratados de pedagogia, me perguntou:
– O que é que você estava fazendo no cesto?
– Tava espiando a fulaninha tomar banho.
– E por quê?
– Porque ver mulher pelada é muito bom.
Naquela noite, do meu quarto, ouvi o pai dizer pra mãe:
– Lembra daquele negócio que você me falou de estar preocupada porque o garoto só vive no meio de mulheres?... Pois não precisa se preocupar mais. Fresco o guri não vai ser.
Mulher nua, além de ser um negócio bom e saudável, é um negócio antigo. Os seres humanos e posso afirmar isso sem medo de errar fazem amor há uma pá de tempo. Vivem na terra há mais de 2 milhões de anos e já naquela época mulher nua era fundamental.
Depois de descobrir o sexo, o homem gostou tanto que achou por bem transmitir o seu prazer às gerações futuras através de desenhos, pinturas, inscrições em pedra. As representações sexuais que podem ser vistas na caverna de Combabrelles, na França, datam de 40 mil anos.
E o que é mais interessante: a posição do casal troglodita trepando não é papai-mamãe, mas a mulher de joelhos, se apoiando no solo com as mãos e o homem imediatamente atrás dela. O clássico vaca atolada.
O nu feminino, que na minha opinião desde o quinto século antes de Cristo deixou de ser um tema artístico para transformar-se numa forma de arte, do século III aos nossos tempos, com um ligeiro alívio na Renascença, foi sempre condenado.
Esta mania de que mulher nua faz mal à saúde e leva adolescentes à debilidade mental continua em vigor em boa parte do mundo e tem raízes de ordem econômica. A pornografia, se proibida, rende muito mais dinheiro.
Felizmente, no Brasil, nos últimos anos, a pornografia como nos países nórdicos já está ao alcance do bolso do povo. Passado algum tempo, a venda das revistas pornográficas diminuiu e a maioria dos cinemas que passam filmes X-rated vivem às moscas.
Aliás, não sei por que ninguém consegue fazer um filme pornográfico bem-feito. Dizem os produtores: “As atrizes negam-se a trepar diante das câmeras”. Ora, então ensaiem as putas. Se nenhuma tiver talento, existem sempre a mesa de edição, que faz milagres. A atriz beija o ator na cabeça de cima e a duble na cabeça de baixo.
Nudismo é também uma porrada de gente se reunir pelada na praia. Foi em Mykonos que estive numa praia nudista pela primeira vez. Zanzei com meu calção até que tomei coragem e fiquei pelado num canto, perto de uma rocha.
Não demorou muito uma francesinha Dominique deitou-se peladinha a uns dez metros de mim. Tive que botar o calção às pressas.
Um dia, me vendo sempre de calção, uma jovem perguntou:
– Por que você está vestido numa praia nudista?
E eu:
– Nós ainda não estamos acostumados.
Isto aconteceu há mais de vinte anos. Outro dia, porém, fui à praia em Ipanema e uma atriz da moda veio puxar papo comigo. No meio do papo, tirou a parte de cima do biquini e começamos a conversar a quatro: eu, ela e o par de peitos.

Como não sou viado nem eunuco, como ainda não sou o suficientemente broxa e como essas coisas me deixam nervoso, tirei o calção e fiquei pelado. Meio-bombão. Ela entendeu e botou o sutiã. Depois deu uma desculpa e se arrancou.

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