terça-feira, 13 de janeiro de 2015

ABC do Fausto Wolff (Parte 11)


CLITÓRIS – Se alguma feminista, dessas que fazem a barba duas vezes por dia, chegar para você, leitor amigo, ou você, leitora amiga, e botar banca dizendo que usa o clitóris de lado, não acredite. As feministas que me perdoem, mas clitóris é uma peça delicada que foi bolada para ser pequena.
Trata-se de um pênis rudimentar (aliás, não sei por que estou dizendo esta bobagem, pois é muito mais sensível que qualquer pênis) e algumas mulheres têm até dificuldade em encontrá-lo. O que também não deve preocupar a gentil leitora.
Preocupe-se antes se o seu marido não conseguir encontrar o pau entre os pentelhos.
Mas, voltemos ao clitóris: imaginem que o maior do mundo – o da baleia – não chega a ter oito centímetros.
Realmente não é muito, se levarmos em conta que a sua vagina agasalha a trolha do baleio: nada menos de três metros em estado semi-ereto, o que torna ridículo a jeba de metro e meio do elefante africano.
Graças à hipocrisia e à ignorância humanas, até quarenta anos atrás muitas mulheres nem sabiam que possuíam um clitóris e as que sabiam não sabiam o que fazer com ele.
Era o caso da imperatriz Maria Teresa, da Áustria, que, preocupada com a sua esterilidade, foi procurar seu médico, van Sweiten.
Ela confessou: “Eu tenho certeza, doutor, que se pudesse ter um único orgasmo, eu teria filhos!”
Depois de muitos rodeios, van Sweiten ousou dar um palpite: “Eu arriscaria dizer que o clitóris de sua mais sagrada majestade deveria ser titilado por algum tempo antes do coito propriamente dito”.
É verdade que o orgasmo não tem nada a ver com a mulher ficar grávida ou não, mas o fato é que Maria Teresa foi mãe de dezesseis príncipes.

COITO – Instado a responder sobre qual o seu tipo de coito preferido, o português não titubeou: “Prefiro o coito anal”. “E por quê?”, perguntou a jovem repórter da TV Globo. “Porque o coito oral é puramente teórico. Fala-se muito e não se faz nada. O vaginal não é pro meu bico. É coisa pra quem pode comer Gina Lollobrigida e outras estrelas do cinema. O anal é apenas uma vez por ano, mas é melhor do que nada”.
Se você está como o português da anedota, meu irmão, tire o cavalo da chuva porque não sou eu que vou explicar-lhe o que é coito.
Para dizer a verdade você está fudido, ou melhor, você está coitado. Quem sabe é isso? Os pais praticam o coito e nascemos nós, os coitados.
Para que um verbete especial para o coito se eu não falo de outra coisa neste livrinho? Apenas para chamar a atenção para o louva-a- deus, para a colônia Oneida e para o gokuraku-ojo.
O louva-a-deus, este bicho parecido com um gafanhoto, mas bem mais feroz, deve gostar muito de fuder.
Saibam que há quem garanta que ele só pode trepar satisfatoriamente depois que a fêmea tiver devorado metade de sua cabeça. Parece que tem alguma coisa a ver com liberar inibições.
Depois de comida metaforicamente, a louva-a-deus come literalmente o que restou do seu marido.
O pessoal da colônia Oneida (Estado de New York) pratica o coitusreservatus, tradição que trouxeram com eles da índia para os Estados Unidos no século XIX.
A coisa é aparentemente muito simples: trata-se de introduzir o chamado membro viril dentro da vagina mas não gozar, deliberadamente.
Tanto hindus, como chineses e árabes, praticam o método. Dão-se ao luxo de receber clientes, discutir negócios, etc. e tal, sempre dentro de suas concubinas. Ao chegar em casa à noite, finalmente, gozam com as respectivas mulheres.
O gokuraku- ojo significa, simplesmente, morrer de tanto fuder. O casal de amantes se encontra e trepa até um deles morrer.
Geralmente, morre o homem e a mulher-louva-a-deus sai atrás de outra vítima, quase sempre, como no filme O Império dos Sentidos, com o pau do amante na bolsa.
Quem morreu de gokuraku-ojo sem ter nunca ouvido falar de gokuraku- ojo foi o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Nelson Rockefeller. Morreu em cima da secretária. No Japão seria considerado um herói.
Existem 123.414 posições em que o coito pode ser praticado. Ou seriam 123.415? Ih, agora, eu me compliquei todo.

COLETTE, Sidonie Gabrielle Claudine (1873-1954) – Filha da burguesia rural francesa, Colette até que era bem jeitosinha quando, aos vinte anos, se casou com um escritor medíocre – amigo da família – chamado Henry Gauthier Villars.
Willy – como era conhecido o marido – tinha trinta e cinco anos e logo percebeu que sua mulherinha possuía, além de dotes sexuais, dotes literários.
Foi por isso que a incentivou a escrever romances contando as aventuras e fantasias eróticas de uma jovem colegial. Ela escrevia, ele assinava e embolsava o dinheiro.
Depois de algum tempo ela encheu de dar boa-vida ao malandro e em 1906 se separou dele e começou a assinar seus livros.
Nesta época, também, passou a se interessar por teatro. Acabou fazendo turnês de razoável sucesso por toda a França. Troço meio erótico no qual uma bailarina solitária apaixona-se por uma cenoura ou vice-versa.
Casou mais duas vezes e seu sucesso literário veio mesmo em 1920, quando publicou Chérie.
Isto tudo que escrevi aí em cima (com exceção da cenoura) é verbete para qualquer dicionário bem-comportado como o de Ambrose Bierce, por exemplo.
A verdade é que Colette gostava mesmo era de fuder com qualquer coisa que se movesse.
Willy era um mau-caráter e um dia Colette o flagrou comendo uma anã desdentada. Se continuou com o marido foi porque gostava de ir para a cama com as secretárias dele.
Só lhe deu um pé na bunda quando passou a não aguentar mais ver a sua cara bochechuda. Costumava chamá-lo de rainha Vitória.
Colette apareceu dançando com os seios de fora no palco de um famoso music-hall parisiense.
Na plateia estava Missy, nada menos que a marquesa de Balbeuf, descendente de Napoleão. (Não tem nada a ver com o assunto, mas aí vai: a família de Napoleão, até ele tornar-se imperador, era toda certinha. Com o poder começaram a aparecer todas as sacanagens.)
Pois a Missy gostava daquilo que eu gosto e que Alfred de Musset, Apollinaire e a própria Colette chamavam de monte de vênus. Xota, se me entendem.
Enfim, Missy tomou conta de Colette e se tornou não só sua amante como sua empresária e coreógrafa.
Num número que ficou famoso, Colette aparecia no palco vestida de múmia e aos poucos se desfazia das ataduras até que, completamente nua, dançava com o seu príncipe encantado que era nada menos que a própria Missy vestida de homem.
Colette não era exatamente lésbica. Tanto que depois de se divorciar de Willy se casou com Henry de Jouvenel, editor do jornal Le Matin, onde escrevia, e com ele teve sua única filha.
Não se pode dizer que Colette lhe fosse infiel, pois só ia para cama com mulheres e às vezes o convidava para ser juiz da luta aranhal.
Foi amante de Missy durante todo o seu casamento com Jouvenel. Era o maior barato ver as duas aparecerem em bacanais femininas vestindo smoking.
As festas acabavam invariavelmente com dezenas de mulheres nuas, exaustas depois de passarem a noite toda brincando de mamãe-mamãe.
Colette usava no tornozelo uma pulseira onde estava gravada a frase “Pertenço à Missy”, o que – é claro – era chute, pois muitas outras lésbicas andaram com a boca entre as suas coxas.
Uma delas foi Natalie Barney, uma milionária americana, amiga de Hemingway. Numa carta enviada a Natalie, Colette finalizou dizendo: “Natalie, meu marido beija as suas mãos e eu o resto”.
Depois de se divorciar de Jouvenel, teve um caso com o filho dele, Bertrand, de apenas dezenove anos.
Só sossegou o pito – em parte – aos cinquenta e dois anos, quando conheceu o jornalista Maurice Goudeket, que tinha trinta e cinco anos e muita tesão, tanto que comeu Colette até o dia da sua morte (dela, naturalmente) aos setenta e dois anos, em Saint Tropez. Faziam amor para uma plateia de mais de vinte gatos.

Escritora menor, foi uma mulher bem maior que sua obra.

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